Guardian decide banir publicidade de empresas de petróleo e gás

Grupo que edita jornal britânico de mesmo nome e o The Observer pretende neutralizar emissões de carbono até 2030

Londres — O grupo Guardian, que edita os jornais The Guardian e The Observer, não aceitará mais publicidade de empresas de petróleo e gás, tornando-se a primeira grande organização de notícias do mundo a instituir uma proibição total de receber dinheiro de empresas que extraem combustíveis fósseis.

Anunciada esta semana, a medida, que segue os esforços para reduzir as emissões de carbono da empresa e aumentar as reportagens sobre a crise climática, já está valendo.

De acordo com matéria publicada no site do The Guardian, a proibição será aplicada a qualquer empresa envolvida principalmente na extração de combustíveis fósseis, incluindo muitos dos maiores poluidores do mundo, informa o The Guardian.

“Nossa decisão é baseada nos esforços de muitas décadas desse setor para impedir ações climáticas significativas por governos em todo o mundo”, disseram a executiva-chefe interina da empresa, Anna Bateson, e a diretora financeira, Hamish Nicklin, em um comunicado conjunto.

As executivas afirmarm que a resposta ao aquecimento global foi o “maior desafio de nossos tempos” e destacaram as reportagens do The Guardian sobre como o lobby de empresas de energia prejudicou explicitamente a causa ambiental.

A empresa enfatizou seu compromisso de neutralizar suas emissões de carbono até 2030, ao mesmo tempo que deixou de financiar quase inteiramente seu fundo de doação Scott Trust, de investimentos em combustíveis fósseis.

A decisão de recusar dinheiro publicitário das empresas de combustíveis fósseis chega em um momento difícil para a indústria da mídia, com o conselho do Guardian Media Group avisando que a empresa está enfrentando ”ventos contrários este ano”.

A publicidade representa 40% da receita da GMG, o que significa que continua sendo uma maneira essencial de financiar o material produzido pelos jornalistas do The Guardian e do The Observer em todo o mundo.

Diante disso, Anna e Hamish admitiram que a proibição desse tipo de material publicitário resultaria em um golpe financeiro.

“O modelo de financiamento para o Guardian – como a maioria das empresas de mídia de alta qualidade – continuará sendo precário nos próximos anos. É verdade que a rejeição de alguns anúncios pode tornar nossas vidas um pouco mais difíceis no curto prazo. No entanto, acreditamos que a construção de uma organização mais objetiva e a manutenção financeira sustentável precisam andar de mãos dadas”, acrescentaram.

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