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A executiva que tornou mais tecnológico um dos camarotes mais disputados da Sapucaí

À frente do Alma Rio, Alessandra Pirotelli apostou em tecnologia para ampliar controle de dados e eficiência em um espaço com ingressos que chegam a R$ 7 mil por noite

Alessandra Pirotelli, CEO do camarote Alma Rio: uso de dados para melhorar a estimativa de público por noite e diminuir desperdícios operacionais  (CONSTRUINDO FUTUROS/Divulgação)

Alessandra Pirotelli, CEO do camarote Alma Rio: uso de dados para melhorar a estimativa de público por noite e diminuir desperdícios operacionais (CONSTRUINDO FUTUROS/Divulgação)

EXAME Solutions
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Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 13h54.

A engenheira Alessandra Pirotelli decidiu aplicar lógica de dados e controle operacional a um dos ambientes mais informais do entretenimento brasileiro: o Carnaval do Rio. Como CEO do Camarote Alma Rio, lançado em 2025, ela lidera uma estratégia que transforma a gestão de convidados e ingressos em ativo central do negócio. 

O Alma Rio, que neste fim de semana recebe o desfila das campeãs, opera na faixa mais alta de preços da Marquês de Sapucaí, com ingressos entre R$ 4.500 e R$ 7 mil por dia. Com 3.000 metros quadrados, o espaço reúne áreas de frisa, clube e diferentes ambientes internos, em modelo all inclusive, com vista frontal para a avenida e operação de gastronomia com assinatura. O posicionamento busca disputar o segmento mais exclusivo da Sapucaí, onde a experiência é parte relevante da proposta de valor. 

Nesse contexto, a empresa decidiu estruturar a operação com foco em previsibilidade. O camarote funciona abaixo da capacidade máxima por opção estratégica, movimento que limita receita potencial no curto prazo, mas sustenta a promessa de conforto e circulação menos congestionada — um diferencial relevante em um evento de grande porte. 

Inteligência de dados na Sapucaí 

O principal investimento deste ano foi de R$ 200 mil no desenvolvimento do Eventuaa, sistema próprio de tecnologia da informação criado ao longo de oito meses. A plataforma funciona como uma etapa anterior à emissão de ingressos pela tiqueteira oficial, a Ticketmaster. Antes da liberação definitiva do bilhete, todos os convites passam por confirmação interna. 

Segundo a empresa, o modelo reduz ingressos não utilizados, melhora a estimativa de público por noite e diminui desperdícios operacionais. Em um ambiente com custos elevados de segurança, alimentos, bebidas e atrações, a margem depende diretamente da precisão na projeção de fluxo. A ferramenta também permite que patrocinadores administrem seus lotes dentro da plataforma, com substituição de nomes e acompanhamento de confirmações em tempo real. 

A aposta em tecnologia ocorre em um setor que historicamente operou com controles menos estruturados. Ao criar uma camada própria de gestão antes da emissão oficial dos ingressos, o Alma Rio tenta reduzir informalidade e ampliar governança sobre dados e acesso. 

A trajetória de Pirotelli ajuda a explicar essa estratégia. Nos anos 1990, ela integrou a equipe responsável pelo Alternex, primeiro provedor de internet voltado à sociedade civil no Brasil, criado no IBASE, fundado por Herbert de Souza, o Betinho. 

Em 1998, desenvolveu os primeiros sites oficiais da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) e da Beija-Flor de Nilópolis, além de coordenar uma das primeiras transmissões ao vivo pela internet a partir de uma quadra de escola de samba. 

Hoje, ao comandar um dos camarotes de maior ticket da Sapucaí, a executiva leva para o Carnaval práticas mais próximas das empresas de tecnologia. Em um mercado bilionário e competitivo, a disputa deixa de se restringir ao espetáculo e passa a envolver controle de dados, eficiência operacional e gestão de marca. 

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