A eleição da pandemia

O coronavírus deve ter um peso importante na escolha do próximo presidente dos Estados Unidos. Biden lidera as pesquisas, mas Trump ainda tem suas armas

A menos de cinco meses da eleição presidencial americana, marcada para 3 de novembro, as pesquisas apontam que o democrata Joe Biden tem tudo para evitar o segundo mandato do republicano Donald Trump. Na mais recente pesquisa da rede CNN, Biden tem 55% das preferências dos eleitores, ante 41% de Trump. Observando os resultados de diversas sondagens, um ponto chama a atenção: o peso que a pandemia do coronavírus deverá ter na eleição. De modo geral, Biden lidera nos estados com maior número de casos de covid-19, enquanto Trump está à frente nos estados menos atingidos. O mapa ao lado destaca alguns estados em que é mais nítida essa tendência.

É bom lembrar que as eleição americana é indireta. Os votos dos eleitores definem a composição do Colégio Eleitoral, formado por 538 delegados, e são estes que escolhem o presidente da nação. Na maioria das vezes, o voto do Colégio Eleitoral acompanha o voto popular. Isso não ocorreu somente em cinco ocasiões — a última vez foi, justamente, em 2016, quando Donald Trump se elegeu presidente, apesar de ter recebido menos votos do que a democrata Hillary Clinton.

Desta vez, a tarefa de Trump é mais complicada. A pandemia empurrou os Estados Unidos para a recessão e levou mais de 43 milhões de americanos a pedir seguro-desemprego. A morte do negro George Floyd por um policial branco em Minneapolis gerou uma onda de protestos e pode, em tese, beneficiar Biden. Mas ainda é cedo para o democrata cantar a vitória. A pesquisa da CNN revela que, quando se trata da gestão da economia, há mais eleitores que confiam em Trump (51%) do que em Biden (46%). E ainda é incerto o efeito que o movimento antirracismo terá na eleição. Em 1968, os protestos após o assassinato do líder negro Martin Luther King assustaram o eleitorado conservador e contribuíram para a eleição do republicano Richard Nixon. Não por acaso, Trump levanta agora a bandeira de candidato da “lei e ordem”. Resta saber se vai conseguir convencer os eleitores.

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