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Sinal verde para construção da marina de R$ 350 milhões em Florianópolis

Alvará de construção e licença ambiental para área de de 440 mil metros quadrados foram assinados nesta segunda-feira, após cinco anos de entraves jurídicos, técnicos e ambientais,

Após a conclusão, marina da Beira-Mar Norte terá mais de 600 vagas para embarcações (PMF Divulgação/Divulgação)

Após a conclusão, marina da Beira-Mar Norte terá mais de 600 vagas para embarcações (PMF Divulgação/Divulgação)

Rafael Martini
Rafael Martini

Editor da Região Sul

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 15h07.

Última atualização em 9 de fevereiro de 2026 às 15h28.

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O Parque Urbano e Marina da Beira-mar Norte, em Florianópolis, está oficialmente liberado para sair do papel a partir desta segunda-feira (09). Durante evento realizado no Trapiche da Beira-Mar, a prefeitura e Estado autorizaram o início das obras com a assinatura da licença ambiental e do alvará de construção, encerrando um dos processos de licenciamento urbano mais longos e debatidos da história recente da Capital.

O empreendimento, estimado em R$ 350 milhões, prevê a cessão de uma área pública de 440 mil metros quadrados, por 35 anos, à JL Empreendimentos (PR), vencedora do processo licitatório, e deve gerar mais de 2 mil empregos diretos e indiretos ao longo das fases de implantação e operação do complexo.

Segundo Leandro Mané Ferrari, presidente da Associação Náutica Brasileira (ACATMAR), trata-se, atualmente, do maior investimento já realizado em um parque náutico no Brasil.

A liberação marca o desfecho de um processo que se estendeu por cinco anos desde a apresentação oficial do empreendimento, lançado inicialmente com previsão de conclusão em 2025. Ao longo desse período, o projeto foi alvo de sucessivas discussões jurídicas, técnicas e ambientais, judicializações, revisões de estudos e embates públicos que acabaram retardando sua execução.

A marina terá mais de 600 vagas para embarcações, distribuídas em um espelho d’água de aproximadamente 300 mil metros quadrados.

Deste total, 562 serão destinadas à operação privada, enquanto o restante ficará reservado ao uso público, incluindo atracação temporária, embarcações de passagem e apoio às atividades náuticas abertas à população.

Para Mané Ferrari, a demora ajuda a explicar o peso simbólico do projeto. “Não é um projeto simples, nem rápido, e tampouco consensual — e justamente por isso ele é tão simbólico. O avanço do Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte representa, antes de tudo, um amadurecimento institucional de Florianópolis”, avalia.

Segundo ele, o debate sobre a implantação de uma estrutura náutica organizada naquela área é antigo. Há mais de uma década, a Acatmar entregou os primeiros anteprojetos para a região, quando ainda predominava a visão de que marinas representariam um problema ambiental. “Hoje, a cidade começa a entender que o problema nunca foi o mar — foi a ausência de planejamento”, afirma.

Na avaliação do setor náutico, uma marina urbana bem concebida cumpre papel estrutural no ordenamento da orla. “Quando bem concebida, licenciada e fiscalizada, uma marina urbana é um equipamento de ordenamento, não de degradação. "Ela organiza o uso da água, retira embarcações de fundeios irregulares, cria infraestrutura adequada, gera empregos diretos e indiretos e devolve a cidade ao seu território natural: o mar"”, diz Ferrari.

O presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), Gilberto Seleme, lembra que a falta de marinas é um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento da indústria náutica brasileira. “Santa Catarina tem uma indústria de ponta e lidera a produção de iates no Brasil. Fabricamos embarcações esportivas e de lazer com muita tecnologia, inclusive para o mercado externo. Com a marina, Florianópolis faz um movimento na direção correta, que vai trazer desenvolvimento para a região”, afirma.

Parque urbano integrado

Integrado à marina, o parque urbano amplia significativamente o alcance do projeto. “Não se trata apenas de atender ao setor náutico, mas de criar um espaço público vivo, acessível, que conecta lazer, turismo, economia e qualidade urbana. Cidades que avançaram nessa direção colheram resultados concretos em desenvolvimento econômico e valorização do entorno”, afirma o dirigente.

Para o prefeito Topázio Neto, o empreendimento tem potencial de gerar impactos positivos em cadeia desde a fase de obras até sua plena operação. Essa é uma estrutura que vai ditar novos rumos para a cidade como um todo. Precisamos considerar o impacto positivo e em cadeia que equipamentos como esse têm potencial de gerar, desde sua construção até o pleno uso pelas pessoas. Serão gerados empregos, novos serviços. É uma obra que coloca Florianópolis em outro patamar”, afirma.

O governador Jorginho Mello reforçou o caráter estratégico do empreendimento. Estamos trabalhando para entregar um projeto inovador, totalmente dentro da legislação e que será um grande marco para nossa capital e também para o estado de Santa Catarina. É uma obra grandiosa, com foco nas pessoas, que tem tudo para ser um sucesso, disse.

No setor produtivo, o projeto é visto como um divisor de águas. Para Daniel Dimas, CEO da Dimas Construções, a marina inaugura uma nova fase de ocupação planejada da orla. “É uma obra que gera valor, atrai investimentos, fortalece o turismo e eleva o padrão de uso do espaço público. Quando projetos desse porte saem do papel, a cidade ganha previsibilidade e cria condições reais para novos investimentos, avalia.

Já o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil da Grande Florianópolis (Sinduscon), Carlos Leite, destacou o simbolismo urbano do momento. Este é um momento histórico para Florianópolis. Finalmente estamos nos reencontrando com o mar, afirmou.

Atualmente, a Beira-Mar Norte é utilizada de forma predominantemente linear, voltada a caminhadas e exercícios físicos. Com o novo projeto, a proposta é ampliar a diversidade de usos e transformar a área em um espaço de uso contínuo, ativo e integrado à cidade.

Organização por setores

O Setor A concentrará as atividades de uso público marítimo, com rampa náutica, trapiche, áreas verdes, arquibancadas, playground, academia ao ar livre e o edifício C, destinado a comércio e serviços de apoio às áreas de lazer.

O Setor B reunirá mais de 50% das áreas de lazer do parque, voltadas à prática esportiva, com quadras recreativas, espaços multiuso e o edifício B de apoio. Nesse setor ficará também a área técnica náutica, com vagas secas que cobrem a Unidade de Recuperação Ambiental (URA) da Casan, mantida dentro do parque.

Já o Setor C será formado por duas praças que envolvem o edifício principal: a Praça da Cidade, que funcionará como acesso principal ao parque, e a Praça do Mar, voltada à baía, com acesso ao quebra-mar flutuante, espaço para pesca artesanal, dois playgrounds e um pet place.

O projeto inclui ainda a reforma do trapiche existente, integração com o transporte náutico, bolsões para ônibus de turismo, áreas de embarque e desembarque, novos pontos de ônibus e adaptação da via marginal para futura implantação do sistema de BRT.

O cronograma prevê dois anos e meio para a entrega da primeira etapa — incluindo aterro, principais equipamentos públicos e paisagismo — e mais um ano e meio para a conclusão da marina, totalizando quatro anos de obras.

Para Mané Ferrari, o projeto não deve ser analisado como solução isolada, mas como uma infraestrutura estruturante. “O Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte não devem ser analisados com o olhar do medo, e sim com o olhar da responsabilidade. Planejar, executar e operar bem é o que faz a diferença entre repetir erros ou construir futuro. O futuro das cidades costeiras passa por entender que o mar não é limite — é oportunidade.”

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