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Travis Kalanick, o polêmico fundador da Uber, está de negócio novo

Depois do app de mobilidade urbana, executivo olha para cozinhas focadas em delivery. Os empreendimentos estão mais próximos do que se imagina

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Travis Kalanick: ele investiu 150 milhões de dólares em seu novo empreendimento (Stephen Lovekin for OurTime.org/Getty Images)

Travis Kalanick: ele investiu 150 milhões de dólares em seu novo empreendimento (Stephen Lovekin for OurTime.org/Getty Images)

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Mariana Fonseca

Publicado em 20 de fevereiro de 2019 às, 06h00.

Última atualização em 20 de fevereiro de 2019 às, 08h32.

Travis Kalanick transformou a mobilidade urbana ao cofundar o aplicativo Uber, de transporte privado, em 2009. Mas, aos poucos, sua empresa também foi sendo transformada. Escândalos que iam da segurança ao assédio provocaram a saída de Kalanick da empresa e uma remodelação completa nos valores da Uber. Quase dois anos depois, Kalanick pode ironicamente criar um novo negócio útil para sua antiga casa: cozinhas focadas em delivery.

De acordo com o jornal britânico The Financial Times, Kalanick está com um plano “multimilionário” para levantar uma rede de estabelecimentos que produzam pratos focados em entregas a domicílio, chamada CloudKitchens.

O executivo adquiriu uma participação majoritária na empresa City Storage Solutions, dona da plataforma, por 150 milhões de dólares (na cotação atual, cerca de 560 milhões de reais). A transação foi feita pelo seu fundo de investimentos 10100, criado com parte do 1,4 bilhão de dólares que Kalanick obteve ao vender sua participação na Uber.

A CloudKitchens é, para resumir, uma imobiliária. O empreendimento fornece cozinhas equipadas para aumentar a oferta de chefs e restaurantes atolados com a demanda adicional dos pedidos com entrega à domicílio.

A empresa de Kalanick defende que sua solução custa menos do que os próprios negócios conseguirem um novo espaço. Os estabelecimentos geralmente estão em áreas menos demandadas, como forma de baratear o aluguel. Além do imóvel, a CloudKitchens oferece um software para os restaurantes registrarem os pedidos de forma integrada com aplicativos de delivery.

Em seu site, o negócio de cozinhas lista alguns parceiros que já fazem uso da solução, oferecendo de pizza a sorvetes. De acordo com o Financial Times, Kalanick planeja expandir a empresa de cozinhas para a Ásia e a Europa. O passo mais tangível seria Londres, na Inglaterra, onde Kalanick teria conversado com pessoas experientes em operações do setor.

Oportunidade de mercado

A ideia de apostar na CloudKitchens não surgiu do acaso. O executivo quer explorar o quente mercado das startups de delivery, com protagonistas como o próprio Uber Eats, braço da gigante de mobilidade urbana antigamente liderada por Kalanick. Globalmente, o mercado de entrega de comida é avaliado pela consultoria McKinsey em 83 bilhões de euros, ou cerca de 350 bilhões de reais.

Dara Khosrowshahi, que sucedeu Kalanick na Uber, projetou alcançar 10 bilhões de dólares em receita para o Uber Eats em 2019, contra os seis bilhões de dólares vistos em 2018, segundo o Financial Times. Khosrowshahi também teria afirmado que a CloudKitchens é “um parceiro super interessante". Ao todo, a Uber teve uma receita de 50 bilhões de dólares em corridas no ano passado.

O Uber Eats tem brigado em uma indústria lotada de concorrentes, o que tem forçado a empresa a dar descontos. Alguns dos competidores lá fora são a startup DoorDash, que está levantando 500 milhões de dólares a uma avaliação de seis bilhões de dólares, e a Postmates, que já fez seu pedido para oferta inicial pública de ações, ou IPO. No Brasil, os concorrentes do Uber Eats incluem empresas como iFood, Loggi e Rappi.

Ao menos desta vez, esse acirramento é uma boa notícia para Travis Kalanick.

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