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Com safra recorde, frete de grãos pode subir até 19% no Brasil neste ano

Com possibilidade de renovar o recorde da safra neste ano e nova tabela da ANTT, o preço do frete deve subir no país em 2026

Caminhão no porto: preço do frete agrícola deve subir entre 5% e 6% neste ano e intensificar aumentos nos períodos de pico da safra (Silvio Avila/AFP/Getty Images)

Caminhão no porto: preço do frete agrícola deve subir entre 5% e 6% neste ano e intensificar aumentos nos períodos de pico da safra (Silvio Avila/AFP/Getty Images)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 06h00.

Última atualização em 27 de janeiro de 2026 às 11h36.

O Brasil deve renovar seu recorde de produção de grãos na safra 2025/26, com projeção de 353 milhões de toneladas, segundo estimativas da -Conab. No entanto, a alta na produção reacende um problema conhecido do setor: o aumento no preço dos fretes rodoviários.

A combinação entre uma nova supersafra e o reforço na fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tende a elevar os custos logísticos ao longo do ano. Estimativas da Frete.com, plataforma que conecta empresas a caminhoneiros autônomos, apontam aumentos de 17,1% no frete da soja, 8,8% no de milho e 19,1% no de fertilizantes.

O principal fator é a fiscalização eletrônica da ANTT, que passou a cruzar os valores pagos com os pisos mínimos estabelecidos. Com isso, desde outubro de 2025, o monitoramento ficou mais rígido, gerando aumentos de até 150 reais por tonelada em algumas rotas de fertilizantes, segundo estimativas da Argus Brasil.

“A ANTT tem impactado mais o frete de fertilizantes do que o de grãos”, afirma João -Petrini, editor-assistente da Argus. “Com a supersafra de 2025, o preço dos grãos já estava naturalmente elevado.”

Além disso, a agência reajustou a tabela de pisos mínimos em 2025, com aumentos entre 0,82% e 3,55%, considerando diesel e inflação. “Na média, o preço do frete agrícola deve subir entre 5% e 6% neste ano, mas os meses de pico devem registrar aumentos ainda maiores”, diz Roberto Junior, gerente de inteligência de negócios da Frete.com. 

Outro vetor de pressão deve ser a falta de caminhoneiros no mercado, um problema recorrente no país. “Ainda há um ciclo de entrada e saída de caminhoneiros conforme o mercado aquece ou esfria. Isso limita a capacidade de resposta do setor”, diz Federico Vega, CEO da Frete.com. O agro continua crescendo — mas cada tonelada colhida exigirá mais esforço (e custo) para chegar a seu destino.

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