IRB pode comprar carteiras de rivais no Brasil e no exterior, dizem fontes

Com a crise econômica deflagrada pela covid-19, algumas resseguradoras globais têm mostrado interesse em sair total ou parcialmente da América Latina

O IRB Brasil está em negociações avançadas para comprar carteiras de resseguros no Brasil e na América Latina, à medida que rivais estrangeiras reduzem operações na região, disseram à Reuters duas fontes próximas à empresa.

Com a crise econômica deflagrada pela Covid-19, algumas resseguradoras globais têm mostrado interesse em sair total ou parcialmente da América Latina para se concentrar nas regiões de suas matrizes, Estados Unidos e Europa, abrindo espaço para consolidação, disseram as fontes, sem revelar nomes das empresas.

“A crise está acelerando movimentos no setor”, disse uma das fontes. “E o IRB está negociando a compra de carteiras e fazendo alianças com mais seguradoras”, acrescentou a outra fonte, ambas pedindo anonimato, porque o assunto não é público.

Embora haja cerca de uma centena de resseguradoras autorizadas a operarem no Brasil, esse mercado é bastante concentrado no país, com o IRB detendo cerca de 40%. Junto com Munich, Swiss Re e Chubb, o grupo tem mais da metade do mercado. O restante é distribuído entre marcas domésticas e internacionais, incluindo grupos de renome, como AIG e Allianz.

Desde o ano passado, operações entre seguradoras têm sido intensa no país, incluindo a venda das carteiras de automóveis e ramos elementares da SulAmérica para a Allianz e a renovação parcial da parceria da francesa CNP Assurances com a Caixa Seguros.

O movimento ocorre enquanto a maior resseguradora do país tenta se recuperar de uma sucessão de problemas que estilhaçaram sua reputação e, junto com a crise, fizeram as ações desabarem cerca de 80% no acumulado do ano até agora.

Questionamentos da gestora de recursos Squadra sobre práticas contábeis do IRB e alegações de que a administração induziu investidores erroneamente a acreditarem que a Berkshire Hathaway tinha comprado ações da empresa precipitaram a saída dos principais executivos e uma ampla reformulação no conselho de administração da companhia neste ano.

A despeito desse quadro, o IRB preservou a posição de caixa de cerca de 4 bilhões de reais que tinha no final de 2019, incluindo ativos líquidos, o que segundo as fontes pode ser uma oportunidade para a empresa dar uma mostra de força.

Na semana passada, o próprio IBR informou que era alvo de fiscalização da reguladora Susep por apresentar insuficiência na composição dos ativos garantidores de provisões técnicas e, consequentemente, de liquidez regulatória.

Se o IRB não conseguir convencer a Susep de que suas provisões estão adequadas, pode ser obrigado a vender ativos, como imóveis, para recompor suas reservas.

Segundo uma segunda fonte, a decisão de tomar a dianteira e revelar que é alvo de investigação da Susep é parte da estratégia de se antecipar para mostrar aumento da transparência e recuperar a confiança do mercado.

Esse movimento deve ter novos capítulos nas próximas semanas, antes da divulgação do resultado do primeiro trimestre, previsto para 18 de junho, com a empresa dando um detalhamento maior sobre aspectos que possam sensibilizar a percepção dos investidores, como a das provisões técnicas, disseram as fontes.

Consultado pela Reuters, o IRB afirmou em nota que “avalia permanentemente oportunidades de possíveis operações, no Brasil e no exterior, que estejam alinhadas à sua estratégia de negócios”.

Sobre os planos de revelar detalhes sobre questões relativas a reservas técnicas e outras questões do balanço, a resseguradora afirmou que “comunicará oportunamente quaisquer fatos ou decisões relativas à companhia que sejam de interesse dos seus acionistas, clientes e do mercado”.

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