Ensino de idiomas: parcerias levam inglês e inovação à grade escolar e ampliam formação. (CNA/Divulgação)
EXAME Solutions
Publicado em 8 de abril de 2026 às 09h48.
Última atualização em 8 de abril de 2026 às 15h27.
Durante anos, o aprendizado de idiomas ficou restrito ao contraturno, tratado como um complemento à formação tradicional. Esse modelo, porém, começa a mudar. Com a ampliação das expectativas sobre a formação dos alunos, escolas privadas passaram a incorporar inglês, tecnologia e habilidades socioemocionais à grade regular.
O avanço, no entanto, esbarra em desafios. Estruturar esse novo currículo exige equipe qualificada, formação contínua de professores e domínio de áreas como ensino bilíngue e tecnologia educacional — condições que nem todas as instituições conseguem atender.
É nesse contexto que ganham espaço modelos baseados em parceria. Criado em 2018, o CNA na Escola foi desenhado para integrar o ensino de idiomas à rotina escolar e ampliar a oferta pedagógica. A proposta combina inglês e espanhol com conteúdos de programação, robótica e sustentabilidade, em linha com a demanda por currículos mais abrangentes.
A abordagem pedagógica se apoia em metodologias consolidadas no ensino internacional, como o Content and Language Integrated Learning (CLIL), que integra idioma e conteúdo, e o Problem Based Learning (PBL), baseado na resolução de problemas. Na prática, o foco está no uso do idioma em situações reais, com estímulo à comunicação desde os primeiros anos.
As escolas podem adotar diferentes formatos, que vão de aulas extracurriculares a modelos bilíngues diários, além de opções curriculares e de período integral. A operação se dá por meio da rede de franquias, responsável pela execução local, enquanto o CNA concentra o desenvolvimento pedagógico, a formação de professores e o suporte às instituições parceiras.
“A nossa estratégia foi transformar uma rede tradicional de ensino de idiomas em um hub de soluções educacionais complementares”, afirma Eduardo Murin, COO da empresa.
A iniciativa acompanha uma mudança no próprio mercado. Crianças e adolescentes passaram a representar cerca de 80% da base do CNA, deslocando o aprendizado de idiomas do extracurricular para dentro da jornada escolar e ampliando a presença do conteúdo nas instituições de ensino.
Com o tempo, o programa ampliou o escopo e passou a incluir, além dos idiomas, conteúdos ligados à tecnologia, desenvolvimento socioemocional e economia criativa. A proposta é concentrar, em uma única solução, competências consideradas centrais na formação dos alunos.
Um dos diferenciais está na atuação presencial. Ao contrário de soluções baseadas apenas em plataformas digitais ou no fornecimento de material didático, o CNA mantém equipes pedagógicas próximas às escolas parceiras, o que permite maior agilidade na gestão acadêmica e na adaptação às rotinas escolares.
Para a educação infantil, o material didático inclui conteúdos desenvolvidos em parceria com a Disney, usados como recurso de engajamento e contextualização do aprendizado entre crianças de 3 a 8 anos. O grupo também atua como o maior centro aplicador de certificações internacionais, como Cambridge, IELTS, TOEFL, entre outras, permitindo que os colégios ofereçam esse tipo de credencial a alunos, professores e equipe pedagógica.
Em Salvador, o Colégio Sacramentinas utiliza o programa desde 2019. Alunos do ensino regular atingiram nível B2 de proficiência em exames internacionais da Cambridge, com 100% de aprovação. O modelo está presente em três unidades da instituição e atende mais de 2 mil estudantes, com aulas integradas à grade e ao contraturno.
Hoje, o CNA na Escola atende mais de 20 mil alunos em cerca de 200 colégios. A operação é conduzida por aproximadamente 80 franquias dentro de uma rede que supera 700 unidades no país.
A empresa projeta dobrar o tamanho do programa até 2026, impulsionada pela demanda por soluções integradas no ensino básico. A atuação está concentrada na educação infantil e no ensino fundamental, enquanto a entrada no ensino médio ainda está em avaliação.
Há também uma frente voltada à rede pública. O CNA na Escola Pública já alcançou mais de 3,3 mil alunos em cerca de 150 unidades, com mensalidades reduzidas e, em alguns casos, bolsas integrais para estudantes participantes de programas como o Ganhando o Mundo. “A educação hoje exige um contexto mais amplo. Não é mais possível tratar idiomas de forma isolada”, afirma Murin.