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COP26: após resultado vitorioso, é preciso ação, diz embaixador britânico

Para o embaixador britânico no Brasil, Peter Wilson, é importante que os governos, a sociedade e as empresas entendam como gerar resultados de compromissos anunciados

 (OLI SCARFF/AFP/Getty Images)

(OLI SCARFF/AFP/Getty Images)

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Marina Filippe

16 de novembro de 2021, 14h49

A Conferência das Partes, a COP26, terminou no sábado, 14, com importantes acordos para as mudanças climáticas entre os mais de 190 países. O evento, que ocorreu em Glasgow, na Escócia, definiu regulamentações para o mercado de carbono a partir do Acordo de Paris de 2015, e mais.

Em entrevista para a EXAME, o embaixador Britânico no Brasil, Peter Wilson, comentou os anúncios e as expectativas de implementação.

“Há um desafio para todos os países, mas vamos trabalhar mais, e mais próximos, para alcançar resultados e limitar o aquecimento global a 1,5 ºC até 2050, um desafio enorme e necessário”. Veja a entrevista completa. 

Quais são os principais ganhos desta COP?

O primeiro deles é sobre mitigação, pois temos um compromisso forte de limitar as temperaturas em até 1,5 ºC, revisando as metas e ações no próximo ano.

Em segundo lugar há o financiamento. Vamos atingir os objetivos de transferir 100 bilhões de dólares de países ricos para países em desenvolvimento em 2023. Além disso, vamos aumentar o valor em 2024 e 2025.

Também temos como compromisso ao menos dobrar a previsão coletiva de financiamento, além de fornecer um recurso de 350 milhões de dólares para os fundos de adaptação. Na frente de perdas e danos, incluímos padrões de transparência.

E, finalmente, temos um plano de empoderamento e educação, muito importante para elevar o nível de conhecimento sobre clima.

E, claro, as decisões sobre o Artigo 6 foram muito importantes para criar um mercado mais eficiente de carbono.

Qual o papel do Brasil nos avanços?

O Brasil teve um papel chave na COP, com a maior delegação oficial (com 466 pessoas), e foi parceiro de compromissos muitos importantes, especialmente quando, por exemplo, fez seu compromisso de zerar o desmatamento ilegal até 2028, dois anos antes do previsto anteriormente.

Além disso, foi um dos 134 países a assinar a declaração de florestas e uso de terra. O país também esteve no compromisso de metano.

Outro momento interessante se deu com o Príncipe Charles, no fórum de investidores para conectar cidades e estados com compromissos de zerar emissões. Até o momento são 11 estados brasileiros neste compromisso.

Como estão previstos os cumprimentos das metas anunciadas?

Percebemos que há a intenção de todos os 196 países participantes em focar no clima, além da pressão da sociedade civil e dos investidores para que os objetivos sejam alcançados. Sabemos que o resultado desta COP foi uma vitória, mas ainda é frágil.

Dito isto, é importante que todos os governos envolvidos entendam que os compromissos são um passo a frente, mas só isso não é suficiente. Por exemplo, esta é a primeira vez que tivemos o compromisso de revisar as NDCs (Contribuição Nacionalmente Determinada) a cada um ano e não mais a cada cinco. Estamos na década da ação.

A mobilização de financiamento foi muito importante, não só nos fundos púbicos, mas também nos privados. Por exemplo, a Aliança Financeira de Emissões Zero de Glasgow, um grupo que inclui 450 instituições financeiras, anunciou que empresas responsáveis pela administração de 130 trilhões de dólares de capital, o equivalente a 40% dos ativos financeiros do mundo, comprometeram-se a assumir uma "parcela justa" da descarbonização. A mobilização privada é uma estratégia inteligente para o alcance dos objetivos.

Como o mercado de carbono irá funcionar de fato?

Agora há os movimentos domésticos de criar estruturas do mercado de carbono. O Brasil, por exemplo, tem uma vantagem muito grande sobre isso, mas vale lembrar que o mercado que vai conseguir atrair investimentos são os que tenham alta qualidade. Tenho confiança há vontade de ações práticas dos governos para criar as condições necessárias para o mercado de carbono.