Cecilio Cosac Fraguas, da Jabuti: “O mercado não precisa de mais chatbots. Precisa de agentes que resolvam as demandas até o fim" (Divulgação/Divulgação)
Editor de Negócios e Carreira
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 09h10.
Última atualização em 26 de janeiro de 2026 às 13h48.
A Jabuti AGI, startup brasileira que desenvolve agentes de inteligência artificial para atendimento e automação de processos, recebeu um aporte de R$ 2,1 milhões da gestora DOMO.VC.
O investimento é o primeiro do tipo feito pela gestora em uma empresa cuja atuação é totalmente baseada em inteligência artificial. A startup projeta faturar R$ 25 milhões em 2026.
Fundada em 2023 por Cecilio Cosac Fraguas, ex-executivo do Itaú e Banco Real, a Jabuti cria agentes de IA voltados para setores regulados e de grande porte, como bancos, seguradoras e operadoras de telecomunicações.
A empresa fornece tecnologia que substitui fluxos tradicionais de atendimento ao cliente por interações automatizadas que conseguem executar tarefas — como simular financiamentos ou renegociar dívidas — de forma integrada aos sistemas das empresas.
Um dos exemplos em produção é o uso da tecnologia no Banco BV, onde os agentes da Jabuti realizam processos de onboarding de financiamento e refinanciamento de veículos dentro do WhatsApp.
Os agentes são capazes de receber mensagens de texto ou áudio, simular parcelas, validar identidade e efetivar mudanças nos contratos do cliente sem necessidade de um atendente humano. Segundo a empresa, a solução reduziu em 73% o número de chamadas repetidas ao atendimento no pós-venda.
Hoje, a Jabuti realiza mais de 180 mil atendimentos por dia com clientes finais. A plataforma já é usada também em operações de cobrança, vendas de seguros, ativação de cartões e suporte em saúde.
Diferente de outras soluções de IA que se limitam a chatbots genéricos, a Jabuti se apresenta como um orquestrador de modelos. A empresa integra diferentes modelos de inteligência artificial, cada um com função específica — como análise de voz, estratégia de conversa ou interpretação de imagens — dentro de uma camada única de segurança, compliance e controle operacional.
Segundo o fundador, a principal barreira para adoção de IA em grandes empresas não é a tecnologia em si, mas a adequação às exigências técnicas, legais e operacionais desses setores.
“O que falta não é a IA conversar bem, mas a estrutura para operar com segurança. Os clientes compram isso: segurança, integração com sistemas internos e controle do que a IA diz ou faz”, afirma Cecilio.
A arquitetura da plataforma segue padrões técnicos semelhantes aos de um banco digital, com criptografia, autenticação mútua (mTLS) e adequação à LGPD. Esse modelo permitiu à Jabuti entrar em empresas com alto nível de exigência regulatória.
De acordo com Marcello Gonçalves, sócio da DOMO.VC, a escolha por investir na Jabuti foi baseada principalmente na maturidade do produto.
“Não é só um agente de IA. É uma estrutura que se conecta com sistemas legados e permite escalar o uso da tecnologia em empresas com milhares de atendimentos por dia”, afirma.
O primeiro contato entre a gestora e a Jabuti aconteceu enquanto a startup ainda operava com recursos próprios, sem capital externo. O fundador usava economias pessoais para manter a operação. A empresa cresceu sete vezes em receita ao longo de 2025 e chegou ao final do ano com uma base ativa de 8 milhões de clientes atendidos através de seus agentes.
O investimento será usado principalmente para reduzir os custos de operação da tecnologia. Hoje, a Jabuti roda seus modelos de IA em plataformas como a Anthropic, por meio da infraestrutura da AWS (Amazon Web Services). Esse modelo cobra por tokens, ou seja, por volume de dados processados. Em grande escala, os custos se tornam próximos dos de um atendimento humano.
Para resolver esse ponto, a Jabuti passou a trabalhar com a AWS em um projeto para rodar seus próprios modelos de IA, baseados em código aberto, dentro de uma infraestrutura otimizada com chips de alto desempenho (como as GPUs Inferentia da Amazon).
A parceria teve início após um teste de carga da Jabuti atingir um volume que chamou a atenção dos engenheiros da AWS, sendo comparado ao tráfego de dados de uma final do Super Bowl.
A meta da empresa é rodar esses modelos internamente, reduzindo a dependência de fornecedores externos e tornando o uso da IA financeiramente viável em larga escala.
O roadmap de produto da Jabuti também inclui o desenvolvimento de funcionalidades em voz e vídeo. Hoje, os agentes operam principalmente em mensagens assíncronas, como WhatsApp.
A empresa planeja permitir chamadas telefônicas automatizadas, integração com URAs (Unidades de Resposta Audível) e avatares digitais para reuniões por vídeo. A ideia é que o agente se torne multicanal, com atendimento em tempo real.
A plataforma da Jabuti também oferece um painel de gestão para os clientes. Com ele, é possível monitorar a performance dos agentes, analisar o tom das conversas e corrigir falhas em tempo real, sem depender de retrabalho humano.
A entrada no portfólio da DOMO.VC levou Marcello a integrar o conselho consultivo da startup, ao lado de nomes como Fernando Teles, Tiago Saura e João Bezerra Leite.
A DOMO já investiu em outras empresas que atuam em mercados regulados, como Meu Tudo e Turbi.
Segundo Cecilio, o objetivo da Jabuti é consolidar sua posição como infraestrutura para empresas que precisam executar operações em escala com IA.
“O mercado não precisa de mais chatbots. Precisa de agentes que resolvam as demandas até o fim, com segurança e sem intervenção humana”, diz.