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De pé e circulando

A Alpargatas fica mais produtiva com o sistema da Toyota
 (EXAME.com)
(EXAME.com)
Por Fábio PeixotoPublicado em 14/10/2010 13:16 | Última atualização em 14/10/2010 13:16Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Em Santa Rita, uma cidade paraibana de 120 mil habitantes, a Alpargatas tem uma fábrica dedicada à produção de tênis. Lá, os 1,3 mil operários tiveram a rotina mudada nos últimos meses. Acostumados a ficar sentados executando uma única função, eles agora têm de trabalhar de pé e circular para dar conta de várias tarefas. A nova postura exigida dos operários é parte de uma série de mudanças adotadas para implantação do sistema batizado de manufatura enxuta. Introduzido na metade dos anos 50 na área de produção da Toyota, a maior montadora japonesa de automóveis, o sistema tem por objetivos a eliminação de tudo o que não gera valor para o consumidor, como a estocagem de peças, e a integração total das fábricas com fornecedores e clientes. O modelo começou a ser introduzido na Alpargatas dois anos atrás, com a contratação de Pérsio Pardal Medeiros como gerente industrial. Ele havia se familiarizado com a manufatura enxuta na Alcoa, onde trabalhou durante 14 anos.

O ponto de partida na Alpargatas foi um treinamento de dois dias com os executivos em janeiro de 2000. "O mais difícil é mudar a mentalidade das pessoas, não a produção", diz Medeiros. Depois, o treinamento foi disseminado pelos outros níveis hierárquicos, até chegar ao chão de fábrica.

A divisão de artigos esportivos foi a primeira a ser enxugada, por sua importância para a empresa: tem 8 mil funcionários e responde por 40% do faturamento. Das sete fábricas então existentes, a de Franca, no interior paulista, foi desativada há um ano e a de João Pessoa está em processo de fechamento. Em comparação com setembro de 2000, há 1,6 mil funcionários a menos. Nas demais fábricas, as linhas de montagem com esteiras vêm sendo substituídas por células de manufatura em forma de "U", com os funcionários treinados para ser multifuncionais. Antes, linhas de 40 operários produziam 1,2 mil pares de tênis por turno. Hoje, com metade do pessoal, cada célula faz 900 pares no mesmo período. "Na linha antiga, se o operário que gruda os componentes do tênis estava sem solas, ficava parado até que chegasse alguma", diz Medeiros. "Na célula, pode ajudar o operador ao lado." O tempo médio para atender aos pedidos dos clientes foi reduzido de dez para oito dias - a meta é chegar a cinco. É um avanço fundamental para alcançar o ideal da manufatura enxuta: trabalhar apenas sob encomenda, evitando o encalhe de produtos causado por previsões erradas de vendas.

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