Christiane Pelajo durante o Zoop Payments Leadership: jornalista apresentou evento focado nas tendências do SXSW (ZOOP/Divulgação)
EXAME Solutions
Publicado em 9 de abril de 2026 às 14h23.
Última atualização em 9 de abril de 2026 às 14h23.
O avanço da inteligência artificial já redefine os meios de pagamento no Brasil, mas a capacidade humana segue como diferencial estratégico. Esse foi o ponto central do Zoop Payments Leadership SXSW, realizado nesta terça, dia 8, em São Paulo.
O evento reuniu executivos e especialistas para um balanço das tendências vistas no South by Southwest (SXSW), em Austin (EUA), e seus impactos no mercado nacional.
Na abertura, Cesário Martins, CEO da Zoop, empresa do iFood, destacou os fundamentos para companhias que buscam operar como banco ou fintech. “O Brasil já não é reconhecido mundialmente só pelo futebol, agora também exportamos o Pix e somos referência nesta tecnologia”. O executivo também apontou o avanço do tap to pay, tecnologia que transforma celulares em maquininhas, como vetor de inclusão financeira.
SXSW e a convergência de tendências
Na sequência, Marcella Calfi, gerente de marketing da Zoop, apresentou um panorama do SXSW 2026. O destaque foi a presença brasileira — segunda maior delegação do evento — e iniciativas como Casa Minas e Casa São Paulo.
A executiva abordou a transição de tendências para convergências, conceito apresentado pela futurista Amy Webb, e discutiu temas como human augmentation, ampliação das capacidades humanas por tecnologia, e o avanço de agentes de IA no consumo, incluindo o Google UCP, plataforma do Google para pagamentos e experiências integradas por IA.
A jornalista Christiane Pelajo trouxe uma leitura voltada à tomada de decisão. Inspirada em falas de Steven Spielberg, ela destacou que “a intuição é um sussurro, não um grito”. Para ela, a IA trouxe mudanças no mercado de trabalho, com funções sendo automatizadas, enquanto humanos passam a atuar como orquestradores.
IA amplia capacidade, mas pressiona profissionais
Representando a Publicis Groupe Brasil, Andrea Fernandes abordou os impactos da inteligência artificial no cotidiano corporativo. Apesar da ampla adoção, apontou lacunas de treinamento que podem gerar sobrecarga cognitiva. Também citou o uso de digital twins, réplicas digitais de sistemas ou pessoas, e a necessidade de avaliar criticamente a aplicação dessas ferramentas.
Marcelo Gripa, CEO da consultoria Futuros Possíveis, apresentou dados iniciais de uma pesquisa inédita sobre meios de pagamento no Brasil. O estudo reforça o protagonismo do país e a centralidade do celular como hub financeiro.
No levantamento, 61% dos entrevistados consideram seguro usar o celular do vendedor como maquininha, enquanto 60% avaliam a experiência como superior aos terminais tradicionais.
A discussão sobre limites da tecnologia foi aprofundada por Vanessa Mathias. Cofundadora da White Rabbit, consultoria focada em estratégia e inovação com uso de IA, ela destacou o valor crescente de atributos humanos. Segundo a executiva, quanto mais a IA se aproxima do comportamento humano, mais relevantes se tornam elementos como emoção, definida como um amplificador cognitivo.
Complementando o debate, Ricardo Natale, CEO da Experience Club, afirmou que a vantagem competitiva não está apenas no uso da tecnologia, mas na capacidade de julgamento. Ele também classificou o burnout como resultado de falhas estruturais nas organizações.
Creator economy e autenticidade em alta
No campo da economia criativa, Marcelo Vieira, diretor de negócios do TikTok Brasil, discutiu a evolução da creator economy, economia baseada em criadores de conteúdo. Segundo ele, a expansão da IA tende a aumentar o volume de conteúdo disponível, tornando a autenticidade um recurso escasso. Nesse cenário, a relação evolui de audiência para comunidade.
Encerrando o evento, Lucas Pestalozzi, da consultoria HSR, trouxe uma projeção direta: bots devem superar o tráfego humano até 2027. A recomendação foi direta: empresas precisam assumir papel ativo na transformação digital, deixando de ser passageiras para se tornarem protagonistas.
Brasileiro adota tecnologia antes de entender conceito
A Zoop também apresentou a pesquisa “Meios de pagamentos no Brasil - Onde estamos e para onde vamos”, em parceria com Futuros Possíveis e PiniOn. O estudo mostra um comportamento recorrente no país: alta adesão a novas tecnologias, mesmo antes da compreensão total.
O Pix lidera com 76% de uso e 62% de preferência como principal meio de pagamento. No entanto, funções mais avançadas — como parcelamento e pagamentos automáticos — ainda têm adesão inferior a 30%.
Segundo a pesquisa do Futuros Possíveis, o celular segue como principal ferramenta financeira. Cerca de 40% dos entrevistados já realizaram pagamentos usando o aparelho do vendedor. Em relação à IA, embora 85% desconheçam o conceito de “pagamento agêntico”, 61% afirmam considerar o uso de inteligência artificial para compras.
“Mais uma vez, o brasileiro se mostra early adopter. Mesmo ainda não sabendo o que significa pagamento agêntico, boa parte se mostra disposta a experimentá-lo. Este comportamento aponta para uma grande oportunidade de mercado e já temos a infraestrutura necessária para essa nova realidade, complementa Martins, CEO da Zoop.