Como se proteger da inflação investindo em renda fixa e variável

Com o IPCA na casa de 6% a 8% ao ano, o investidor precisa incluir na carteira ativos que evitem a perda de valor do patrimônio

Para milhões de brasileiros que começaram a investir nos últimos quatro anos, a inflação não passava de uma lembrança de um passado distante. Com taxas na casa de 2% a 4% ao ano, a inflação não parecia algo difícil de ser superado no mercado. 

Mas a barra subiu, e bastante: a inflação ao consumidor medida pelo IPCA (o índice oficial do país, calculado pelo IBGE) chegou a 8,35% nos 12 meses até junho, no maior patamar em quase cinco anos.

A expectativa no mercado é de que a inflação seja temporária, mas ainda deve custar a ceder. A crise hídrica, por exemplo, já pressiona os custos da energia elétrica, com efeito em cadeia por toda a economia. 

As estimativas apontam que o IPCA deve encerrar o ano acima de 6%, bem acima, portanto, do centro da meta de 3,75% perseguida pelo Banco Central. Tudo isso significa que proteger os investimentos da inflação voltou a figurar como tendência de primeira necessidade.

O BC começou a agir para conter as expectativas inflacionárias: desde a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de março, elevou a taxa básica de juro, a Selic, de 2% para 4,25% ao ano. E a projeção no mercado é que os juros acabem o ano em 6,5%. A Selic referencia o CDI, que, por sua vez, guia a rentabilidade de ativos de renda fixa. 

A questão é que o CDI reage com atraso ao avanço dos preços, e isso significa correr o risco de ver o investimento perder para a inflação até que esse ajuste nos juros se dê por completo. “É importante para o investidor lembrar que, mesmo em períodos tranquilos, é preciso estar preparado para surpresas inflacionárias”, recomenda Evandro Buccini, diretor de renda fixa e multimercado da Rio Bravo Investimentos.

Para permitir que o investidor esteja um passo à frente nesse cenário e consiga blindar o portfólio, especialistas recomendam investimentos com rentabilidade atrelada à própria inflação. As opções mais seguras são os títulos do Tesouro IPCA+, também conhecidos como NTN-B. Eles são referenciados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do País.

Existem também títulos de crédito privados atrelados à inflação, como debêntures de infraestrutura e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). Embora mais arriscados do que os títulos do governo, essas opções costumam ter ganhos mais atraentes porque pagam um prêmio (spread) mais a taxa de referência, que pode ser tanto o CDI quanto um índice de inflação.

Quem está disposto a diversificar ainda mais o portfólio pode olhar também para a renda variável, principalmente para os fundos de investimento imobiliário (FIIs). O mercado imobiliário é considerado um bom escudo contra o aumento de preços porque os contratos de locação possuem cláusulas de correção para ajustar os aluguéis. A recomendação é para os chamados “fundos de tijolo”, que compram imóveis. 

“Podem ocorrer oscilações no curto prazo, mas os FIIs de tijolo são investimentos que protegem da inflação ao longo do tempo”, afirma Felipe Solzki, sócio e gestor de fundos imobiliários da Galapagos Capital. Existem também os “fundos de papel”, que compram dívidas imobiliárias por meio de CRIs. Neste caso, é preciso buscar fundos que adquiram títulos indexados a algum índice de inflação, e não ao CDI, que não oferece proteção contra o aumento de preços.

Outra possibilidade é investir em ações de setores cujas receitas também estão vinculadas à inflação, como companhias de transmissão de energia elétrica. “Elas são boas opções em cenários de inflação por terem seus contratos atrelados a índices inflacionários”, explica Luis Sales, estrategista-chefe da Guide Investimentos. Como destaques do setor, o gestor aponta os papéis da Transmissão Paulista (TRPL4) e da Taesa (TAEE11) – que, a propósito, não são afetadas pela crise hídrica como as geradoras.

Nesse caso, no entanto, é importante a ressalva de que os ativos em bolsa são mais voláteis e, portanto, não são indicados como a melhor proteção contra a inflação em termos de risco e retorno. O consenso entre analistas é a diversificação. Para além de títulos, FIIs e ações, é possível comprar ativos descorrelacionados, como ouro e criptomoedas. O fundamental é não deixar o investimento parado e sem proteção.

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