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Líbano ultrapassa 800 mortos em ofensiva israelense; crianças estão entre as vítimas

Ministério da Saúde local contabiliza 2.009 feridos; ofensiva completa 13 dias com incursões inéditas na capital e ataques a equipes de resgate

Ofensiva israelense avança para capital (AFP)

Ofensiva israelense avança para capital (AFP)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 14 de março de 2026 às 15h27.

A escalada do conflito no Oriente Médio atingiu um novo patamar de gravidade.

O Ministério da Saúde Pública do Líbano atualizou neste sábado os números de uma campanha militar que já dura quase duas semanas: 826 pessoas morreram e mais de 2 mil ficaram feridas em decorrência dos ataques aéreos israelenses. Só nas últimas 24 horas, mais de 50 corpos foram recolhidos dos escombros.

Os dados do Centro de Operações de Emergência revelam um impacto devastador sobre a população civil. Desde o início da ofensiva, em 2 de março, pelo menos 106 crianças perderam a vida. Entre os 2.009 feridos, 327 são menores de idade, evidenciando a falta de piedade em zonas densamente povoadas.

Bombardeios no Líbano

A comunidade médica também paga um preço alto. Com os bombardeios da noite anterior na região sul de Burj Qalaouiya, que atingiram um centro de saúde em cheio, o setor acumula agora 31 profissionais mortos e 51 feridos. O ataque matou 12 pessoas entre médicos, paramédicos e enfermeiros que estavam de plantão.

A ofensiva aérea israelense, que inicialmente se concentrava no sul e no leste do território libanês e nos arredores de Beirute, avançou nos últimos dias para dentro do perímetro da capital. Um fato inédito chamou a atenção na sexta-feira: caças sobrevoaram bairros da cidade e lançaram panfletos com uma mensagem direta à população.

Os folhetos, uma tática mais comum em regiões fronteiriças, continham um ultimato político. O texto pedia explicitamente o desarmamento do grupo Hezbollah, acusando a milícia de servir como um "escudo" para o Irã. A mensagem concluía com um apelo para que os próprios libaneses exijam o fim da influência do grupo para que a estabilidade retorne ao país.

Em paralelo à campanha aérea, o Hezbollah mantém uma troca de disparos de alcance limitado contra posições no norte de Israel, alimentando o temor de que o conflito possa se alastrar ainda mais pela região.

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