Negócios

SDE abre processo administrativo contra a Coca-Cola

Investigação baseia-se em denúncias de que a companhia estaria pressionando fornecedores a não atender a Ragi Refrigerantes, detentora da marca Dolly

EXAME.com (EXAME.com)

EXAME.com (EXAME.com)

DR

Da Redação

Publicado em 26 de julho de 2012 às 15h07.

A Secretaria de Direito Econômico (SDE), vinculada ao Ministério da Justiça, instaurou processo administrativo contra a Coca-Cola Company, a Spal Indústria Brasileira de Bebidas (engarrafadora dos produtos da Coca-Cola) e contra o ex-funcionário da Spal Luiz Eduardo Capistrano. O objetivo da SDE é apurar se os investigados tentaram prejudicar os concorrentes no mercado de refrigerantes, por meio da criação de cláusulas de exclusividade com revendedores e fornecedores de matérias-primas e insumos. Suspeita-se, também, que as empresas e o ex-funcionário pressionaram seus fornecedores para que interrompessem as vendas para seus concorrentes.

O processo foi aberto a partir de denúncia da Ragi Refrigerantes, proprietária da marca Dolly. A Ragi afirma que a Coca-Cola e a Spal teriam enviado, pela internet, um boato de que o refrigerante Dolly causa doenças e incentivando constantes fiscalizações de órgãos públicos às instalações da Ragi. A Coca-Cola e a Spal também teriam ameaçado interromper as compras de seus fornecedores, se eles não deixassem de vender insumos e matérias-primas para a denunciante.

A SDE não encontrou indícios que sustentassem as denúncias durante a fase preliminar de investigação. Mas, agora, dois fornecedores da Ragi a Videplast e a Lorenpet afirmaram que foram pressionados por Luiz Capistrano a não atender os pedidos da empresa.

A Ragi também apresentou uma fita à SDE com uma conversa gravada entre Capistrano e Laerte Codonho, proprietário da Ragi, em que o ex-funcionário da Spal teria afirmado que há uma estratégia para limitar o abastecimento de matéria-prima para concorrentes menores. Segundo análise da SDE, "se não existem indícios de que a Coca-Cola tenha, diretamente, praticado tais infrações, há fortes indícios de que tenha, indiretamente, pelo menos permitido e estimulado a adoção dessas condutas". As empresas acusadas têm 30 dias para se defender.

Acompanhe tudo sobre:EmpresasEmpresas americanasBebidasEmpresas mexicanasCoca-ColaRefrigerantesSpal

Mais de Negócios

'Os empregos não vão acabar por causa da IA', diz presidente da Dell no Brasil

Boostlab seleciona startups para novo ciclo de investimentos do BTG Pactual

99 lança delivery de compras e amplia disputa com iFood além da comida

Agentes de IA estão sendo treinados para ataques — e empresa bilionária reage