Luciana Batista, presidente da Coca-Cola Brasil: “A companhia espera seguir crescendo no Brasil, como vem fazendo nas últimas décadas” (Leandro Fonseca /Exame)
Repórter
Publicado em 20 de agosto de 2026 às 10h51.
Quando surgiu, em 1886, a Coca-Cola vendia uma média de apenas nove copos por dia em uma farmácia de Atlanta, nos Estados Unidos. Cento e quarenta anos depois, a companhia serve cerca de 2,2 bilhões de bebidas diariamente em mais de 200 países e territórios, mas cinco mercados se destacam nesse mapa global.
A multinacional divulga seus resultados financeiros principalmente por regiões e grupos de mercados e não apresenta, em seus balanços, um ranking global consolidado de consumo per capita por país.
Nesse grupo, o Brasil ocupa a 4ª posição, e vem ganhando importância não apenas pelo tamanho da operação.
“Já somos o 4º maior país da companhia no mundo e, nos últimos três anos, estamos sempre entre os top três em crescimento também para a companhia”, afirma Luciana Batista, presidente da Coca-Cola Brasil, em entrevista exclusiva ao De Frente com CEO, da EXAME.
A Coca-Cola chegou ao mercado brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial, 55 anos depois de sua criação.
Os cinco mercados de maior relevância em escala para a companhia são:
Mais do que uma fotografia do tamanho atual da operação, a lista ajuda a mostrar onde estão alguns dos mercados mais estratégicos para uma companhia que precisa encontrar novas avenidas de expansão mesmo depois de mais de um século de história.
E o Brasil ganhou um papel particular nessa equação.
“Essa combinação de relevância e alto crescimento tem sido muito poderosa”, afirma Batista. Segundo a executiva, a operação brasileira está consistentemente entre as três maiores contribuidoras para o crescimento absoluto da Coca-Cola global nos últimos três anos.
Veja a entrevista completa da Luciana Batista, presidente da Coca-Cola Brasil, ao De frente com CEO, da EXAME:
Para sustentar esse ritmo, a Coca-Cola prepara um dos maiores ciclos de investimentos de sua história no país.
O Sistema Coca-Cola pretende investir R$ 30 bilhões no Brasil em cinco anos, até 2030. O dinheiro deverá percorrer praticamente toda a cadeia: fábricas, novas linhas de produção, centros de distribuição, caminhões, equipamentos nos pontos de venda e iniciativas comerciais.
Segundo Batista, o plano inclui tanto a expansão de unidades existentes quanto novas fábricas em algumas regiões do país.
O investimento mostra a dimensão da aposta no mercado brasileiro. Para uma companhia que já opera em escala global, crescer em um país que já ocupa a quarta posição entre seus maiores mercados significa encontrar novas ocasiões de consumo e adaptar um portfólio centenário às mudanças de comportamento.
É aí que entra uma das principais apostas da empresa: os produtos sem açúcar.
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Batista afirma que a transformação dos hábitos de consumo tem levado a companhia a ampliar o portfólio para acompanhar consumidores que procuram menos açúcar, menos calorias e produtos com diferentes funcionalidades.
Um dos principais exemplos é a Coca-Cola Zero.
“A Coca-Cola Zero está tendo taxas de crescimento dignas de startups”, afirma a presidente.
A estratégia vai além do refrigerante. A empresa busca se posicionar como uma companhia completa de bebidas, ampliando sua presença em categorias e ocasiões diferentes — de isotônicos e chás a bebidas alcoólicas prontas para consumo.
Para Batista, o desafio está justamente em fazer uma companhia centenária acompanhar um consumidor que muda cada vez mais rapidamente.
“O que eu vejo que é muito importante é a gente conseguir evoluir junto com o consumidor à medida que o paladar dele evolui, o estilo de vida dele evolui”, afirma.
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Em 2026, outro fator ajudou a movimentar os negócios: a Copa do Mundo.
Patrocinadora histórica da competição, a Coca-Cola ampliou as ativações principalmente nos países participantes e anfitriões. Segundo Batista, a estratégia teve reflexo comercial e ajudou a impulsionar as vendas durante o período do torneio.
“A Copa do Mundo teve uma alavancagem bastante forte de vendas”, afirma Batista.
A executiva cita que, no trimestre que englobou a Copa, a companhia registrou crescimento de 5% em volume, com contribuição relevante das marcas ativadas durante o campeonato. Segundo ela, outra marca ligada ao esporte registrou expansão global próxima de 8% no período.
O futebol continuará sendo uma das plataformas de aproximação com o consumidor. A empresa já prepara ações para a Copa do Mundo Feminina de 2027 e ampliou sua presença no esporte brasileiro por meio de um acordo com a CBF, incluindo os campeonatos brasileiros masculino e feminino.
O peso brasileiro dentro da multinacional não termina nas vendas.
O país também se tornou um celeiro de executivos para posições internacionais da Coca-Cola. Batista atribui parte desse movimento à capacidade dos profissionais brasileiros de trabalhar em ambientes complexos e se adaptar rapidamente.
“Os brasileiros trazem essa adaptabilidade, essa resiliência em diferentes ambientes de negócio, que acabam sendo um superativo para uma companhia global”, afirma.
O próprio tamanho e a sofisticação da operação brasileira ajudaram a formar esses profissionais, diz Batista. O país funciona como um mercado relevante para testar produtos, tecnologias e novas formas de fazer negócios antes de algumas dessas experiências ganharem escala.
Essa combinação ajuda a explicar por que, em um mapa que reúne gigantes como Estados Unidos, México, China e Índia, o Brasil ocupa uma posição privilegiada.
E a ambição é continuar crescendo mesmo a partir dessa base.
“A companhia espera seguir crescendo no Brasil, como vem fazendo nas últimas décadas”, diz Batista.
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