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Venda de veículos cai em setembro e Fenabrave reduz projeções

A situação fez a entidade rever para baixo as projeções e vendas da categoria para este ano, enquanto espera que uma normalização possa ocorrer a partir do início do próximo ano

Fenabrave: as vendas de carros e comerciais leves, segmento formado por picapes, utilitários esportivos (SUV) e vans, caíram em setembro 10,2% na comparação com agosto (Alan Schein Photography/Getty Images)

Fenabrave: as vendas de carros e comerciais leves, segmento formado por picapes, utilitários esportivos (SUV) e vans, caíram em setembro 10,2% na comparação com agosto (Alan Schein Photography/Getty Images)

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Reuters

4 de outubro de 2021, 14h36

Os licenciamentos de carros e comerciais leves em setembro tiveram quedas de dois dígitos tanto em relação a agosto quanto na comparação com o mesmo mês de 2020, impactados por falta de oferta de veículos, afirmou a associação que representa concessionários, Fenabrave, nesta segunda-feira.

A situação fez a entidade rever para baixo as projeções vendas da categoria para este ano, enquanto espera que uma normalização possa ocorrer a partir do início do próximo ano.

As vendas de carros e comerciais leves, segmento formado por picapes, utilitários esportivos (SUV) e vans, caíram em setembro 10,2% na comparação com agosto e recuaram 25,3% sobre um ano antes, para 155.083 unidades, segundo dados da Fenabrave.

Com isso, a entidade resolveu rever a projeção divulgada em julho para as vendas de carros e comerciais leves neste ano de alta de 10,7% para crescimento de 3,1%, a 2,01 milhões de veículos.

Do início do ano até o final de setembro, as vendas da categoria de leves somam 1,47 milhão de unidades, avanço de 13,2% sobre o acumulado do mesmo período de 2020. Em janeiro, as expectativas apontavam para um aumento de 15,8%, segundo a Fenabrave.

"Estamos diante de muitas incertezas e da maior crise de abastecimento de veículos já vivida, nos últimos anos. Isso nos fez reduzir as expectativas de crescimento para o ano", disse o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, em comunicado à imprensa.

Há meses a indústria global de veículos lida com escassez na oferta de chips que hoje em dia são uma das peças centrais de seus produtos, desde centrais de entretenimento a gerenciamento de freios e consumo de combustível.

Na semana passada, a ministra da Economia de Taiwan, Wang Mei-hua, um dos principais polos produtores de chips do mundo, afirmou que a ajuda da Malásia é necessária para resolver a falta global de semicondutores para o setor automotivo

"Acredito que, nos primeiros meses de 2022, teremos uma clareza maior sobre a resolução do problema", afirmou o presidente da Fenabrave.

A crise afeta principalmente os veículos leves diante dos volumes maiores de vendas que os de caminhões, que tiveram estimativa revista para cima pela Fenabrave de alta de 30,5% para crescimento de 43,1%, a 89,2 mil unidades.

Em setembro, as vendas de caminhões novos no Brasil recuaram 8,6% no comparativo com agosto, mas subiram 56,6% na relação anual, para 11.600 unidades.

Já a projeção de emplacamentos de ônibus passou de alta de 10,6% para crescimento de 1,1%, a 18.200 unidades, afirmou a Fenabrave. As vendas da categoria no mês passado somaram 1.160 ônibus, quedas de 28,4% ante agosto e de 24,3% sobre setembro de 2020.

Segundo a Fenabrave, as empresas transportadoras que atuam no setor de ônibus estão "em compasso de espera", mantendo cautela sobre suas decisões de investimento em frota. "Neste ano, é o segmento com menor crescimento em relação a 2020, mas é algo até compreensível, em razão da pandemia e das restrições de circulação, que vigoraram no primeiro semestre de 2021", disse o presidente da entidade.

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