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Ele começou na pousada da avó. Hoje comanda rede de 45 hotéis e prepara nova marca de luxo

Grupo projeta movimentar até R$ 840 milhões em 2026, tem mais de dez hotéis contratados e quer levar nova bandeira a outros destinos

Alexandre Gehlen, fundador e CEO da ICH: executivo começou na hotelaria na pousada da avó e hoje lidera um grupo com 45 hotéis (ICH Hotéis/Divulgação)

Alexandre Gehlen, fundador e CEO da ICH: executivo começou na hotelaria na pousada da avó e hoje lidera um grupo com 45 hotéis (ICH Hotéis/Divulgação)

Publicado em 23 de agosto de 2026 às 08h01.

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Na adolescência, o gaúcho Alexandre Gehlen passava as férias escolares trabalhando na pousada da avó, em Gramado, na Serra Gaúcha. Foi garçom, mensageiro e recepcionista. O contato precoce com hóspedes não significou, porém, uma decisão imediata de seguir carreira na hotelaria.

Gehlen chegou a estudar outra área antes de voltar ao negócio da família e, anos depois, participar da criação da Intercity Hotéis. Mais de duas décadas depois, a empresa que começou com quatro hotéis administra 45 operações e emprega cerca de 2 mil pessoas. O portfólio saiu do Rio Grande do Sul, avançou por todas as regiões do Brasil e ganhou diferentes bandeiras.

Agora, a ICH, grupo que tem a Intercity como principal marca, tenta acrescentar um novo capítulo à trajetória: entrar na hotelaria de alto padrão com uma bandeira própria.

Batizada de The Almer, a marca nasce com dois endereços definidos. O primeiro hotel está em fase final de implantação em Porto Alegre e terá abertura gradual a partir de janeiro de 2027. O segundo será construído em Jurerê, em Florianópolis, com previsão de operação em 2029. Ambos fazem parte de projetos desenvolvidos em parceria com a incorporadora CFL.

“A empresa está viva, crescendo organicamente”, diz Gehlen. “É um momento importante para a gente.”

A aposta chega em um momento de expansão. O faturamento agregado dos hotéis administrados pela ICH ficou próximo de R$ 750 milhões em 2025. Para este ano, Gehlen afirma que o orçamento aponta para uma receita entre R$ 830 milhões e R$ 840 milhões.

Como nasceu o negócio

A história da Intercity começou no final da década de 1990. As primeiras operações foram abertas em Gravataí, Porto Alegre e Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, e Florianópolis, em Santa Catarina. Naquele momento, segundo Gehlen, nem sequer havia uma estratégia completamente definida de construção de uma rede nacional.

A transformação do negócio ocorreu alguns anos depois. Em 2005, incorporadoras começaram a procurar a empresa para administrar flats e condo-hotéis. Em vez de depender apenas de imóveis próprios para crescer, a Intercity passou a levar sua marca, tecnologia e conhecimento operacional para empreendimentos de terceiros. 

Foi uma mudança que tornou a operação mais próxima do modelo conhecido no setor como asset light: o capital necessário para erguer os hotéis não precisa sair integralmente da administradora. Proprietários e investidores colocam dinheiro nos ativos, enquanto a companhia concentra esforços na gestão e na marca.

“Nós somos uma gestora de ativos de terceiros, uma administradora”, resume Gehlen.

O modelo ajudou a rede a sair do Sul. Depois das primeiras unidades, vieram mercados como Cuiabá e São Paulo. Um dos diferenciais defendidos pelo fundador desde os primeiros anos foi a centralização das informações dos hotéis.

Gehlen conta que a empresa montou um banco único de dados para reconhecer, por exemplo, que um cliente hospedado em Caxias do Sul era o mesmo que depois chegava a uma unidade de Porto Alegre ou Florianópolis.

Hoje, a ICH administra cerca de 3.800 investidores hoteleiros e mais de 6,7 mil apartamentos, segundo dados fornecidos pela companhia.

