Uso da terra e agropecuária respondem por 73% das emissões brasileiras

Relatório do SEEG aponta que as emissões brutas do Brasil somaram 2,16 bilhões de toneladas em 2020. Conter o desmatamento é o maior desafio
 (Leo Correa/Glow Media/AP)
(Leo Correa/Glow Media/AP)
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Da RedaçãoPublicado em 29/10/2021 às 06:00.

Talita Assis

O Observatório do Clima divulgou hoje as estimativas de emissões de gases de efeito estufa da nona edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG). Segundo o SEEG as emissões totais brutas do Brasil em 2020 somaram 2,16 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (GtCO2e), um aumento de 9,5% em relação a 2019.

Quando consideradas as emissões totais líquidas, ou seja, levando-se em conta nos cálculos também a remoção de carbono da atmosfera por crescimento de florestas secundárias e áreas protegidas, o total é de 1,52 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente (GtCO2e) que representa um aumento de 14,1% comparado a 2019.

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O setor com maior participação nas emissões de 2020 foi o de mudanças de uso da terra, que respondeu a 46% das emissões totais brutas, seguido por agropecuária (27%), energia (18%), processos industriais (5%) e resíduos (4%).

Também foi do setor de mudanças de uso da terra a maior alta registrada com relação a 2019 (24%), seguido por agropecuária que apresentou alta de 2,5%, e resíduos (1,8%). As emissões no setor de processos industriais se mantiveram estáveis.

Por outro lado, o setor de energia, cuja principal fonte de emissão é a queima de combustíveis para funcionamento dos meios de transporte, apresentou queda de 4,5%, reflexo principalmente da pandemia de covid-19, que nos primeiros meses de 2020 reduziu o transporte de passageiros, a produção da indústria e a geração de eletricidade.

A importância do setor de mudanças de uso da terra nas emissões brasileiras

O setor de mudanças de uso da terra teve a maior participação nas emissões totais brutas do Brasil em 2020, das quais 78% na Amazônia e 11% no cerrado. Como aproximadamente 90% das emissões deste setor são oriundas do desmatamento, o aumento de 24% no último ano já era esperado.

Os números reforçam a necessidade de controlar o desmatamento na Amazônia. Esta é a principal medida que o país precisa tomar para diminuir suas emissões e para alcançar as metas assumidas no Acordo de Paris. O aumento recente do desmatamento pode dificultar as negociações do Brasil na COP26, uma vez que o principal fator de emissão do país vem apresentando tendência de alta.

Metodologia utilizada pelo SEEG

As estimativas do SEEG são geradas segundo as diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), com base nos Inventários Brasileiros de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa, do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações). No entanto, o SEEG divulga suas estimativas ano a ano, enquanto o Inventário Nacional de Emissões é divulgado a cada cinco anos.

O relatório considera os cinco setores:

  • Mudanças de uso da terra, que contabiliza as emissões e remoções de gases de efeito estufa devido a conversões entre vegetação nativa, pastagem, agricultura e floresta plantada.
  • Agropecuária, que estima as emissões devido a fermentação entérica, manejo de dejetos animais, cultivo de arroz, queima de resíduos agrícolas e solos manejados.
  • Energia, que considera as emissões fugitivas e as emissões pela queima de combustíveis.
  • Processos industriais, que estima as emissões de HFCS, indústria química, produção de metais, produtos minerais, uso de SF6, uso não energético de combustíveis e o uso de solventes.
  • Resíduos, que considera as emissões dos efluentes líquidos, resíduos sólidos e tratamento de efluentes líquidos.

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