Donald Trump, presidente dos EUA (Andrew Harnik/AFP)
Redação Exame
Publicado em 1 de maio de 2026 às 17h25.
Os Estados Unidos sancionaram, nesta sexta-feira (1º), três casas de câmbio iranianas, visando atingir o "fornecimento financeiro" de Teerã.
O Departamento do Tesouro também alertou sobre a possibilidade de futuras sanções ao sistema de pedágio que o Irã planeja implementar no Estreito de Ormuz, uma área vital para o comércio mundial de petróleo.
O estreito encontra-se bloqueado pelo Irã desde os ataques dos Estados Unidos e Israel, que começaram no final de fevereiro.
O Departamento de Estado impôs sanções à Qingdao Haiye Oil Terminal Co., Ltd., alegando que a empresa importou "dezenas de milhões de barris" de petróleo bruto iraniano, ajudando o Irã a gerar bilhões de dólares em receita.
"Enquanto o Irã tentar gerar receita petroleira para financiar suas atividades desestabilizadoras, os Estados Unidos vão exigir prestação de contas tanto ao Irã quanto a todos os seus parceiros que se esquivarem das sanções", afirmou o Departamento de Estado.
As sanções consideram crime qualquer transação que envolva os Estados Unidos através desse operador de terminal, que integra o importante centro marítimo de Qingdao, no Mar Amarelo.
No ano passado, os EUA impuseram sanções semelhantes a outra entidade da região, a Qingdao Port Haiye Dongjiakou Oil Products Co.
Os preços globais do petróleo subiram consideravelmente após o ataque americano-israelense contra o Irã, em 28 de fevereiro.
Também nesta sexta-feira, Trump anunciou a imposição de tarifas de 25% sobre carros e caminhões importados da União Europeia aos Estados Unidos, com início previsto para a próxima semana. O republicano justificou a medida como uma resposta ao não cumprimento do acordo comercial entre os dois blocos.
Trump afirmou em sua rede social Truth que os veículos fabricados nos Estados Unidos não terão tarifas. No post, ele mencionou que "muitas fábricas de automóveis e caminhões estão atualmente em construção, com mais de 100 bilhões de dólares investidos, um recorde na história da fabricação de carros e caminhões", e destacou que as unidades seriam "inauguradas em breve".
O acordo comercial entre os EUA e a União Europeia foi firmado em julho do ano passado, no contexto das tarifas impostas pelo presidente a diversos países. Na ocasião, a União Europeia aceitou uma tarifa de 15% sobre produtos importados para os Estados Unidos, quando antes os EUA ameaçavam o bloco europeu com uma taxa de 30%.
Além disso, o acordo incluiu compromissos significativos da União Europeia, como investir US$ 600 bilhões na economia dos Estados Unidos e comprar US$ 750 bilhões em energia americana. O bloco também se comprometeu a adquirir equipamentos militares dos EUA.
Em março, o Parlamento da União Europeia aprovou o tratado com 417 votos a favor e 154 contra, mas com algumas salvaguardas, que refletem preocupações de que os EUA possam não cumprir o acordo.
Essas salvaguardas incluem cláusulas de caducidade, ativação futura e suspensão. O Parlamento europeu também exigiu a remoção de 50% das tarifas impostas um mês após o acordo de Turnberry, sobre o conteúdo de aço e alumínio de produtos como turbinas eólicas e motocicletas.
O comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, classificou a votação como um "passo crucial", garantindo maior segurança para as empresas da União Europeia. A representação dos EUA na UE também comemorou o resultado.
Atualmente, o Parlamento Europeu discute propostas para eliminar tarifas de importação sobre produtos industriais dos EUA, melhorar o acesso aos produtos agrícolas americanos e manter a isenção de tarifas sobre lagostas dos EUA, uma medida originalmente acordada com Trump em 2020.
Antes da aprovação final do tratado, representantes do Parlamento e dos governos da UE irão negociar os detalhes do texto.