Os surreais resultados da Alibaba, que vendeu US$ 1 trilhão em um ano

Apesar do coronavírus na China, dona do AliExpress divulgou vendas acima do esperado para o primeiro trimestre e o ano fiscal encerrado em março

Há muito pouco da crise do coronavírus na empresa de comércio eletrônico Alibaba. A varejista chinesa divulgou nesta sexta-feira, 22, seus resultados do primeiro trimestre de 2020 e do ano fiscal encerrado em março, e os números fazem inveja a outras empresas mais impactadas pela pandemia.

No ano fiscal encerrado em março, que inclui a operação de 2019, a empresa chegou ao recorde interno de 1 trilhão de dólares em produtos vendidos (o chamado GMV), incluindo as vendas de terceiros no marketplace. Dessas vendas, o faturamento anual foi de 72 bilhões de dólares, alta de 35%.

Entre janeiro e março deste ano, já com maior impacto da crise do coronavírus, o faturamento cresceu 22% na comparação com o mesmo período de 2019, para 16,1 bilhões de dólares.

Mas apesar da alta nas vendas, o lucro líquido da empresa caiu 99% no primeiro trimestre, para 49 milhões de dólares. A Alibaba afirma no balanço que as perdas vieram da queda nos mercados, que levou a empresa a perder dinheiro com investimentos. Descontados estes fatores, a companhia afirma que o lucro foi de 3,5 milhões de dólares, alta de 11%.

O resultado da empresa também foi impactado por interrupções na cadeia logística em meio à paralisação de diversas cidades chinesas.

“Apesar do trimestre desafiador devido à redução das atividades econômicas à luz da pandemia da covid-19 na China, atingimos nosso guidance anual”, escreveu Maggie Wu, diretor financeiro da empresa, no balanço. “Embora a pandemia tenha impactado negativamente a maior parte do nosso negócio comercial a partir do fim de janeiro, temos visto uma recuperação estável desde março.”

Ano de ouro

O ano de 2019 foi nada menos que de crescimento exponencial para a varejista chinesa. Além da alta no faturamento, o lucro líquido, ao contrário do resultado do trimestre, subiu 75%, para 19,8 bilhões de dólares, puxado também por ganhos em investimentos.

Boa fatia dos resultados ainda vem da China, que concentra a maior parte da operação da empresa. Do total de 1 trilhão de dólares em vendas anuais, só cerca de 50 bilhões de dólares são fora do país (ou cerca de 5% das vendas).

A Alibaba tem dado alguns passos rumo a uma maior internacionalização, mas ainda pequenos: a empresa abriu no ano passado sua primeira loja física fora da China, em Madrid, e, no Brasil, fez parceria com a fintech Ebanx para uma exposição temporária de produtos da AliExpress em Curitiba.

Por ora, o mercado interno vem se mostrando suficiente. O varejo chinês está acostumado a números estrondosos: no ano passado, só o Dia do Solteiro, organizado pela Alibaba e conhecido como uma espécie de “Black Friday” chinesa, gerou 38 bilhões de dólares em vendas, um recorde.

Para empresas de e-commerce como a Alibaba, que não tem operação física relevante, a quarentena também intensificou as compras online. Entre janeiro e março, a empresa adicionou 22 milhões de novos usuários únicos mensais só na China. São 960 milhões de usuários ativos anualmente no mundo, 780 milhões deles na China e 180 milhões no exterior.

A Alibaba, assim como outras empresas chinesas, viu a crise do coronavírus chegar mais cedo do que nas companhias ocidentais, como as brasileiras. O primeiro caso de coronavírus na China foi oficialmente divulgado em janeiro, começando na cidade de Wuahn, e, em fevereiro, parte do país já estava em lockdown, bloqueio total de atividades.

A gigante chinesa também fatura com seus serviços de tecnologia em nuvem, em alta com as empresas buscando alternativas de home office. No longo prazo, a companhia deve ser beneficiada pela crise com o avanço da digitalização na já digitalizada China. No país, 40% das vendas já são feitas online — ante cerca de 6% no Brasil, segundo dados da consultoria especializada em negócios digitais eMarketer.

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