Fundos vão definir futuro de OGX e HRT

As duas companhias estão passando ao controle majoritário de fundos estrangeiros

Rio de Janeiro - Nos últimos dias de 2013, OGX e HRT voltaram a ter uma rota em comum. As duas companhias - que neste ano saíram da posição de grande promessa à de maiores frustrações do setor de petróleo brasileiro - estão passando ao controle majoritário de fundos estrangeiros.

São investidores geralmente movidos por metas de curto e médio prazos, em contraste ao longo período de maturação necessário para os projetos em petróleo.

Eles terão papel decisivo no destino das empresas. Nas duas, a venda parcial de ativos foi apresentada nos últimos dias como solução para problemas. É o caso do campo de Polvo, já em negociação pela HRT, ou do campo de Tubarão Martelo, opção de venda para a OGX.

Também já não se descarta no mercado a possibilidade de que, depois de reestruturadas, as petroleiras sejam vendidas e liquidadas. “Ambas caminham para a venda, essa hipótese existe”, disse o analista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

Mas o analista ressalva que o processo de reestruturação deve levar pelo menos dois anos e depender de muitos fatores, como comportamento do mercado e sorte na exploração de petróleo. “O fato é que os investidores precisarão recuperar valor e, de alguma forma, realizar pelo menos parte do dinheiro investido”, disse.

A última quinzena foi de reviravolta para as duas empresas. A OGX, em processo de recuperação judicial, fechou um acordo com seus principais credores que, se concretizado, passarão a controlar 90% da nova empresa, batizada de Óleo e Gás Participações.

São basicamente fundos estrangeiros que trocarão seus títulos de dívida por ações da empresa. Pelo acerto, os atuais acionistas ficam com os 10% restantes, sendo 5% para o fundador Eike Batista, que até o início do ano ainda comandava a empresa.

Estratégia

Na última quinta-feira, 26, a OGX informou que vai procurar seguir uma estratégia de venda parcial de participação (farm-out) para cumprir os investimentos de longo prazo de seu campo de Tubarão Martelo.


Também no bloco BS-4, na Bacia de Santos, no qual detém 40% em parceria com Queiroz Galvão (30%, operadora) e Barra Energia (30%), a OGX disse que continuará a procurar financiamento de terceiros e opções de farm-out.

Internamente, a OGX calcula que sua participação no BS-4 valha US$ 1 bilhão. É nestes dois ativos que recaem as principais promessas da empresa.

Os novos controladores, caso seja aprovado o plano anunciado na noite de Natal, precisarão decidir como administrar a empresa, onde investir os até R$ 215 milhões de aportes, quais projetos serão vendidos e quais serão aposta.

A decisão por um farm-out em blocos da OGX só deve ocorrer após o fim da recuperação judicial, acredita Eduardo Munhoz, do escritório Mattos Filho, um dos envolvidos na reestruturação da EBX.

Se concretizada a injeção de US$ 200 milhões pelos atuais credores e futuros donos da petroleira, ela poderá cumprir os compromissos de aportes no BS-4 e em Tubarão Martelo até o fim de 2014. Com isso, ganha tempo para estudar a venda de ativos ou mesmo um aumento de capital, uma alternativa para manter seu portfólio.

Já a HRT anunciou pelo menos três grandes aquisições acionárias neste mês, a maior delas do fundo Discovery, que já detém quase 18% da companhia. Fontes do conselho disseram que cerca de 60% da empresa já estão nas mãos de investidores estrangeiros. O número não é público.

Briga

A HRT é menor do que a OGX, mas tida hoje como menos problemática, já que não tem dívidas, ao contrário da petroleira do grupo X, e ainda conta com mais de R$ 200 milhões em caixa.

O problema mais recente da empresa é uma espinhosa briga interna entre membros do conselho de administração, com troca de acusações de ilegalidades.

O mercado assistiu no último dia 20 à renúncia da maior parte dos conselheiros. Seis pediram para sair, em desacordo com administração do grupo alinhado com o fundador e ex-presidente da companhia, Márcio Mello. Administradores ligados a Mello negociam a possibilidade de venda de uma fatia de 30% do campo de Polvo, na Bacia de Campos, para a norueguesa BW, que já é dona de uma plataforma de produção no local.

Vendas de ativos da HRT nos Solimões (Amazônia) e na Namíbia também não estão descartadas. “Depois de 14 poços perfurados sem sucesso a empresa ficou sob uma pressão imensa”, disse François Moreau, um dos conselheiros que pediu demissão.

Também para ele a possibilidade de venda de ativos deve ser estudada. “O fato é que hoje, sob nova gestão, a empresa está muito melhor do que seis meses atrás”, disse. 

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