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O que faz a Byju's, edtech que patrocina a Copa e já investiu mais de R$ 100 milhões no Brasil

A empresa de tecnologia para educação chegou ao Brasil em meados de 2021 e já investiu mais de R$ 100 milhões

O craque argentino Lionel Messi: edtech indiana Byju's contratou o jogador como embaixador do seu braço de impacto social (Byju's/Divulgação)

O craque argentino Lionel Messi: edtech indiana Byju's contratou o jogador como embaixador do seu braço de impacto social (Byju's/Divulgação)

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Marcos Bonfim

26 de novembro de 2022, 10h55

A Copa do Catar reúne uma série de patrocinadores e alguns chamam a atenção pela área em que atuam. Um deles é a Byju’s (pronuncia-se Baijus), uma plataforma que usa a tecnologia para ensinar matemática, programação e música para crianças e adolescentes.

A edtech indiana é conhecida como a maior do mundo e tem valor estimado de mercado em US$ 22 bilhões. A edtech chegou ao Brasil em meados de 2021 e já investiu R$ 100 milhões em recursos de marketing e de operação.

Presente em mais de 120 países e com escritórios em 21, a entrada da empresa na Copa foi estruturada como uma forma de ampliar o reconhecimento da marca fora da Índia e alcançar novas audiências.

A expectativa da Fifa é de que o evento seja acompanhado por mais de 5 bilhões de pessoas, logo um excelente holofote para quem procura visibilidade.

Em paralelo, a empresa anunciou no começo do mês o atacante do Paris Saint-German e da Argentina Lionel Messi como primeiro embaixador internacional da Education For All (Educação para Todos, em português), braço de impacto social da Byju’s, para divulgar ações em prol da educação equitativa.

A estratégia acompanha uma jornada de internacionalização da Byju’s, iniciada no começo de 2021 por países como Estados Unidos, Austrália e Reino Unido. Foi nesse processo que entrou na América Latina, a partir de escritórios no Brasil e no México.

Segundo Fernando Prado, CEO da Byju's no Brasil e e ex-CEO da ClickBus, o investimento tem deixado a equipe satisfeita. No país, perceberam um aumento de 260% nas buscas orgânicas pela marca.

“Além disso, temos recebido muitos feedbacks de nossos alunos sobre como estão orgulhosos em ver a plataforma que eles estudam marcando presença em um dos eventos mais importantes do calendário esportivo mundial”.

O que faz a edtech          

A Byju's foi fundada em 2011, em Bangalore, uma cidade no sul da Índia, pelo então professor de matemática Byju Raveendran.

Formado em engenharia mecânica, Raveendran dava aulas para pessoas que pretendiam entrar na Indian Institutes of Management, uma concorrida faculdade de administração, e percebeu as dificuldades com matemática e ciências.

Foi nesse período que entendeu que essas habilidades e competências precisavam ser desenvolvidas desde a infância.

Raveendran considerava esse um desafio ainda mais crítico na Índia, segundo país mais populoso do mundo, o que consequentemente resulta numa maior competitividade no mercado.

Com a esposa Divya Gokulnath, formada em tecnologia, criou a empresa que teve um boom a partir de 2015, quando lançou um app com vídeoaulas e capaz de medir o nível de aprendizado das crianças para o futuro.

A proposta de ensino também procurou incorporar tanto o ponto de vista social e profissional, introduzindo as competências importantes para o novo contexto do mercado de trabalho.

Mais de uma década depois, a Byju's tem como diferencial o ensino de programação e matemática em quatro diferentes currículos, separados por idade. O público-alvo são crianças e adolescentes de 6 a 15 anos.

As aulas são online, individuais e abordam, além da programação e matemática, o pensamento crítico e lógica.

Em comum, todas as aulas contam com projetos práticos para que o aluno saia da teoria e possa aplicar o que foi aprendido, seja no desenvolvimento de aplicativos, sites ou até mesmo jogos.

A fortuna dos dois fundadores hoje é estimada em US$ 3,3 bilhões, segundo a Forbes.

Como é a operação no Brasil

No Brasil, a edtech iniciou a operação apenas com as aulas de programação, como HTML / CSS / Bootstrap, Javascript, React Native e Python, e depois introduziu música.

Em breve, pretende entrar em outros segmentos, mas mantendo o foco no ensino infanto-juvenil.

“Globalmente, o portfólio de cursos da Byju's é bastante extenso e estamos atentos ao mercado brasileiro”, afirma Prado.

A edtech conta hoje com mais 150 milhões de alunos ao redor do mundo. O país representa ainda uma pequena parte, com pouco mais de 20 mil, número que pretende dobrar até o fim de 2023 - a expectativa é semelhante em relação ao faturamento.

Alguns números que fomentam otimismo do executivo é que desde o início em 2021 a operação já atendeu mais aulas pagas do que os “trials”, testes para mostrar como funciona o método na prática. E ainda, o país se tornou o número 1 em engajamento e retenção de alunos.

“A operação brasileira da Byju's está cada vez mais fortalecida e é uma das localidades de atuação mais estratégicas, por representar um alto potencial de crescimento”, afirma Prado.

Outro papel da unidade local é poder ser o ponto de referência para ensinar as crianças de outros países que têm o português como língua materna.

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