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De vendedor porta a porta a CEO: como ele quer vender R$ 12 bilhões em consórcios ao ano

Com investimento milionário, empresa de Mogi das Cruzes quer consolidar modelo híbrido entre tecnologia, vendas e educação financeira

Marcelo Lucindo, CEO da Evoy: empresa aposta em operação própria e tecnologia para ganhar escala no mercado de consórcios (Evoy/Divulgação)

Marcelo Lucindo, CEO da Evoy: empresa aposta em operação própria e tecnologia para ganhar escala no mercado de consórcios (Evoy/Divulgação)

Publicado em 25 de abril de 2026 às 09h54.

Quando começou a bater de porta em porta vendendo consórcios aos 19 anos, Marcelo Lucindo ainda operava em um mercado que tentava ganhar credibilidade.

“Quando comecei, o consórcio estava se tornando um produto mais aceito, mais consolidado”, diz. Mais de duas décadas depois, ele tenta fazer o movimento inverso: tirar o setor da zona de conforto.

A Evoy, administradora independente criada por Lucindo e autorizada pelo Banco Central em 2021, entra agora em uma nova fase. Com investimento de R$ 28 milhões, a empresa quer ganhar escala, profissionalizar a operação e disputar espaço com gigantes financeiros — com uma meta ambiciosa: atingir R$ 1 bilhão em vendas mensais até 2029 — ou R$ 12 bilhões em um ano.

Como a Evoy quer crescer

Antes de comandar uma operação que movimenta bilhões, Lucindo começou vendendo consórcios de porta em porta em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo. Aos 19 anos, ainda no início dos anos 2000, ele batia na casa de clientes oferecendo um produto que, à época, ainda buscava ganhar confiança no mercado.

Sem experiência empresarial e vindo de uma família humilde, aprendeu na prática como funcionava o negócio, desde a abordagem até o fechamento. Foi nesse contato direto, lidando com objeções e entendendo o comportamento do consumidor, que ele construiu o repertório que mais tarde daria origem à própria empresa.

Agora, com a empresa estrutura, a Evoy projeta fechar 2026 com R$ 3 bilhões em vendas. Até aqui, o crescimento foi puxado principalmente por parceiros e representantes, modelo comum no setor.

Depois, para alcançar a meta proposta para 2029, a empresa quer assumir o controle total da operação.

O principal movimento é a criação de um canal próprio de vendas, instalado em um prédio de mais de 2.400 metros quadrados em Mogi das Cruzes. O espaço funcionará como um laboratório comercial, com capacidade para até 800 colaboradores.

A expectativa é que essa operação gere sozinha até R$ 500 milhões por mês — o equivalente a R$ 6 bilhões por ano até 2027.

“O canal próprio é onde construímos nosso padrão. É onde testamos, aprendemos e evoluímos”, diz o fundador.

A partir daí, a estratégia é escalar o modelo para outros canais — incluindo franquias, parceiros e digital.

Outro pilar dessa nova fase é a profissionalização da gestão. A empresa está montando uma diretoria com executivos vindos do mercado financeiro, em um movimento que deve consumir cerca de R$ 10 milhões nos próximos anos. A ideia é acelerar um processo que, segundo Lucindo, levaria muito mais tempo de forma orgânica.

“Estou trazendo pessoas com experiência em distribuição de produtos financeiros. É um canal difícil de construir, e eles já chegam com esse know-how”, afirma.

Esse reforço vem acompanhado de mudanças estruturais, incluindo a reformulação da sede e a padronização de processos.

Como está o mercado de consórcios

A aposta da Evoy não é por acaso. O setor de consórcios vive um ciclo de crescimento acelerado no Brasil, impulsionado principalmente pelos juros elevados.

Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que o país já ultrapassa a marca de 12 milhões de participantes ativos, com crescimento consistente após a pandemia. O modelo, baseado na compra coletiva e sem cobrança de juros, tem ganhado espaço como alternativa ao crédito tradicional.

Na leitura de Lucindo, esse movimento também passa por uma mudança cultural.

“O brasileiro está começando a perceber que planejamento financeiro é a chave. O consórcio é uma compra coletiva, mais acessível e sustentável”, afirma.

Quais os próximos passos da Evoy

Outro eixo central da estratégia é o investimento em tecnologia, especialmente no uso de inteligência artificial. A empresa desenvolve ferramentas tanto para o cliente quanto para a equipe interna, com foco em melhorar atendimento, conversão e treinamento.

“O consórcio ainda exige muita educação financeira. O cliente não compra sozinho, ele precisa entender o produto”, diz Lucindo.

Essa característica ajuda a explicar por que, mesmo com forte atuação digital, a Evoy aposta em um modelo híbrido, combinando internet, atendimento humano e presença física.

É somando a operação própria, a de parceiros e os canais digitais que a Evoy projeta alcançar R$ 12 bilhões em vendas anuais até 2029, apoiada em uma estratégia multicanal e em investimentos que somam R$ 27,8 milhões no período, sem contar os custos operacionais.

“Eu sempre quis mais velocidade e autonomia. Foi isso que me fez criar a Evoy”, diz o CEO da empresa.

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