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Se for olhar o número de moradores, pode até parecer que Punta del Este, uma estreita península no sudeste do Uruguai, não tem lá tanta relevância para o país. São 10.000 habitantes (1,3% da quantidade de habitantes de Montevidéu, por exemplo). Mas, na verdade, a cidade é importantíssima para a economia uruguaia. 

A razão disso está em outro dado: o de turismo. No ano passado, mais de 500.000 pessoas visitaram a cidade, considerada o balneário mais luxuoso da América do Sul. Foram cerca de 614 milhões de dólares movimentados, segundo levantamento do Ministério do Turismo do Uruguai. Neste ano, com a pandemia de covid-19 ainda mais controlada, os números certamente serão maiores. Só no primeiro trimestre de 2023 - época das férias de verão -, foram 343.870 visitas (o dobro de 2022). 

E tem muito luxo mesmo em Punta del Este. São praias deslumbrantes, mansões, restaurantes de chefs renomados e hotéis-cassino cinco estrelas. Não à toa, há muitos famosos e milionários andando naquelas calçadas.

Além disso, o país está virando um celeiro de tecnologia, atraindo muitos empreendedores - e jovens bilionários. O Uruguai agora abriga nomes como o cofundador do Mercado Livre, nascido na Argentina, Marcos Galperin, o cofundador do Nubank, David Vélez, e o cofundador e CEO da Globant, Martín Migoya.

Tudo isso ajudou a brasileira PagBrasil, de processamentos de pagamento, a escolher a região para ser a primeira a receber a tecnologia de Pix Internacional que eles desenvolveram.

O produto tinha sido lançado em maio, mas vai ganhar escala agora. Isso porque a empresa firmou uma parceria com outro negócio de processamento de pagamentos, a uruguaia Plexo. Assim, a tecnologia desenvolvida pela PagBrasil estará disponível para os clientes da empresa do Uruguai. Entre elas, o luxuoso Fasano de Punta del Este, que já estará aceitando pagamentos por Pix neste verão. 

“Só entre o Natal e o ano novo, mais de 80.000 brasileiros passam por Punta del Este”, diz Alex Hoffmann, CEO e cofundador da PagBrasil. “Durante esses dias, mais de 50% da cidade é composta por brasileiros. Precisamos ter uma solução para que eles possam fazer pagamentos locais de maneira mais moderna”. 

Como funciona o Pix Internacional da PagBrasil

O método de pagamento Pix Internacional elaborado pela PagBrasil funciona como um pagamento instantâneo através da leitura de um código QR com um telefone celular ou tablet. 

Nessa tecnologia, quando o cliente brasileiro escolher a opção de pagar com Pix, o comerciante insere o valor, o CPF do cliente e a moeda de cobrança (dólar, euro ou peso, por exemplo). 

Automaticamente, o valor é convertido em reais e mostrado para o cliente brasileiro. Aí, já paga em reais mesmo, escaneando o QR Code.

O valor convertido em reais é mostrado para o cliente brasileiro. “Assim como funciona no Brasil, a partir do momento em que o consumidor opta por pagar com Pix, um QR Code é gerado para escaneamento”, afirma Hoffmann. “Ao concluir a transação, aparece um aviso de confirmação do pagamento na tela do dispositivo, onde também é possível gerar um recibo para ser enviado ao cliente por e-mail. Na ponta do comércio, garantimos o valor da fatura em moeda estrangeira informado ao gerar o Pix. Para o cliente final, o valor pago em reais é o final e definitivo”.

Novas oportunidades de pagamento

Quando lançaram o serviço de Pix Internacional, viram, de cara, um desafio a ser superado: cada país tem suas regras, diretrizes e processos de pagamento. No caso do Uruguai, por exemplo, é preciso ter uma licença com o Banco Central do país para processar cobranças.

“Achamos que poderíamos fazer sozinhos em cada um dos países, mas existem muitas especificidades que, sem parceiro local, seria incrivelmente difícil”, diz Hoffmann. 

No caso do Uruguai, o parceiro foi a Plexo. Em parceria com a empresa, inclusive, conseguiram agenda com o Ministério da Economia uruguaio, que vai estudar sobre a possibilidade de uma isenção total do IVA para pagamentos de estrangeiros com o Pix. 

Isso porque, no Uruguai, pagamentos por cartões de crédito ou débito internacionais garantem uma devolução de 9% do preço total em alguns setores, como restaurantes. Essa porcentagem é a taxa do IVA, o imposto de valor agregado do país, que não é cobrado para visitantes estrangeiros nessas modalidades de pagamento, explica Conrado Armand Ugon, CEO da Plexo.

Qual serão os próximos passos

Duas metas estão no roteiro de viagem do Pix Internacional. Uma delas ainda é no Uruguai e com parceria da Plexo. A empresa quer, depois de um período testando com grandes empresas, que o Pix esteja disponível em outros comércios e negócios menores também. 

“A ideia é começar, primeiro, nos principais comércios, pegando de 50 a 100 estabelecimentos, mas, aos poucos, fazer um long tail, de estar na banca de revista, na sorveteria, dominar todos os lugares”, afirma Hoffmann.

A outra estratégia é baseada no fato de que o Uruguai é só o primeiro território que o “avião” do Pix Internacional da PagBrasil quer pousar. 

Além do Uruguai, já estão no radar da empresa:

  • Argentina
  • Chile
  • México 
  • Portugal 

Como, no fim das contas, é preciso ter um brasileiro no processo de compra, o foco é olhar para países onde, proporcionalmente, há alta visitação de turistas do Brasil.

A longo prazo, querem, por que não, que o mecanismo de pagamento seja tão popular lá fora como é aqui no Brasil: segundo dados do Banco Central do Brasil (Bacen), o Pix alcançou 141,6 milhões de usuários (66% da população brasileira) em dezembro de 2022, com cerca de 550 milhões de chaves registradas. Ainda de acordo com o Bacen, o Pix movimenta, em média, mais de R$ 30 bilhões (US$ 6 bilhões) a cada 24 horas.

“O Pix tem muito potencial, não somente como uma forma de transferir dinheiro, mas como uma plataforma para soluções inovadoras”, diz Hoffmann.

A PagBrasil não abre números de faturamento, mas diz que está entre as três maiores empresas que processam pagamentos no país, ao lado de Mercado Pago e Pagar.me, do grupo Stone. Durante a Black Friday, processou 117% pagamentos a mais do que em 2022.

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