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Nem de vaca nem de aveia: startup brasileira faz o seu primeiro 'leite’ em um tanque de fermentação

A Future Cow chegou recentemente no mercado e recebeu quase R$ 2 milhões em investimentos, somando recursos dos fundos Antler e Big Idea Ventures

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Rosana Goldbeck e Leonardo Vieira, do Future Cow:  vamos produzir para testar a nossa tecnologia em uma planta industrial (Future Cow/Divulgação)

Rosana Goldbeck e Leonardo Vieira, do Future Cow: vamos produzir para testar a nossa tecnologia em uma planta industrial (Future Cow/Divulgação)

A Future Cow produziu o seu primeiro lote de ‘leite’ sem precisar tocar em nenhuma vaca. A startup paulista usa a tecnologia de fermentação de precisão, semelhante às aplicadas no processo produtivo de cervejas e vinhos, para fazer proteínas do leite e do soro de leite. 

Entre as novas gerações de alimentos, a fermentação representa um terceiro movimento de inovação. O primeiro foi o plant-based; seguido por proteínas cultivadas, método que usa as células dos animais para o desenvolvimento dos produtos. 

Na fermentação de precisão, as empresas pegam o DNA dos animais, encontrados em bancos de dados digitais, decodificam e aplicam uma técnica de engenharia genética para carregar as informações em leveduras. 

O método, conhecido como DNA recombinante, permite a geração de proteínas semelhantes às produzidas pelos animais - no caso da Future, das vacas. No mundo, a startup mais avançada com o uso dessa tecnologia é a Perfect Day, uma americana que já levantou US$ 750 milhões desde o início da operação, em 2014. O primeiro produto com fermentação de precisão da empresa entrou no mercado em 2020 e se tornou a grande atração do negócio.   

Como surgiu o negócio da startup

A história da Future Cow é bem mais recente e ganhou corpo há alguns meses na segunda edição do programa de residência da Antler, realizado no início deste ano, em São Paulo.

O empreendedor Leonardo Vieira, e a cientista e engenheira de alimentos formada pela Unicamp, Rosana Goldbeck, se conheceram nos últimos anos. Depois de uma temporada nos Estados Unidos, Vieira tinha acabado de retornar ao Brasil com o desejo de criar uma biotech e encontrou em Goldbeck a parceira para o projeto. 

O programa da gestora caiu como uma luva para tirar o plano do papel. Ao longo de 10 semanas do programa, os formataram o desenho do negócio e, ao final, a Future Cow saiu do programa com um aporte de US$ 150.000 - ou 700.000 reais.

Meses depois, a ideia atraiu um novo investidor, o Big Idea Ventures - conhecido como o fundo que mais ativamente coloca recursos em startups de alimentos e do agro -, com mais US$ 200.000.

A produção deste primeiro protótipo é uma conquista para a startup e a habilita para dar os próximos passos. Hoje, nesta etapa inicial do negócio, o trabalho é feito em tanques de fermentação de 15 litros.

As próximas fases passam por avançar para tanques com capacidade de 200, 2.000  e 5.000 litros. “Nós atingimos o MVP. Agora, vamos produzir para testar a nossa tecnologia em uma planta industrial”, afirma Vieira. 

O que a Future Cow quer fazer com o leite

O objetivo da startup é atuar no mercado B2B, oferecendo a proteína e o soro do leite para indústrias de alimentos, laticínios, entre outras. Com o produto, as empresas podem fazer produtos diversos como bebidas lácteas, chocolates, whey, queijos. 

Segundo o empreendedor, essas conversas já estão em andamento. "Nós estamos mandando para algumas empresas testarem formulações". Entre as vantagens em relação ao produto de origem animal para as indústrias, o empreendedor conta que o “leite” produzido pela startup consegue eliminar uma série de impurezas.  

“Por exemplo, se a vaca tomou um hormônio, teve um pesticida, tem a lactose, no nosso processo de produção, nós conseguimos ter uma proteína pura, sem lactose, sem pesticida, sem hormônio, sem antibiótico".

Além disso, segundo ele, há ganhos de eficiência. A estimativa é que, em um espaço de 100 metros quadrados, a startup consiga fazer o equivalente à produção de 1.400 vacas. Outro benefício pode ser percebido em ESG, sem a necessidade de pastos e com a diminuição dos fluxos logísticos. “Tem toda uma questão de produção associada ao animal, como redução de consumo de água, energia e emissão de CO2”, diz.

Em paralelo aos avanços internos para o neggócio ganhar escala, a startup ainda precisa aprovar o produto na Anvisa, a vigilância sanitária brasileira, antes que possa colocá-lo no mercado. A previsão é de que o processo deve levar, no minímo, 12 meses.

O período servirá para a startup aprimorar a tecnologia e para buscar uma nova captação. A Future já está em conversas com fundos nacionais e internacionais, principalmente aqueles interessadas em novas tecnologias de alimentos.

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