ESG

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

A ferramenta da Natura que consolidou R$ 50 bi por ano em impacto agora é aberta a outras empresas

The Future P&L converte indicadores sociais e ambientais em valor financeiro e propõe nova forma de medir desempenho empresarial

Natura mira se tornar 100% regenerativa até 2050, com metas que vão da cadeia produtiva à gestão financeira (Leandro Fonseca)

Natura mira se tornar 100% regenerativa até 2050, com metas que vão da cadeia produtiva à gestão financeira (Leandro Fonseca)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 9 de abril de 2026 às 11h50.

Última atualização em 9 de abril de 2026 às 14h40.

Na Natura, a métrica de sucesso é gerar quatro dólares para a sociedade a cada 1 dólar em receita. É essa lógica que orienta o modelo de gestão da companhia e que agora começa a ser levada para outras empresas medirem seu próprio desempenho. 

A gigante brasileira de cosméticos acaba de lançar a The Future P&L, uma ferramenta gratuita que permite a negócios de diferentes portes e setores calcular, de forma integrada, seus resultados financeiros e seus impactos socioambientais.

A iniciativa é inspirada na metodologia Integrated Profit & Loss (iP&L), desenvolvida pela própria Natura e que parte do seguinte princípio: o lucro de uma empresa não pode ser dissociado de seus efeitos sobre a sociedade e o meio ambiente.

O modelo acumula mais de R$ 50 bilhões em impacto positivo por ano. Agora, a empresa quer expandir esse conceito para o mercado.

++ Leia mais: Sem fundadores no conselho: o que muda na Natura com a entrada da Advent

Na prática, a proposta é incorporar à gestão indicadores que historicamente eram tratados como externalidades, como indicadores sociais e ambientais, os traduzindo em valor econômico.

A plataforma funciona como uma calculadora interativa e pode ser acessada aqui. Os usuários inserem dados sobre suas operações (como renda gerada para colaboradores, parceiros e fornecedores, geração de resíduos e iniciativas sociais) e recebem uma estimativa monetizada do valor criado além do resultado financeiro tradicional.

O resultado permite comparar o lucro com o chamado "valor compartilhado" gerado pela empresa, facilitando a identificação de oportunidades de melhoria no negócio e apoiando a tomada de decisões estratégicas.

Segundo Angela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da Natura, a democratização da tecnologia vai de encontro à jornada da Natura em levar um modelo econômico de regeneração. 

Angela Pinhati, diretora de sustentabilidade da Natura América Latina: "“Para nós, esse passo significa oferecer condições para que outras organizações também possam mensurar, gerir e ampliar seu impacto positivo.” (Natura/Divulgação)

A diretriz está alinhada à chamada Visão 2050, atualizada recentemente pela empresa, que estabelece o compromisso de transformar o negócio em uma operação 100% regenerativa nas próximas décadas.

Desenvolvida em parceria com a Africa Creative, a plataforma também busca provocar uma mudança de mentalidade no mercado.

“É um convite para que se abandone a visão do lucro pelo lucro e passe a projetar o futuro com base em dados tangíveis que também consideram fatores socioambientais”, diz Verônica Gordilho, co-COO da agência.

De acordo com a Natura, os dados inseridos na ferramenta são confidenciais e não ficam acessíveis à companhia em nenhum momento do processo. A metodologia utiliza fatores de valoração para converter impactos em métricas financeiras, permitindo uma visão mais ampla do desempenho corporativo.

++ Leia mais: O que aprendemos passando um dia na fábrica da Natura?

Para os próximos anos, a ambição é ampliar esse modelo e inspirar outras empresas. Até 2050, a Natura prevê metas mais estruturais, como o uso de materiais renováveis, a remuneração de comunidades por serviços ambientais e a transformação de toda a cadeia rumo à regeneração.

Acompanhe tudo sobre:SustentabilidadeClimaMudanças climáticasESGNaturaCosméticos

Mais de ESG

Petrobras mira três novos poços na Margem Equatorial após incidente; entenda

PNDBio: o plano que quer esclarecer ao setor financeiro o que é a bioeconomia

Entre apagões e excesso de energia, baterias chegam à distribuição no Brasil pela primeira vez

Pequenos Reatores Modulares (SMRs) no Brasil: uma alternativa em avaliação para o setor elétrico