Como a Intercity virou um grupo multimarcas

Outra mudança veio quando a empresa percebeu que uma única bandeira não seria suficiente para ocupar diferentes faixas do mercado.

A Intercity permaneceu como o carro-chefe para hotéis urbanos de padrão intermediário. Em 2014, a ICH iniciou a operação da Yoo2, marca de proposta lifestyle e design que ganhou uma unidade em Botafogo, no Rio de Janeiro. Mais tarde, a companhia passou a operar também a Tru by Hilton, voltada ao segmento econômico com uma proposta mais ligada a design.

O portfólio ainda inclui a econômica Hi! e a Cityhome, dedicada à locação por temporada. A estratégia é ocupar diferentes ocasiões de consumo sem abandonar a especialidade construída na administração hoteleira.

Faltava uma faixa nessa escada: o alto padrão.

Foi justamente um empreendimento de Porto Alegre que acelerou a criação da The Almer. A CFL desenvolvia um complexo imobiliário em uma área próxima ao Country Club de Porto Alegre e procurava uma bandeira para a parte hoteleira. Das conversas entre as duas empresas nasceu não apenas a operação da unidade gaúcha, mas uma nova marca que depois também foi escolhida para Jurerê.

The Almer Porto Alegre: Primeira unidade da nova bandeira de alto padrão da ICH: hotel terá 84 suítes e vista para o Country Club (ICH Hotéis/Divulgação)

“Estamos construindo uma nova marca, trazendo para o mercado brasileiro uma marca sofisticada, elegante, mas ao mesmo tempo moderna”, afirma Gehlen.

Por que apostar no alto padrão

O The Almer Porto Alegre terá 84 suítes voltadas para o campo de golfe do Country Club. As unidades padrão terão 33 metros quadrados, enquanto quatro suítes no último andar passarão dos 60 metros quadrados. O projeto inclui rooftop, piscina, spa, academia, bar e operação gastronômica.

O empreendimento recebe mais de R$ 130 milhões em investimentos. O montante reúne a obra civil realizada pela CFL, os acabamentos, a implantação do hotel e a parcela correspondente ao terreno. O projeto conta com recursos de investidores ligados tanto à CFL quanto à ICH.

A abertura será feita em etapas. O chamado "soft opening" começa em janeiro de 2027, período em que a equipe será treinada e serviços como gastronomia, governança e manutenção entrarão gradualmente em funcionamento. A intenção é chegar à operação plena depois do Carnaval.

Em Santa Catarina, a The Almer ocupará a torre hoteleira de um projeto da CFL em Jurerê. O terreno do complexo tem cerca de 20 mil metros quadrados e fica à beira-mar. O hotel terá 64 apartamentos, rooftop, spa e áreas destinadas a eventos sociais e corporativos. A previsão é de aproximadamente mais dois anos de obras.

Mas a ambição para a nova marca não termina nos dois endereços do Sul. Gehlen cita destinos como Amazônia, Trancoso, Ceará e regiões do interior de Minas Gerais e São Paulo entre as possibilidades analisadas pela equipe de desenvolvimento. Não há, por enquanto, novos hotéis anunciados nessas localidades.

Quais serão os próximos passos do grupo

A expansão da The Almer ocorre em paralelo ao crescimento das demais bandeiras.

A ICH tem hoje 45 hotéis em funcionamento e mais de dez empreendimentos já contratados para abrir. Entre eles está um Intercity no Plano Piloto, em Brasília, com aproximadamente 400 quartos, além de projetos da Tru by Hilton em São Paulo e unidades da Intercity em novas cidades.

Gehlen também cita operações em Congonhas e no Aeroporto de Guarulhos entre os projetos em desenvolvimento.

A companhia estabelece ainda uma ambição ainda mais longa: chegar a 100 hotéis em até 10 anos.

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