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Como construir uma comunidade de negócios de sucesso, segundo três empreendedoras

Empreendedoras destacaram o poder do networking e da sororidade em comunidades e redes dedicadas ao empreendedorismo durante painel do evento Agora é que são Elas, da EXAME e Movimento Aladas

Christiane Aché, Dani Graicar e Dani Junco em painel durante evento "Agora é que são elas", da EXAME e Movimento Aladas (Maria Clara Dias/Exame)

Christiane Aché, Dani Graicar e Dani Junco em painel durante evento "Agora é que são elas", da EXAME e Movimento Aladas (Maria Clara Dias/Exame)

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Maria Clara Dias

Publicado em 17 de novembro de 2022, 13h37.

O princípio básico da economia em rede é a colaboração. Mas é preciso cautela para que o senso de ajuda e coletividade não caia no conto da troca de favores. A reflexão é de Dani Junco, fundadora da B2Mamy, comunidade de apoio ao empreendedorismo feminino materno.

A empreendedora participou de um painel durante o “Agora é que são Elas”, evento da EXAME em parceria com Movimento Aladas de empreendedorismo feminino e que celebra o protagonismo de mulheres nos negócios. Ao lado de Junco estavam Dani Graicar, fundadora do Movimento Aladas e da agência Pros, e Christiane Aché, executiva com longa experiência como conselheira.

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Junco relembrou o processo de criação da B2Mamy, um projeto que surgiu como uma tentativa de limar a solidão causada pela maternidade e ausência de assuntos de carreira. “Me sentia perdida, no LinkedIn todo mundo parecia feliz, e eu confusa e sozinha ao tentar voltar para o mercado”, contou.

O que começou com encontros pontuais entre mulheres mães se tornou uma das principais redes de fomento ao empreendedorismo feminino do país, além de uma plataforma de educação e capacitação profissional. Com perfil de "comunidade", a B2Mamy promove mentorias, workshops e encontros para essas mulheres.

Criar um modelo de negócio bem-sucedido e gerenciar comunidades são desafios que caminham em conjunto aos obstáculos financeiros desse formato. “Há uma confusão sobre o que de fato é ajudar, e como funciona o financiamento da economia em rede”, disse Junco.

Contornar esse cenário depende também da cobrança constante por auxílio financeiro dos apoiadores e também de entender que cada apoio, em comunidade, também é um trabalho, destacou Graicar, do Movimento Aladas. "Precisamos precificar o tempo, a energia e nossa vocação. Só assim conseguimos criar algo que gere retornos reais".

Outro ponto destacado foi a relevância das conexões, o famigerado networking. Christiane Aché, fundadora da Woman on Board, iniciativa que busca ampliar a presença feminina em conselhos de admistração, destacou a importância dos relacionamentos profissionais, especialmente entre mulheres que empreendem. Segundo ela, 41% das mulheres participantes da rede já realizaram algum acordo de negócios entre elas. “Nos juntamos pelo conhecimento, mas hoje vemos que o que vem junto disso é muito maior”, disse.

O que não pode faltar em uma rede?

Segundo Graicar, o elemento mais importante em uma rede é a escuta ativa. "Precisamos criar um ambiente generoso", disse. Para isso, ela afirma, é preciso estar disposto a ouvir sobre o outro, e entender o que há de novo no âmbito profissional e pessoal e assim ajudar a todos.

Aché complementou que esse auxílio deve ser genuíno. “Não precisamos nos expor, porque ajudar genuinamente, no privativo, é algo poderoso”, disse.

A empreendedora também destacou a importância de saber pedir ajuda para a consolidação de uma comunidade empreendedora de sucesso. "Nós mulheres temos uma dificuldade latente em assumir que não sabemos fazer algo”, diz. "Saber estender a mão é essencial, mas saber pedir ajuda também".