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Da lembrancinha ao ‘presentão’: como a Ri Happy redesenha sua estratégia para 2026

Rede bilionária aposta em produtividade, margem e experiências nas lojas para sustentar avanço e consolidar liderança no varejo

Guilherme de Biagi, CFO da Ri Happy: “Queremos ser o destino preferencial das famílias, da lembrancinha ao ‘presentão’, com uma experiência de compra cada vez mais divertida e memorável” (Ri Happy/Divulgação)

Guilherme de Biagi, CFO da Ri Happy: “Queremos ser o destino preferencial das famílias, da lembrancinha ao ‘presentão’, com uma experiência de compra cada vez mais divertida e memorável” (Ri Happy/Divulgação)

Publicado em 26 de dezembro de 2025 às 10h26.

Última atualização em 26 de dezembro de 2025 às 15h50.

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A Ri Happy atravessou o último ano fazendo uma escolha pouco comum no varejo: crescer menos para ganhar mais eficiência.

“Em 2024, a receita apresentou uma leve retração, impactada principalmente pelo fechamento de algumas operações, dentro de uma agenda deliberada de racionalização do portfólio de loja”, afirma Guilherme de Biagi, CFO da companhia, em entrevista exclusiva à EXAME.

A decisão pressionou a receita no curto prazo, mas segundo o executivo elevou a produtividade das lojas remanescentes e abriu espaço para ganhos relevantes de rentabilidade.

“Mesmo com a queda pontual de receita, o foco em eficiência operacional trouxe avanços expressivos na rentabilidade”, diz o executivo, que reforça que as lojas mantidas registraram SSS positivo (crescimento real das vendas das lojas), evidenciando melhora estrutural da base atual.

O resultado já apareceu no caixa: o EBITDA cresceu de forma significativa, puxado por disciplina de custos, melhor gestão de estoques e capital de giro e uma operação mais leve.

Mais do que buscar crescimento a qualquer custo, seguimos focados em um modelo sustentável, que maximize o valor de cada ponto de venda e do canal digital”, diz Biagi.

A companhia não abre informações financeiras, mas segundo Alexandre Abu-Jamra, fundador da plataforma Klooks, que fornece dados corporativos de empresas brasileiras com base nos balanços divulgados em fontes públicas, os dados mostram uma companhia de porte bilionário. No último ano, a empresa de brinquedos chegou a uma receita líquida de R$ 1,18 bilhão, registrando um crescimento tímido em relação a 2023, de R$ 1,17 bilhão. Quanto à margem EBITDA, que o executivo adiantou que já avançou neste ano, o crescimento também aconteceu entre 2013 (10,44%) e 2014 (12,39%), com alta de 1,95 ponto percentual.

No recorte de 2011 a 2024, Abu-Jamra avalia que a empresa vem se recuperando do choque da pandemia: em 2020, a empresa registrou receita líquida de R$ 974 milhões (a menor desde 2013, quando chegou na casa do bilhão) e margem de lucro líquida de (-7.76%).

“A companhia está avançando no mercado. A margem de lucro líquida saiu de -6.18% em 2023 para -3.57% em 2024”, afirma Abu-Jamra.

Para 2026, o CFO da Ri Happy diz à EXAME que a empresa busca consolidar a virada: uma operação mais eficiente e rentável, combinada a uma experiência de compra mais completa.

Crescer alinhado à inflação — e à margem

Para 2026, o plano é continuidade de crescimento em linha com o movimento de 2025, mantendo a bússola apontada para a rentabilidade. A expectativa é de novo avanço do EBITDA sustentado pela continuidade da agenda de eficiência e pela maturação das iniciativas já implementadas.

O principal motor de geração de valor segue sendo a rentabilidade”, afirma Biagi.

A rede física segue estratégica, operando como hubs de ultra conveniência — com entregas em até três horas — integrados ao e-commerce, diz o executivo. O mix de licenças exclusivas completa a proposta de valor.

Queremos ser o destino preferencial das famílias, da lembrancinha ao ‘presentão’, com uma experiência de compra cada vez mais divertida e memorável”, afirma o CFO.

Veja também: ‘Nunca tínhamos visto uma inflação assim’, diz presidente da Nestlé Brasil sobre o cacau e café

Do varejo transacional ao destino de lazer

O passo seguinte da estratégia é transformar a loja em experiência. A companhia acelera a expansão das brinquedotecas Divertudo, ampliando a frente de serviços dentro das unidades.

A criança não apenas escolhe o brinquedo, ela vivencia a marca”, diz Biagi.

O efeito esperado é aumento de tempo de permanência, recorrência e fortalecimento do ecossistema para a família.

Paralelamente, Biagi afirma que a Ri Happy segue refinando custos e processos para garantir que qualquer expansão venha acompanhada de ganhos marginais sólidos.

“O ano de 2026 será de consolidação e avanço: operação mais eficiente, tecnológica e financeiramente disciplinada, aliada a novas frentes de crescimento sustentável”, diz.

Tamanho da rede e foco no Brasil

Fundada em 1988, em São Paulo, por por Ricardo Sayon, sua esposa Juanita Sayon e o administrador Roberto Saba, a Ri Happy nasceu como uma loja especializada em brinquedos e, ao longo de mais de 35 anos, se consolidou como uma das maiores redes varejista de brinquedos do Brasil. Desde 2012, o negócio pertence à gestora de investimentos norte-americana The Carlyle Group, um fundo global de private equity, que comprou cerca de 85% do capital da empresa.

O grupo reúne hoje as marcas Ri Happy, PBKIDS e Divertudo, combinando lojas físicas, e-commerce e canais digitais em um modelo omnichannel. A operação conta com cerca de 290 lojas próprias e franquias espalhadas por todo o país e atua exclusivamente no mercado brasileiro (a companhia não exporta e a maior parte dos produtos vendidos nas lojas vem de parceiros e fabricantes nacionais e internacionais).

Veja também: As peças que faltavam: como a Lego se reconstruiu por meio dessas 3 conexões

Tendências do mercado e expansão com cautela

Embora atenda todas as idades e faixas de preço, o segmento de 3 a 8 anos concentra o maior volume do mercado brasileiro, com destaque para brinquedos tradicionais, educativos, bicicletas, bonecas e blocos de montar — categorias centrais no portfólio da rede.

O varejo também observa o avanço dos “kidults”, adultos aficionados por brinquedos e colecionáveis, tendência global que ganha espaço no país.

Quando o assunto é expansão, a companhia segue avaliando oportunidades alinhadas à sua estratégia de crescimento sustentável, com foco no fortalecimento da omnicanalidade.

Seguimos priorizando valor de longo prazo para as famílias e para o negócio”, afirma Biagi.

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