Na Ultrafértil, boas vendas com a reação no campo

A Ultrafértil colhe um ótimo resultado em 2006 graças aos investimentos dos produtores de grãos para aumentar o plantio da nova safra

O mercado de insumos agrícolas sempre funcionou como um bom termômetro dos humores do campo. Quando os produtores estão animados com as perspectivas de lucro, eles não costumam economizar em adubos. O ano de 2006 não foi diferente. Após a retração de 11% nas vendas de fertilizantes em 2005, a expectativa das indústrias era fechar mais um ano no vermelho. </p>

No entanto, contrariando essa previsão pessimista, o setor vendeu em 2006 quase 800 000 toneladas mais do que em 2005, crescimento de 3,9%, de acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Essa virada ocorreu graças, sobretudo, ao resultado do último trimestre, quando os agricultores, estimulados pela alta dos preços dos grãos, passaram a comprar mais fertilizantes para aumentar o plantio da nova safra.

A recuperação do mercado se refletiu no desempenho da Ultrafértil, eleita a melhor empresa do setor de adubos e defensivos em 2006. Ela foi a mais rentável (26,5%) do setor e apresentou o segundo maior valor em riqueza gerada por empregado (261 753 reais).

Além disso, no ranking das 500 maiores empresas de agronegócio do país, a Ultrafértil aparece entre as 20 que mais criaram riqueza (457 milhões de reais). Fundada no município paulista de Cubatão, em 1965, a Ultrafértil foi adquirida em 1993 pela Fosfertil, maior produtora de matérias-primas para fertilizantes do país. Embora adotem gestão única e a mesma identidade corporativa, possuem razões sociais distintas. Por esse motivo, foram avaliadas separadamente neste anuário.

Para obter o bom resultado em 2006, o grupo Fosfertil/Ultrafértil, que possui oito fábricas no país, concluiu a ampliação das unidades de Uberaba e Tapira, em Minas Gerais, e de Catalão, em Goiás, o que lhe deu fôlego para aumentar a produção em 29% em relação a 2005. Além disso, a empresa realizou uma série de ajustes para reduzir os custos, incluindo o corte de 300 funcionários.

"Nosso grande desafio em 2007 será manter custos enxutos e produção contínua para entregar produtos de valor aos clientes", diz Vital Jorge Lopes, presidente da Fosfertil. Segundo ele, as perspectivas para este ano são animadoras, principalmente pelo bom momento da soja, a cultura que mais consome fertilizantes no país. "Merecem destaque também o aumento da demanda por milho e cana para a produção de biocombustíveis e a alta nos preços internacionais de grãos", diz Lopes.

Apesar dos bons números colhidos no ano passado e das boas perspectivas para 2007, a empresa vive uma fase turbulenta por causa de uma grande disputa em curso entre seus controladores. Duas das maiores multinacio nais de agronegócio, Bunge e Cargill (por meio de sua controlada Mosaic) são parceiras no comando da Fosfertil.

No final do ano passado, sem avisar a Cargill, a Bunge propôs aos acionistas da Fosfertil a fusão da empresa com a Bunge Fertilizantes. A manobra foi interpretada pela diretoria da Cargill como uma tentativa da Bunge de escantear a empresa para assumir sozinha o controle da Fosfertil. O caso foi parar nos tribunais. O último capítulo da disputa envolveu a decisão da 3a Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo de congelar o processo de fusão da Bunge Fertilizantes com a Fosfertil até que o mérito da ação movida pela Mosaic seja julgado.

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