“Salve os empregos para salvar seu negócio”, diz Semenzato

Fundador e presidente da SMZTO Holding, Semenzato fala das franquias brasileiras e da crise do coronavírus em entrevista à EXAME

José Carlos Semenzato está acostumado com desafios. O empresário, jurado do programa de televisão Shark Tank, começou a trabalhar aos 13 anos vendendo coxinha no interior de São Paulo e hoje é dono da SMZTO Holding de Franquias, que atua na gestão e na aceleração de negócios no franchising. O empresário fala à EXAME sobre as franquias brasileiras em meio à crise do coronavírus em entrevista ao vivo da série exame.talks.

A SMZTO tem experiência investindo em franquias de diferentes setores. Dentro do portfólio do grupo estão redes de depilação, educação e alimentação, como a Espaçolaser, o Instituto Embelleze e a Oakberry. Para 2020, Semenzato projetava que o grupo chegaria a 2.500 mil franquias, gerando 50.000 empregos e movimentando 3,4 bilhões de reais.

Com a crise causada pela pandemia de coronavírus, os planos foram pausados. “Neste cenário que se apresenta, se igualarmos o cenário de 2019, já estará ótimo, vamos lutar para que isso seja verdade”, diz Semenzato.

Alguns setores investidos pela SMZTO estão conseguindo manter a operação, com pequenos ajustes. As redes de alimentação, por exemplo, apostam no delivery e com isso devem conseguir faturar em abril cerca de 20% do que seria a receita normal para o período.

“Esses 20% não pagam as contas, mas ajudam a manter pelo menos a folha de pagamentos. Já está ótimo”, diz Semenzato. 

Para ele, o momento não é para pânico, mas os empresários precisam queimar as reservas acumuladas em prol dos colaboradores. “Vamos cuidar das pessoas”, diz Semenzato. “Não é hora de ser egoísta.”

Dicas para franquias

Semenzato lista algumas medidas que os empreendedores podem tomar neste momento para sobreviver à crise. Para ele, em primeiro lugar, é preciso “sentar em cima do caixa” e evitar gastos, já que é difícil prever a duração da crise. Depois, é preciso estudar os pacotes liberados pelo governo, cortando os gastos com os impostos. 

O empreendedor precisa negociar também o pagamento de aluguel com os shoppings e proprietários de lojas de rua. “Não peça logo de cara seis meses de carência, vá mês a mês, peça agora a prorrogação de abril. Depois, em maio, você avalia novamente”, diz Semenzato.

Ele também recomenda que os lojistas falem com os fornecedores. Na visão dele, se o lojista é um bom pagador, não tem razão para os fornecedores não aceitarem uma renegociação do pagamento de abril. 

Com essas reduções, o maior custo ficaria sobre a folha de pagamentos — que precisa ser priorizada, na visão do empresário. “Não adianta nada destruir o varejo agora”, diz. “Mantendo os funcionários, é possível retomar a operação daqui a um, dois ou três meses.” 

Para os não têm um “colchão de economias” para pagar a folha neste momento, Semenzato recomenda que seja tomado um crédito no banco para poder pagar os funcionários durante o período de crise. “Salve as pessoas para salvar seu negócio”, afirma.

Criatividade é a saída

A crise pode ser uma oportunidade para os negócios. Em 1995, quando tinha 17 unidades da rede de escola de informática Microlins, Semenzato estava endividado e foi salvo pelo sistema de franchising. “Devolvi os computadores aos bancos porque não teria como pagar. Cada franqueado assumiu uma das minhas escolas e anos depois eram 750 franquias”, diz. 

“Transformei a crise em oportunidade, peguei o problema e transformei em solução”, afirma. Apesar disso, ele reconhece que, no momento atual, nenhum empresário, seja pequeno, seja grande, vai poder resolver o problema sozinho. “Eu, com 30 anos de empreendedorismo, estou de mãos atadas. A única forma de atravessarmos essa ponte é unidos”, diz.

O jurado do Shark Tank recomenda que as pessoas aproveitem o tempo em casa para pensar fora da caixinha. A rede de depilação Espaçolaser conseguiu, na semana passada, com 95% das lojas fechadas, vender 25% do que foi vendido na mesma semana de 2019. Para isso, um “exército de vendas” entrou em ação. “Ligue, interaja com o cliente, pergunta se pode ajudar em algo. Fale de uma promoção”, diz Semenzato.

Já na rede de escolas Instituto Gourmet, investida em fevereiro pelo grupo, a aposta para o momento de crise é em aulas online. “Ficar parado jamais, temos de achar alternativas”, afirma. 

O legado da crise

Para quem ainda não investiu em negócio, Semenzato diz que não é hora de “abandonar o sonho”. O empresário recomenda que as pessoas que estejam estudando para adquirir uma franquia usem os próximos meses para estudar e tirar dúvidas com outros franqueados da rede. “Não é hora de assinar contrato, mas dá para tirar dúvidas sobre o franqueador.”

Quando o ápice da crise passar, aí, sim, será a hora de investir e de reavaliar os negócios. Para o empresário, os empreendedores que não tinham um dinheiro guardado precisarão pensar em maneiras de economizar. “Faltam ao brasileiro planejamento e cultura de guardar um pouco para momentos difíceis como este”, afirma. 

Ele acredita que o período que estamos vivendo vai deixar um legado importante para as empresas. Empresários que não acreditavam no mundo digital terão de repensar a estratégia no futuro, investindo em alternativas online, segundo Semenzato. “Já está rolando também nas rodas de empresários que a gente não precisa tanto de escritório assim — olha o legado aí.”

A entrevista foi conduzida pelos repórteres Gabriela Ruic e João Pedro Caleiro.

Assista ao vídeo completo:

Próximas entrevistas do exame.talks:

31 de março, terça-feira, 12 h

Paulo ChapChap, diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês
O papel do setor de saúde privado e das políticas públicas na crise da covid-19
Com Gabriela Ruic e João Pedro Caleiro, jornalistas de EXAME
Link para a live => exame.talks: ChapChap

1º de abril, quarta-feira, 12 h

Edu Lyra, da rede de ONGs Gerando Falcões
Os pequenos empreendedores na crise da covid-19
Com Gabriela Ruic e João Pedro Caleiro, jornalistas de EXAME
Live para a live => exame.talks: Lyra

As últimas notícias da pandemia do novo coronavírus:

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