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'O que a gente faz não é só entrega': o desafio da startup que leva o e-commerce às favelas

No novo episódio do 'Choque de Gestão', Sérgio Bocayuva, CEO da Usaflex, ajuda a naPorta a escalar com propósito e com gestão

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 08h10.

Última atualização em 20 de janeiro de 2026 às 08h15.

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Na teoria, o propósito é o grande diferencial dos negócios de impacto social. Na prática, ele precisa se traduzir em processos, métricas e resultados para convencer clientes.

No novo episódio do Choque de Gestão, reality show da EXAME com patrocínio de Santander Empresas e Claro Empresas, a naPorta, startup que criou uma solução logística dentro das comunidades do Rio, busca respostas para escalar com estrutura sem perder a essência do negócio.

Os sócios Katrine Scomparin e Leonardo Medeiros deixaram suas carreiras corporativas durante a pandemia para criar uma startup que enfrenta um dos maiores gargalos do e-commerce brasileiro: a exclusão geográfica.

Nas favelas, onde vivem mais de dois milhões de pessoas, a entrega de produtos na porta de casa ainda não acontece. Ruas não mapeadas, insegurança e ausência de CEPs funcionais fazem com que transportadoras tradicionais não fazem essas entregas.

Com uma rede de entregadores locais, rotas próprias e tecnologia desenvolvida internamente, a naPorta passou a operar em dezenas de comunidades no Rio e em São Paulo.

“As grandes marcas sempre quiseram entrar na favela, mas não sabiam como. A gente criou essa ponte”, explica Katrine. Entre os clientes atendidos, estão gigantes como a Shopee.

“O que a gente faz não é só entrega. Tem o fator social, tem segurança, tem capilaridade, tem conhecimento de território”, diz Katrine. “Mas muitas vezes somos vistos como uma transportadora comum. Isso compromete nossa precificação e valor percebido.”

Para ajudar os fundadores a repensar o modelo, o mentor do episódio é Sérgio Bocayuva, CEO da Usaflex, rede com mais de 300 lojas no Brasil e presença em 60 países. Conhecido por seu estilo direto e sua obsessão por gestão, Bocayuva mergulha na operação da naPorta para identificar gargalos e propor soluções.

Bocayuva encontrou um padrão comum em empresas que nasceram com forte propósito: ausência de dados estruturados, metas claras e controle financeiro.

“Vocês têm um diferencial gigante, mas sem gestão, esse diferencial não se sustenta. Impacto sem estrutura não escala”, afirma.

Durante a mentoria, Bocayuva sugere caminhos práticos. Um deles é conquistar uma certificação de impacto social, como forma de traduzir o valor intangível da operação em dados concretos e reconhecidos por grandes marcas.

“Hoje a gente fala de impacto, mas não tem uma chancela técnica validando isso”, reconhece Leonardo.

Outro ponto é rever a estratégia comercial e buscar contratos mais equilibrados, com SLAs claros, cláusulas de responsabilidade e condições que garantam a saúde financeira da empresa. Bocayuva também recomenda uma reorganização interna para que a startup consiga atuar com mais eficiência e previsibilidade.

Mais do que isso, o mentor propõe a entrada de um sócio estratégico com perfil técnico, alguém que conheça profundamente logística e possa ajudar a estruturar a operação para escalar. “Às vezes, o capital humano vale mais do que o financeiro”, diz.

Ao final do episódio, fica claro que o desafio da naPorta é o mesmo de muitas empresas de impacto social: aprender a transformar impacto em resultado, sem abrir mão da missão. A boa notícia é que esse equilíbrio é possível e que com foco, disciplina e clareza, ele pode ser sustentável.

Para a NaPorta, o próximo passo é construir a estrutura que permita levar a favela para o centro da nova economia. Não apenas como território, mas como protagonista.

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