Mario Anseloni, Robertta Mota, Cassio Spina, João Redondo, sócios do Anjos da Terra: aposta em modelos de negócios que ajudam a salvar o planeta — e dão lucro (Ourvibes Studio/Getty Images)
Editor de Negócios e Carreira
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 11h16.
Última atualização em 23 de janeiro de 2026 às 11h31.
A gestora Alya Ventures anunciou o lançamento do fundo Anjos da Terra, voltado para investimentos em startups com foco em impacto ambiental.
O fundo pretende investir em até 20 empresas que desenvolvem tecnologias voltadas para reduzir emissões, preservar recursos naturais ou tornar processos produtivos menos poluentes.
A ideia é encontrar negócios com soluções aplicáveis em setores como energia, agro, biodiversidade, clima, gestão de resíduos, água, economia circular e também iniciativas ligadas à chamada “blue economy”, que envolve o uso sustentável de recursos marinhos.
O fundo está em processo de captação com o objetivo de levantar R$ 200 milhões. As conversas envolvem family offices, gestoras de ativos e bancos interessados em diversificar sua atuação com foco em inovação e sustentabilidade.
Os investimentos serão direcionados a startups e scaleups que já estejam em fase de tração ou crescimento, com modelos validados e tecnologia própria ou serviços digitais que apresentem resultados mensuráveis em redução de impactos ambientais.
O primeiro aporte já foi feito. A escolhida foi a Antora Energy, startup dos Estados Unidos que desenvolve baterias térmicas de carbono para armazenamento de energia em larga escala.
O objetivo é atender grandes consumidores industriais com uma solução de baixo custo para reduzir a dependência de fontes intermitentes, como a solar e a eólica.
Essa tecnologia é vista como uma alternativa para evitar o desperdício de energia gerada, conhecido no setor como curtailment.
A Antora já atraiu investimentos de fundos como BlackRock, Temasek, BHP e do fundo de Bill Gates, e foi listada pela revista Time entre as inovações mais relevantes de 2024.
O fundo é liderado por quatro sócios. Mário Anseloni, ex-presidente de empresas como HP, EDS e Itautec, e hoje à frente da TQI; Cassio Spina, fundador da rede de investidores Anjos do Brasil; Robertta Mota, que já foi gestora regional dos fundos Criatec I e II, ligados ao BNDES; e João Redondo, com atuação na área de sustentabilidade e clima.
O grupo reúne experiência em venture capital, fusões e aquisições, estruturação de fundos e também em gestão empresarial.

Segundo Cassio Spina, o fundo foi estruturado para atender a uma demanda crescente por iniciativas que combinem retorno financeiro com impacto ambiental.
“Em um momento em que o planeta exige respostas concretas, o Anjos da Terra propõe uma abordagem pragmática: unir capital, inovação e propósito para gerar resultados reais – tanto para o planeta quanto para os investidores”, afirma.
A estrutura do fundo também conta com um grupo de conselheiros estratégicos.
Entre os nomes que vão apoiar a análise e orientação das startups estão Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura; Sylvia Coutinho, ex-presidente do UBS Brasil; Roberto Giannetti da Fonseca, ex-presidente da Cotia Trading; e Teresa Vernaglia, ex-CEO da BRK Ambiental.
De acordo com os idealizadores, o fundo foi concebido para atuar com foco em negócios que consigam escalar e oferecer soluções de mercado para problemas ambientais concretos.
A expectativa é investir em startups que tenham potencial de replicação em diferentes cadeias produtivas e mercados, com tecnologia validada e aplicável.
“Nosso objetivo é transformar o potencial de inovação ambiental em valor econômico, com uma abordagem estruturada, escalável e globalmente relevante”, diz Robertta Mota.
João Redondo, também sócio da iniciativa, afirma que o fundo pretende ampliar o acesso ao capital para empreendedores com propostas voltadas à transição ambiental.[
“Em tempos de desequilíbrio ambiental e urgência climática, o Brasil tem papel central e estratégico. O Anjos da Terra foi concebido para catalisar esse potencial, conectando investidores visionários a empreendedores que estão redesenhando o futuro do planeta”, afirma.
A Alya Ventures é uma gestora registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ela surgiu da união das empresas Altivia Ventures, i-Ventures e FCJ Group, que já atuavam de forma independente com foco em corporate venture capital e operações com startups.
Somadas, essas empresas acumulam mais de 30 anos de atuação e já participaram de mais de 50 rodadas de investimento em negócios inovadores.
A gestora trabalha junto a corporações, investidores institucionais e empresas familiares para estruturar e operar veículos de investimento ligados a tecnologia, impacto ambiental e inovação.