“As melhores ideias surgem nas crises”

Para o presidente de uma das principais startups da França, a pandemia vai impulsionar o surgimento de novos serviços digitais

A startup BlaBlaCar é um ícone na França. Fundada em 2006 como um serviço de compartilhamento de viagens de carro, ela é uma das raras empresas de tecnologia do país a atingir o valor de 1 bilhão de dólares. Durante a pandemia, no entanto, a startup viu seu negócio desaparecer com a paralisação dos transportes. É uma situação dura, mas que pode ser superada, de acordo com o executivo Nicolas Brusson, presidente e cofundador da BlaBlaCar. Em entrevista, ele diz acreditar que a crise forçará as empresas a se adaptar e a inovar.

Como tem lidado com os efeitos da pandemia na BlaBlaCar?

Ficamos praticamente sem nenhuma atividade na plataforma. Nossas receitas caíram para zero. É uma queda impensável em tempos normais. A vantagem é que, diferentemente de uma empresa de ônibus, não somos os donos dos veículos. Então, podemos virar a chave e reduzir custos rapidamente. Mas não me preocupo tanto com a interrupção agora. O verdadeiro desafio é saber como será a retomada. Estamos bem capitalizados. Conseguimos passar pela tempestade sem grandes dificuldades. E, depois da crise, podemos nos tornar mais fortes.

Será uma retomada gradual?

Sim. E vai haver um efeito de longa duração. Vamos enfrentar uma recessão. O lado bom é que o mundo costuma ver o surgimento de empresas fortes nas crises, quando as pessoas estão sob pressão e procuram serviços e produtos de baixo custo. Nesse sentido, o vento sopra a nosso favor.

Foi o que vivenciaram na crise de 2008?

Sim. Começamos a empresa em 2006, mas nada aconteceu antes da crise de 2008. Pelo menos na França, o crescimento da BlaBlaCar só veio em 2009. E não era uma coisa nova. A “economia compartilhada” já existia. Mas de repente fazia sentido para as pessoas compartilhar viagens de carro.

O que muda para as startups?

Até a crise, o assunto mais importante para toda startup era o volume de dinheiro levantado. Ela não precisava nem ter um modelo de negócios muito novo. Podia ser completamente sem graça. Mas o que importava era levantar mais dinheiro. Estávamos perdendo a capacidade de inovar de verdade. Acho que, depois da crise, voltaremos a ver uma inovação mais criativa.

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