Negócios

Incorporadoras vendem e lançam menos no trimestre

Incertezas econômicas, estoques elevados e o desaquecimento da demanda frearam os negócios


	Obra de incorporadora: os empreendimentos imobiliários lançados entre julho e setembro totalizaram R$ 2,5 bilhões, 23% menos do que nos mesmos meses de 2013
 (Germano Lüders/EXAME.com)

Obra de incorporadora: os empreendimentos imobiliários lançados entre julho e setembro totalizaram R$ 2,5 bilhões, 23% menos do que nos mesmos meses de 2013 (Germano Lüders/EXAME.com)

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Da Redação

Publicado em 27 de outubro de 2014 às 08h01.

São Paulo - Incertezas econômicas, estoques elevados e o desaquecimento da demanda frearam os negócios das incorporadoras de capital aberto no último trimestre, provocando redução da venda de imóveis e dos lançamentos de novos projetos.

Os empreendimentos imobiliários lançados entre julho e setembro totalizaram R$ 2,5 bilhões em valor geral de vendas (VGV) - 23% menos do que nos mesmos meses do ano passado. Já as vendas contratadas atingiram R$ 3,3 bilhões, uma redução de 10% no trimestre.

O levantamento foi feito pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, a partir do relatório operacional divulgado por oito das maiores companhias do País listadas na Bolsa (Cyrela, Gafisa, MRV, Direcional, EZTEC, Even, Helbor e Rodobens).

Os números de vendas ainda são parciais e devem ser revistos para baixo, pois algumas empresas anunciaram apenas o volume bruto de vendas, sem considerar a quantidade de distratos. Esses detalhes serão conhecidos só no próximo mês, com a divulgação dos balanços completos.

Segundo o diretor financeiro da EZTEC, Emílio Fugazza, o ano tem sido muito desafiador para o mercado imobiliário. Além dos feriados da Copa do Mundo terem esvaziado os estandes de vendas em junho e julho, o quadro eleitoral também interferiu no resultado. "Nessa situação, é difícil ter clareza para investir."

O arrefecimento do setor também pode ser explicado por problemas operacionais das próprias incorporadoras, que estão trabalhando com estoques altos, diz o analista de construção do banco JP Morgan, Marcelo Motta. "As empresas tiraram o pé do acelerador e adiaram novos projetos para não criar mais estoques", disse.

Motta lembrou que a prioridade das companhias é vender unidades já lançadas e controlar rescisões de vendas. Desde o ano passado, o distrato se tornou um problema de grandes proporções, reflexo do grande volume de obras em fase final.

Estoque

Os cancelamentos ocorrem no momento da conclusão das obras, quando o cliente que adquiriu a unidade na planta é repassado pela incorporadora para o banco, onde assumirá financiamento para quitar o saldo devedor. O problema é que muitos clientes não têm o crédito aprovado e são obrigados a abrir mão do imóvel, que retorna ao estoque.

Há também os casos de clientes que compraram o imóvel esperando valorização na revenda, mas têm optado por devolvê-lo espontaneamente. Como o preço já não sobe tanto, o negócio deixa de ser atrativo.

No terceiro trimestre, a Gafisa foi a única das oito empresas a informar o número de distratos. No caso da empresa, as rescisões atingiram 43,6% das vendas brutas entre julho e setembro. Na Tenda, subsidiária da companhia, o patamar foi ainda mais alto: 80,2%.

"A Tenda continua a finalizar e entregar seus projetos antigos, mantendo a política de cancelamento de vendas a clientes não elegíveis (ao financiamento bancário)", justificou a companhia, em relatório. Com a rescisão forçada, a Gafisa busca acelerar a revenda para compradores com condições financeiras melhores.

Outro ponto que contribuiu para a retração do mercado imobiliário foi o enfraquecimento da demanda. De acordo com Belmiro Quintaes, diretor de atendimento da imobiliária Lopes, os compradores têm levado mais tempo para fechar negócio, à procura de preços atrativos e ofertas especiais. "O cliente tem mais opções e está mais seletivo, então demora mais para definir a compra", disse.

Quintaes acredita que, com o fim do período eleitoral, pode haver melhora nas vendas e lançamentos. Ele pondera, no entanto, que a estabilização dos estoques levará muito tempo para acontecer, pois depende do aumento na velocidade de vendas, que, por sua vez, está associada à recuperação da economia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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