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Sabesp corta orçamento e reprograma investimentos

"O objetivo é que as medidas emergenciais não impactem o equilibro econômico da companhia", afirmou o diretor de Finanças e de Relações com Investidores


	Sabesp: segundo diretor de Finanças e de Relações com Investidores, inicialmente, Sabesp já aprovou corte de R$ 700 milhões nas despesas do ano
 (Divulgação)

Sabesp: segundo diretor de Finanças e de Relações com Investidores, inicialmente, Sabesp já aprovou corte de R$ 700 milhões nas despesas do ano (Divulgação)

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Da Redação

Publicado em 31 de março de 2014 às 13h46.

São Paulo - Para minimizar os impactos financeiros negativos da atual crise hídrica, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) decidiu adotar um programa de cortes no orçamento de 2014 e reprogramar o plano de investimentos para este ano, informou nesta segunda-feira, 31, o diretor de Finanças e de Relações com Investidores da concessionária, Rui Affonso.

"O objetivo é que as medidas emergenciais não impactem o equilibro econômico da companhia", afirmou o executivo durante teleconferência com analistas e investidores.

Segundo Affonso, inicialmente, a Sabesp já aprovou um corte de R$ 700 milhões nas despesas do ano. "Não haverá uma queda absoluta do opex na comparação com 2013, mas sim uma redução expressiva na ampliação orçamentária de 2014", explicou.

Para garantir o abastecimento de água na Grande São Paulo, a concessionária adotou uma série de medidas emergenciais desde o início deste ano, como obras para a exploração do volume morto do Cantareira e a interligação dos sistema com a bacia do rio Paraíba do Sul.

Os investimentos dos dois projetos somam R$ 580 milhões e não constam no planejamento divulgado pela Sabesp na última sexta-feira, 28.

"Esse plano foi desenvolvido e aprovado antes da situação da escassez hídrica extrema, portanto, ele não incorpora os investimentos emergenciais", explicou Affonso. "Por isso, os investimentos de 2014 serão reprogramados para que a pressão sobre o caixa seja minimizada", completou.

A readequação do capex para o ano, segundo a Sabesp, visa preservar o abastecimento de água na região. No entanto, a decisão não compromete a meta da companhia de universalizar a coleta e tratamento de esgoto até 2020, garantiu Affonso.

O programa de bônus, outra medida adotada pela concessionária e ampliado nesta segunda-feira para toda a região metropolitana, também afeta o planejamento da companhia para o ano.

"Certamente haverá um impacto sobre as nossas receitas, mas ainda achamos prematura comentar quais serão os impactos financeiros dessa medida", disse o diretor. O benefício de 30% nas tarifas de água e esgoto para os consumidores que reduzirem 20% do seu consumo de água é válido até dezembro.


Projeto

A Sabesp ainda não definiu as fontes de financiamento para o projeto de interligação da represa Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, com o Sistema Cantareira, orçado inicialmente em R$ 500 milhões. "Consideramos que a companhia tem tempo suficiente para adequar seu plano de investimentos, bem como para definir as formas de financiamento", afirmou Affonso.

O prazo estimado para a construção de túneis, barragens e estações elevatórias é de 12 a 14 meses, a partir do início das obras. Affonso explicou que o projeto estava inicialmente previsto no Plano Diretor de Recursos Hídricos da Macrometrópole Paulista para 2020. A antecipação, segundo o executivo, é mais uma medida emergencial adotada pela concessionária para enfrentar a atual crise hídrica.

Em comunicado divulgado ao mercado na sexta-feira, 28, a Sabesp considerou que "a definição das fontes de recursos para o financiamento deste empreendimento depende da identificação de seus múltiplos beneficiários, uma vez que a reversão de água entre as duas represas irá propiciar importantes ganhos em termos de segurança hídrica não apenas ao Sistema Cantareira, mas também aos demais municípios da Bacia do PCJ e à Bacia do Paraíba do Sul, municípios não atendidos pela Sabesp".

Ainda no texto da nota, a Sabesp menciona que o prazo das obras é suficiente para que a companhia acomode "a parcela" de investimentos de sua responsabilidade.

Questionado pela reportagem sobre a possibilidade de uma divisão do montante com as demais cidades beneficiadas com o projeto, Affonso afirmou que "ainda é muito cedo para discutir uma possível partilha do financiamento do projeto".

Segundo ele, o foco atual é discutir o caráter institucional do projeto e, apenas depois, o seu financiamento. No entanto, durante apresentação para comentar os resultados da concessionária, o diretor chegou a afirmar que o investimento total de R$ 500 milhões "será responsabilidade da Sabesp" e que os desembolsos deverão ocorrer entre 2015 e 2016.

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