Negócios

Natura confirma que vai abrir 10 lojas próprias em 2016

"Neste primeiro ano, a ideia é fixar os conceitos e testar a reação do consumidor, que é o mais difícil" disse o presidente da companhia, Roberto Lima


	Natura: unidades serão localizadas em São Paulo e Rio de Janeiro
 (Divulgação / Natura)

Natura: unidades serão localizadas em São Paulo e Rio de Janeiro (Divulgação / Natura)

Luísa Melo

Luísa Melo

Publicado em 14 de dezembro de 2015 às 10h19.

São Paulo - A Natura vai começar o projeto de abrir lojas físicas já no primeiro semestre de 2016.

A princípio, serão 10 unidades distribuídas entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

"Neste primeiro ano, a ideia é fixar os conceitos, o modelo de lojas e fazer todos os testes necessários, principalmente sobre a reação do consumidor, que é o mais difícil. Depois entramos no processo de escalar", disse o presidente da companhia, Roberto Lima.

Ele falou a jornalistas durante evento da Abevd (Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas), nesta sexta (11), em São Paulo.

Segundo Lima, a abertura das lojas faz parte da estratégia de diversificação de canais da empresa de cosméticos, mas o foco da operação continuará sendo as vendas de porta a porta.

“O que nós buscamos é atender melhor os nossos clientes, dando oportunidades de experimentação dos nossos produtos através de lojas próprias ou de outras redes de varejo, mas sempre despertando neles o interesse de comprar através do nosso canal de venda direta”, afirmou.

Ainda de acordo com o executivo, a reação das revendedoras à novidade, que era uma preocupação, tem sido positiva.

"Elas entendem que precisamos criar mais oportunidades para que os consumidores tenham contato com os nossos produtos, porque é isso que gera demanda”, disse.

“E o cliente pode experimentar numa loja e depois ter a conveniência de comprar sem sair de casa, recebendo da consultora ou fazendo a compra com ela por telefone ou pela internet", completou.

Conforme analisa o executivo, as novas lojas não devem ajudar a reverter a queda de vendas que a empresa vem acumulando em 2015.

"As lojas não vão, no começo, produzir vendas suficientes para criar impacto nos resultados. O nosso maior esforço é fazer com que o nosso canal (de vendas diretas), que hoje é compartilhado com outras empresas, possa ter a preferência da Natura", afirmou.

Não se esgota

Roberto Lima acredita que as novas tecnologias e a conectividade não vão suprimir as vendas diretas, pelo contrário.

“Ela sempre terá um papel muito importante na nossa economia. Acho que as pessoas hoje são cada vez mais estimuladas a comprar não porque viram uma propaganda na televisão, mas porque receberam a recomendação de alguém que elas confiam. E esse é o fundamento da venda direta”, afirmou.

Preços

Em momentos econômicos desafiadores, como o atual, é comum que as empresas façam promoções para tentar desovar os estoques. No caso da Natura, o que foi observado em 2015 foi um aumento dos preços.

Segundo Lima, esse cenário não deve mudar em 2016 por conta da inflação, do aumento da carga tributária e da desvalorização do real – parte dos insumos usados pela empresa são importados ou cotados em dólar.

“A carga tributária nos pegou e, em um mercado em que deveríamos estar preocupados em reduzir preços, estamos sendo obrigados a corrigi-los por conta desses impactos”, disse.

A possibilidade da estratégia de abrir lojas físicas já havia sido apurada e divulgada por EXAME em novembro. 

Texto atualizado às 13h47. 

Acompanhe tudo sobre:EmpresasEmpresas abertasEmpresas brasileirasEstratégiagestao-de-negociosIndústriaindustria-de-cosmeticosNaturaVendasvendas-diretas

Mais de Negócios

Morre Paulo Fernando Fleury, um dos ícones da logística empresarial no país

Franquia de sucesso: como a Domino’s transformou um empréstimo de US$ 900 em um negócio bilionário

Sob nova gestão, iFood prepara investimentos em startups e mira verticais de mercado e de benefícios

Colaboração entre Dell e Microsoft facilita a vida de empresas na gestão do ambiente multicloud

Mais na Exame