Naomi Osaka: atleta colocou a moda no centro das atenções e abriu espaço para uma tendência que cresce entre os principais nomes do circuito
Freelancer
Publicado em 8 de julho de 2026 às 20h38.
A caminhada até a quadra virou um espetáculo à parte nesta edição de Wimbledon. Antes mesmo do primeiro saque, alguns dos maiores nomes do tênis estão transformando a entrada no gramado em um momento de moda, narrativa e construção de marca. À frente desse movimento está a japonesa Naomi Osaka, que chamou atenção ao surgir com um visual inspirado em trajes cerimoniais do Japão e mostrou que o uniforme começa muito antes da partida.
O conceito ganhou força com os chamados "walk-on fits", roupas usadas pelos atletas apenas durante a chegada à quadra. Embora permaneçam em cena por poucos minutos, esses looks passaram a ocupar espaço semelhante ao dos tradicionais "tunnel walks" da NBA e da WNBA, tornando-se um dos momentos mais fotografados dos torneios.
No caso de Osaka, o visual foi desenvolvido pela estilista japonesa Hana Yagi em parceria com o diretor criativo Marty Harper. A produção seguiu o rigoroso código de vestimenta totalmente branco de Wimbledon, mas incorporou referências ao shiromuku, traje tradicional usado em casamentos japoneses, além de elementos inspirados no filme "Kill Bill". Bordados de grous, flores de cerejeira e um grande laço completavam a composição, que depois dava lugar ao uniforme esportivo da Nike.
Especialistas ouvidos pelo The Guardian avaliam que esses figurinos funcionam como uma espécie de "armadura" psicológica. A roupa reforça a autoconfiança do atleta antes da partida e contribui para transmitir presença e personalidade logo na entrada em quadra.
A psicóloga esportiva Claire-Marie Roberts afirma que a confiança é um dos fatores mais importantes para alcançar desempenho de alto nível. Segundo ela, qualquer elemento capaz de fortalecer essa percepção, desde que esteja dentro das regras, pode representar uma vantagem competitiva.
"Do ponto de vista psicológico, é o maior indicador da sua capacidade de atingir seus objetivos", diz ela. "Se você está fazendo algo para reforçar isso antes de um torneio, e está dentro das regras, é uma estratégia muito inteligente."
Nem todos enxergam impacto direto durante o jogo. A tenista Coco Gauff, por exemplo, afirma que, depois do início da partida, a atenção está totalmente voltada para a disputa. Ainda assim, ela também aderiu à tendência ao estrear uma coleção desenvolvida em parceria entre New Balance e Miu Miu.
Coco Gauff usando uniforme patrocinado pela New Balance e a Miu Miu (Glyn KIRK/AFP)
O fenômeno também representa uma oportunidade comercial. Marcas esportivas e grifes de luxo passaram a investir nesse momento de exposição, ampliando o alcance de suas campanhas por meio das redes sociais e da cobertura da imprensa especializada.
Além de Osaka e Gauff, jogadores como Taylor Fritz, Novak Djokovic e Frances Tiafoe também apostaram em produções elaboradas nesta edição de Wimbledon, reforçando que a apresentação visual passou a integrar a estratégia de posicionamento dos atletas.
Segundo analistas do setor, a conexão com a moda amplia o alcance dos tenistas para além do esporte e fortalece sua imagem junto a patrocinadores e novos públicos.
“Osaka tem sido uma das jogadoras mais comentadas do circuito nos últimos anos, mesmo sem vencer torneios ou estar na melhor forma de sua carreira”, diz Daniel-Yaw Miller, redator do subfórum de esportes e estilo SportsVerse. “A conexão com a moda e com as marcas ajuda a diversificar o apelo de uma atleta e a abrir portas para contratos e visibilidade em diversas outras áreas fora do tênis.”