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Apresentado por SEBRAE

Ópera da Serra da Capivara impulsiona economia do sertão do Piauí

Sob a liderança de Sádia Castro, festival fortalece cadeia produtiva e transforma arte em motor de desenvolvimento regional

 (SEBRAE/Divulgação)

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Publicado em 17 de dezembro de 2025 às 15h21.

Última atualização em 19 de dezembro de 2025 às 09h13.

No sertão do Piauí, em meio aos paredões pré-históricos da região, o som de uma ópera ecoa como um contraponto improvável. Desde 2014, o festival Ópera da Serra da Capivara transforma a paisagem de sítios arqueológicos em palco vivo e aquece não só a cultura, mas a economia de cidades como São Raimundo Nonato e Coronel José Dias.

Esse ecossistema é articulado por Sádia Castro, jornalista e antropóloga natural de São Raimundo Nonato, e pelo diretor de arte Felipe Guerra. Ela é doutora em Educação Ambiental e Antropologia e atua como diretora-geral da ópera. Sua atuação combina gestão cultural, mobilização comunitária e estratégias que integram sustentabilidade, arte e inclusão produtiva.

Apoiada pelo Sebrae, a Ópera da Serra da Capivara se consolidou como um dos principais vetores de dinamização econômica do semiárido piauiense. Durante os meses que antecedem o evento, pousadas se esgotam, restaurantes se reorganizam e a produção artesanal acelera. A expectativa de aumento nas vendas, que chega a triplicar em alguns setores, já faz parte do calendário comercial da região.

O evento, realizado anualmente no mês de julho, movimenta também a economia criativa da região e oferece capacitação profissional gratuita à população.

“Hoje a ópera qualifica o destino turístico. Mas o destino também qualifica a ópera”, afirma Castro.

Cultura como política de desenvolvimento

A estrutura econômica que se articula em torno da ópera vai além do turismo de ocasião. Um dos empreendimentos mais consolidados da região, a Cerâmica da Serra da Capivara — criada nos anos 1990 por iniciativa da arqueóloga Níède Guidon —, emprega atualmente 92 pessoas, entre artesãos e colaboradores de hospedagem e alimentação. A produção supera 10 mil peças por mês.

Na oficina no Sítio do Mocó, o ritmo aumenta conforme se aproxima o festival. “A gente sabe que esse período vai vender muito. Não só o restaurante e a pousada, mas também a cerâmica tem que se preparar antes para estocar as peças”, afirma Marcos Ribeiro, gestor da cerâmica.

A movimentação também beneficia pequenos produtores, costureiras e artistas locais. Nos dias que antecedem as apresentações, o centro da cidade recebe shows, intervenções artísticas e a Feira de Negócios, apoiada pelo Sebrae.

“Quando o Sebrae apoia a ópera, ele sabe que por trás vem uma rede de negócios que começa a brilhar”, diz Castro.

Além disso, oficinas gratuitas em áreas como produção cultural, dança, figurino e iluminação são ofertadas à população durante o evento. “A gente começou com o básico. Agora já tem gente da comunidade integrando a equipe técnica da ópera”, relata.

Infraestrutura e redistribuição

A política de redistribuição do festival inclui a gratuidade de 40% dos ingressos, destinados a guias turísticos, moradores e trabalhadores da produção. Também há coleta de alimentos, contratação prioritária de mão de obra local e formação continuada de novos profissionais.

A ópera tornou-se um projeto de referência em economia criativa aplicada ao semiárido. Para Sádia Castro, o festival é mais do que um evento artístico — é uma resposta à realidade da região.

“Eu quero que a ópera seja como a chuva do sertão: que faz florescer tudo, que traz abundância e alegria para o meu povo.”

O terceiro episódio da série Construindo Futuros, produzido em parceria com o Sebrae, acompanha os bastidores dessa construção — uma experiência que articula arte, território e renda no sertão piauiense. Assista:

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