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Estudos Latitud: depois do boom de investimentos, fintechs devem mirar nichos e falhas dos bancões

Relatórios da plataforma Latitud mapeiam principais tendências para fintechs da América Latina

Fintechs: estudo da Latitud analia principais tendências na América Latina (zf L/Getty Images)

Fintechs: estudo da Latitud analia principais tendências na América Latina (zf L/Getty Images)

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Maria Clara Dias

5 de dezembro de 2022, 17h10

Ainda que em crescente digitalização, as relações de consumo e os principais serviços bancários da América Latina ainda engatinham nos quesitos qualidade e agilidade, criando um cenário fértil para startups que se empenham a solucionar esses e outros problemas do setor.

A análise é de um estudo inédito sobre o universo das fintechs B2C na região, realizado pela Latitud, plataforma de apoio ao empreendedorismo e startups na América Latina.

O estudo "Latin America: Future of B2C Fintech" faz parte de um report maior produzido pela Latitud sobre sete indústrias diferentes, o The LatAm Tech Report. Leia o estudo aqui. O objetivo do relatório é mapear as principais tendências e oportunidades em diferentes setores da economia — e consequentemente vislumbrar caminhos mais promissores para startups em busca de destaque na região.

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As fintechs LATAM

Atualmente, a América Latina conta com mais de 1.000 fintechs, e o Brasil lidera o ranking com 689 empresas.

Em termos de investimento nessas empresas, o Brasil também larga em disparada. O Brasil representa quase 80% de todo o financiamento captado na região desde 2014, seguido pelo México, com cerca de 10% do total. Em 2021, o financiamento total de fintechs da América Latina atingiu um recorde de US$ 12,9 bilhões em 315 rodadas.

Apesar do maior volume de investimentos nas fintechs de consumo (B2C), a predileção de investidores se mantém por bancos digitais e empréstimos, que concentram 89% de todo o financiamento de fintechs de consumo desde 2014. Já as fintechs de consumo representam apenas 5,5% do total recorde de financiamento.

Quais são as tendências

De acordo com a Latitud, problemas crônicos da região devem pautar a atuação das fintechs B2C (business to consumer) daqui em diante. Entre eles, a dependência do dinheiro vivo, que ainda corresponde a algo como 85% de todos os gastos pessoais no varejo, e também os altos índices de desbancarização e taxas bancárias abusivas.

A concentração bancária também é mencionada. Segundo a Latitud, os cinco maiores bancos do Brasil, México e Colômbia controlam de 70% a 85% de todos os empréstimos, depósitos e receitas bancárias.

O cenário pode colaborar com a ascensão de novos competidores dispostos a brigar pela atenção de um consumidor cada vez mais exigente, adepto a novas tecnologias e reticente às taxas exacerbadas geralmente cobradas pelos bancos tradicionais.

O estudo aponta para um êxodo para os bancos digitais, bem como para pagamentos digitais e mais ágeis, a exemplo do Pix. Outras tendências mapeadas são:

  • Migração para o embedded finance;
  • Busca por investimentos com maior rentabilidade;
  • Adoção das criptomoedas e moedas digitais;
  • Maior quantidade de fusões e aquisições (M&As) no setor;

O estudo ainda detalha as tendências por setor de fintechs com serviços ao consumidor final. São eles: bancos digitais, empréstimos, pagamentos, investimentos, educação financeira e finanças pessoais e seguros.

No caso dos bancos digitais, a movimentação mais comum está em focar em novas demografias e oferecer produtos customizados são tendências no presente e no curto prazo. Um exemplo está na oferta de produtos para a geração Z, formada por jovens de 18 a 26 anos.

Em empréstimos, o diferencial continuará na oferta de preços mais flexíveis e recortes mais específicos voltados a demografias e produtos auxiliares. Em pagamentos, a tendência é mesclar categorias e ir além das transações, entrando em áreas como empréstimos e até mesmo criptomoedas, em conjugações de serviços.

Em investimentos, algumas oportunidades são ativos alternativos e capazes de promover experiências sociais, de olho nos efeitos da economia em rede. Já na categoria de educação financeira e finanças pessoais, a adoção de soluções relacionadas ao Open Banking, copiando o movimento já iniciado pelos grandes players, é a principal tendência.

Por fim, em seguros, a tendência mapeada pela Latitud é a de oferta massiva de seguros pelos bancos digitais, numa sinergia de insurtechs e fintechs, que passam a oferecer os dois tipos de produtos de forma conjunta.

O que pode atrapalhar

Para além das tendências, a Latitud se empenhou em também apontar os principais desafios para a evolução das fintechs e para a adoção definitiva dessas e outras tendências. Os principais imbróglios, segundo a plataforma, estão relacionados a questões regulatórias e falta de confiança de consumidores em instituições financeiras, além dos impasses com segurança de dados pessoais e contratação de talentos, uma dor comum ao setor de tecnologia.

O relatório tambpem destaca a desaceleração nos investimentos de venture capital em 2022, na comparação com 2021. Nesse cenário, é esperado que o menor volume de recursos à disposição dessas fintechs também adie lançamentos de tecnologias, rodadas grandiosas e aberturas de capital.

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