Redação Exame
Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 10h40.
A fundadora e CEO da Pomelo Care, Marta Bralic Kerns, transformou sua frustração com o sistema de saúde materno dos Estados Unidos em um negócio avaliado em US$ 1,7 bilhão.
A startup de saúde virtual, que começou com foco em gestantes atendidas pelo Medicaid, acaba de levantar US$ 92 milhões em uma nova rodada liderada pela Stripes, mais do que triplicando sua avaliação desde 2024.
Com uma trajetória que passou pela consultoria estratégica da McKinsey e pela Flatiron Health, startup de tecnologia na área de oncologia vendida por US$ 1,9 bilhão para a Roche, Bralic Kerns decidiu aplicar suas habilidades em dados e saúde populacional para resolver um gargalo bilionário: a assistência pré-natal desorganizada, cara e ineficiente, principalmente entre pacientes de baixa renda. As informações foram retiradas da Forbes.
Mesmo com acesso aos melhores médicos e plano de saúde, a experiência de Bralic Kerns ao ter sua filha foi marcada por lacunas no atendimento. Dados de saúde materna eram pouco utilizados, diagnósticos de risco eram tardios e faltava orientação personalizada. A constatação foi clara, mesmo dentro do sistema, faltava inteligência para antecipar complicações evitáveis.
A resposta foi fundar, em 2021, a Pomelo Care, um modelo de atendimento 100% digital, contínuo, baseado em dados e evidências clínicas. A startup atende 24 horas por dia e cobre toda a jornada da maternidade: da gravidez ao pós-parto. A lógica por trás do negócio é clara: prevenir custa menos do que remediar. E as finanças corporativas do setor já comprovam isso.
A Pomelo Care oferece seus serviços gratuitamente para as pacientes, mas os custos são cobertos pelas seguradoras. E isso se paga: a empresa reportou uma redução de 58% nas admissões em UTIs neonatais e 46% menos visitas aos prontos-socorros entre pacientes do Medicaid. No agregado, a conta caiu 15%, uma economia relevante em um segmento onde internações neonatais geram mais de US$ 25 bilhões em despesas anuais.
Empresas como UnitedHealthcare, Elevance e Koch Inc. já fazem parte da base de clientes da Pomelo. Com um modelo de receita baseado em cobrança per capita mensal, a startup consegue escalar sem depender de atendimento presencial, reduzindo custos operacionais e melhorando margens.
A rodada de US$ 92 milhões foi liderada pela Stripes e contou com a participação de Andreessen Horowitz, Box Group, entre outros fundos de peso. Segundo Ron Shah, sócio da Stripes, o salto de avaliação, de US$ 500 milhões em 2024 para US$ 1,7 bilhão em 2026, é reflexo direto da performance da empresa: "Ela gera muito mais receita, com muito mais tração e visibilidade sobre os próximos dois anos."
Bralic Kerns é descrita como uma gestora disciplinada, com controle rígido sobre despesas operacionais e burn rate, métricas essenciais para qualquer startup que deseja atrair capital de risco em ciclos mais seletivos. A Pomelo, apesar de não divulgar sua receita anual, opera com clareza sobre seus custos e seu potencial de retorno. O que explica, em parte, o apetite dos investidores.
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