Petrobras atinge recordes de produção, mas venda no refino cai

A petroleira estatal reportou crescimento dos volumes no pré-sal em 2019, mas perdeu participação no mercado doméstico

São Paulo – A produção de petróleo e gás da Petrobras bateu recordes em 2019, impulsionada principalmente pelo avanço no pré-sal. No refino, porém, a empresa perdeu participação no mercado doméstico para importados e sofreu com a queda do consumo no país.

Em relatório divulgado na noite desta segunda-feira, 10, a companhia reportou produção média de 2,770 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) em 2019, superando a meta traçada para o ano, de 2,7 milhões de boed. Os avanços nas plataformas P-67 e P-69, no campo de Lula, contribuíram para o registro de recordes mensais de produção própria e operada.

“A performance operacional do ano reflete o melhor resultado no segundo semestre, impulsionado pelo ramp-up dos novos sistemas de produção”, disse a Petrobras em relatório.

O crescimento no pré-sal foi o principal impulso para o aumento da produção. Em 2019, o volume de óleo extraído em águas ultraprofundas passou a representar mais da metade da produção total no Brasil: 59% sobre 49% no ano anterior.

Em 2019, a petroleira também registrou aumento da produção de derivados e do fator de utilização do parque de refino em relação ao ano anterior. O maior volume produzido foi destinado à exportação.

Por outro lado, as vendas totais na área de refino, no ano passado, caíram 2,9%, para 1,75 milhão de barris por dia (bpd). Segundo a companhia, a queda ocorreu devido à “maior participação de mercado dos importadores e do etanol hidratado” no Brasil.

A companhia vem enfrentando ao longo dos últimos dois anos uma competição mais acirrada com os importadores. A política de preços da estatal, baseada na paridade internacional, é um dos motivos desse aumento da concorrência.

Exportações

A exportação da Petrobras apresentou um avanço importante em 2019, de 24,2%, para 735 milhões de bpd, acompanhando o aumento da produção.

Contudo, a competição global vem crescendo em um ambiente de excesso de oferta. Membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) vêm tentando promover cortes de produção para equilibrar os preços.

Neste cenário, a Petrobras deve continuar pressionada. “O mercado global encontra-se bem abastecido e aumentos de preços só devem ocorrer com cortes de produção da Opep ou eventos geopolíticos”, diz
Marcelo de Assis, chefe de pesquisa da Wood Mackenzie América Latina na área de upstream.

A indústria do petróleo historicamente enfrenta episódios que impactam as cotações, como o ataque a instalações sauditas em setembro do ano passado, e o atentado no aeroporto de Bagdá, que matou o líder iraniano Qassem Soleimani no início de janeiro.

Brasil

A produção total de petróleo no Brasil, em 2019, foi de 1,018 bilhão de barris, aumento de 7,78% em relação ao ano anterior, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O volume produzido de gás natural, em 2019, alcançou 44,724 bilhões de m³, alta de 9,46% na mesma base de comparação.

No consolidado do ano, a produção na camada pré-sal atingiu 633,980 milhões de barris de petróleo e 25,906 bilhões de m³ de gás, alta de 21,56% e 23,27%, respectivamente, em relação a 2018.

A Petrobras respondeu por 94,1% da produção total de petróleo, em 2019, no país, e 93,2% do gás natural, de acordo com a ANP.

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.