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Ver Netflix faz mal ao meio ambiente? Empresa quer descobrir

Pela primeira vez, o serviço de streaming divulgou dados sobre suas emissões de poluentes

Assistir a séries ou dar uma volta de carro pelo bairro, o que polui mais? Ao que parece, os dois. A Netflix revelou, pela primeira vez, seus índices de emissão de carbono na atmosfera. Os dados mostram que assistir ao serviço de streaming durante 1 hora emite cerca de 100 gramas de carbono, a mesma quantidade emitida por um carro em um trajeto de meio quilômetro.

A estimativa é da plataforma Dimpact, desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Bristol, na Inglaterra, para ajudar empresas de mídia a mapear e administrar suas emissões de gases poluentes na atmosfera. Como uma espécie de calculadora, a Dimpact mostra as emissões relativas ao escopo 3 de empresas, ou seja, a poluição causada na ponta das operações — por fornecedores ou clientes.

Para confirmar as projeções da Dimpact e calcular as emissões totais da companhia, a Netflix espera a publicação de um relatório oficial da Carbon Trust, organização que ajuda empresas a acelerar a economia de baixo carbono, no final de março. Por enquanto, a ferramenta britânica traz apenas uma estimativa de emissões por tempo de uso e para cada usuário.

O impacto negativo dos serviços de streaming está ligado ao alto consumo de energia. Como em grande parte dos serviços digitais, a Netflix demanda uma grande quantidade de energia para manter a circulação de dados em escala mundial, e não apenas nos aparelhos domésticos que os assistem. A lógica é simples: quanto maior a demanda, maior a necessidade de criar novos centros de dados capazes de armazenar informações.

A projeção da Agência Internacional de Energia (IEA) é de que os servidores consomem pelo menos 1% de toda a eletricidade mundial. Viabilizar alternativas sustentáveis para esses centros é um desafio que a Netflix compartilha com outros gigantes de tecnologia, como a Amazon e a Microsoft. A solução mais viável nesse caso é a adoção de fontes renováveis.

Em seu relatório de sustentabilidade de 2019, a Netflix diz que parte de sua busca por mais eficiência é saber equilibrar energia renovável e não renovável. Para compensar a energia consumida de fontes não renováveis, a empresa compra certificados de energia renovável e compensação de carbono através do apoio financeiro a projetos de energia em países como Brasil, Chile, índia e Estados Unidos.

Com a Dimpact, a Netflix tem agora mais chances de identificar os pontos críticos de emissão para que possa redesenhar seus serviços para torná-los mais verdes. Parte disso será cumprida com a melhor escolha para a instalação de centros de dados, por exemplo.

Esse é o primeiro passo para que a empresa alcance as rivais na corrida contra as mudanças climáticas e reduza sua pegada de carbono. A Apple, dona do serviço de streaming Apple TV+, anunciou que pretende neutralizar as emissões de gases de efeito estufa até 2030. A mesma promessa já foi feita pela Microsoft. Com os dados da Carbon Trust, a Netflix espera definir suas metas climáticas nos próximos meses.

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