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De olho no lance: a dupla jornada de Fernando Rosa, CEO da Havaianas

À frente da Havaianas, Fernando Rosa também lidera uma equipe mirim de futebol aos fins de semana

Fernando Rosa: das partidas de handebol aos treinos de futebol para crianças no clube em que é sócio (Leandro Fonseca/Exame)

Fernando Rosa: das partidas de handebol aos treinos de futebol para crianças no clube em que é sócio (Leandro Fonseca/Exame)

Júlia Storch
Júlia Storch

Repórter de Casual

Publicado em 19 de março de 2026 às 06h00.

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O esporte abriu novas portas para além da atividade física para Fernando Rosa, CEO da Havaianas. Mesmo longe das quadras como atleta profissional, o executivo encontrou no futebol dos filhos uma nova forma de viver o esporte. Só que agora como técnico.

A história de Rosa nas quadras começou cedo, aos 11 anos, com a bola de handebol na mão esquerda. O atleta canhoto foi convidado a treinar pelo time da cidade e, pouco tempo depois, já estava jogando na Associação Desportiva e Cultural Metodista, em São Bernardo do Campo. “A partir daí comecei a treinar todos os dias”, diz. Foram anos intensos, com títulos paulistas e brasileiros, convocações para seleções de base e o primeiro registro na carteira de trabalho como atleta profissional.

O handebol moldou não apenas sua juventude, mas também sua visão de mundo. “Muito da minha carreira e de como eu sou como líder tem influência do que eu vivi no esporte”, afirma. Para ele, o esporte coletivo é uma metáfora clara do espírito de colaboração. “Se um não passar a bola, se o goleiro não for bem, o time não vai ganhar.” Foi ali que ele aprendeu sobre trabalho em equipe, equidade e inclusão. “Tinha menino que estava ali pelo lanche que serviam no fim do treino. O esporte me deu uma visão de mundo fora da bolha”, diz.

Lesões no joelho e as exigências da vida executiva o levaram a encerrar a trajetória profissional. “Sempre sonhei em seguir como atleta”, diz. Mas a decisão de parar foi necessária. Ainda assim, nunca abandonou o esporte, com passagens pelo circuito universitário e em times na Alemanha, enquanto trabalhava. Mais tarde, adotou o tênis como prática individual. “Sempre preciso ter um esporte na agenda.”

Foi com o nascimento dos filhos que o esporte ganhou um novo significado. Desde cedo, Rosa os levou para escolinhas de futebol. O talento do caçula chamou atenção e, há três anos, Rosa tornou-se sócio do clube onde os meninos jogam, em São Paulo. O convite para ser técnico veio naturalmente.

Hoje, o hobby ocupa um espaço central em sua rotina. Ele já treinou duas categorias ao mesmo tempo, organiza escalações, conversa individualmente com pais, monta esquemas táticos na prancheta e vive cada sábado como um compromisso inadiável. “É o meu escape, é o meu hobby hoje”, conta.

O campeonato interno reúne mais de 1.000 crianças. Há regulamento, pênaltis, finais emocionantes. No ano passado, ele foi campeão com o filho mais novo no sub-8. “Pode parecer engraçado, mas foi uma das maiores emoções da minha vida.”

Mas seu objetivo vai além do troféu. “Quero que todo mundo se divirta no final do dia, mesmo com os desafios de lidar com diferenças de habilidade, expectativas e até pais exaltados na arquibancada”, afirma. Para ele, o esporte ensina a conviver com vitória e derrota, com diversidade social e com frustrações.

Curiosamente, o filho mais velho decidiu também jogar handebol. Para Rosa, é como fechar um ciclo. “Acho que estou cumprindo a missão de colocar o esporte na vida deles.” A conexão com os filhos é o que mais o move. Mesmo com a agenda intensa e viagens frequentes, ele tenta priorizar os jogos. “Eles não me dão a licença de estar mais distante. Eu que tenho que me adaptar”, diz.

Desde 2024, Rosa atua como presidente da companhia brasileira fundada em 1962. A marca reconhecida internacionalmente já vendeu mais de 5 bilhões de pares de chinelos — no Brasil, 94% das pessoas têm pelo menos um par em casa, segundo pesquisa da empresa. Anualmente, a marca vende mais de 230 milhões de pares no mundo todo.

Rosa sabe que a carreira como técnico pode ter um prazo de validade, já que em alguns anos é provável que os filhos queiram ser treinados por outros profissionais ou sigam novos caminhos. “Se eles viverem o tempo que eu vivi com o esporte e tiverem o conhecimento que eu tive, sinto que a missão terá sido cumprida”, afirma. No fim, para os filhos, ele não é presidente de empresa. “Para eles eu sou só o pai deles.” E todo sábado, à beira do campo, é exatamente isso que ele escolhe ser.

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