CEO da Nissan não consegue impulsionar vendas da Datsun

As vendas caíram em três dos últimos quatro meses até agosto

Mumbai - Em julho do ano passado, quando se preparava para tirar a Datsun de uma aposentadoria que já durava décadas, a Nissan Motor Co. ridicularizou a possibilidade de a marca de baixo custo seguir o mesmo caminho do Nano, o modelo de US$ 2.500 da Tata Motors Ltd. que foi um fracasso.

“Isto não é um Nano”, disse na época Trevor Mann, o principal executivo da fabricante japonesa no comando da Datsun, na Índia, onde a marca seria relançada meses depois após ter sido descontinuada em 1981. Em uma entrevista mais recente, Mann disse que o ressurgimento da Datsun está no caminho certo e que a Nissan continua tendo grandes aspirações para a marca.

Os números mostram uma história mais decepcionante. As vendas caíram em três dos últimos quatro meses até agosto, ficando abaixo até mesmo das vendas registradas pelo Nano em julho, embora a demanda geral indiana por carros esteja crescendo.

Na Indonésia, as vendas precisarão se recuperar para cumprir sua meta para o ano-cheio. Enquanto isso, a Rússia, outro mercado-chave da Datsun, está em uma turbulência tal que a IHS Automotive prevê que o setor automotivo por lá terá a maior queda em uma década.

As dores crescentes da Datsun são um lembrete de que preços mais baratos não garantem o sucesso nos mercados emergentes, mesmo em um país onde a maioria das pessoas é tão pobre que ganha menos de US$ 2 por dia.

Para o CEO da Nissan, Carlos Ghosn, não transformar a Datsun em sucesso ameaçaria sua capacidade de cumprir a promessa-chave de elevar a participação da Nissan no mercado global em um terço, para 8 por cento, até março de 2017.

“Os mesmos fatores que resultaram no fracasso da Nano são os que estão levando a vendas decepcionantes na Datsun”, disse Deepesh Rathore, diretor da Emerging Markets Automotive Advisors em Nova Délhi. Por um lado, muitos dos que compram carros ligam para o status e “querem ser vistos dirigindo carros que não são ‘baratos’”, disse ele.

Embora possam gerar margens de lucro mais baixas do que modelos como o Altima, da Nissan, os carros Datsun são fundamentais para a estratégia de vendas da empresa porque têm como alvo os mercados emergentes com os mais altos potenciais de crescimento.

A fabricante com sede em Yokohama, Japão, projetou que a Datsun responderá por uma proporção entre um terço e metade das vendas da Nissan nos países nos quais a marca está operando.

“Será difícil de a marca ser bem-sucedida”, disse Edwin Merner, presidente da Atlantis Investment Research, de Tóquio. “Mas não impossível”.

Na Índia, as vendas até agosto do hatchback Datsun Go, com preço a partir de 312.270 rúpias (US$ 5.100), totalizaram apenas 9.557 veículos desde que o carro chegou ao comércio no dia 19 de março, segundo a Sociedade Indiana de Fabricantes de Automóveis (SIAM, na sigla em inglês).

Como comparação, a Maruti Suzuki India Ltd., fabricante com melhores vendas no país, comercializa o mesmo volume de seu hatchback Alto, de preço semelhante, a cada duas semanas.

Abaixo do Nano

E pior ainda. Apenas 607 Datsuns foram vendidos em julho, uma queda de 77 por cento em relação ao pico de abril e um volume mais baixo que o do Nano, da Tata. A marca se recuperou e superou o Nano em vendas em agosto, segundo os dados mais recentes disponibilizados pela SIAM.

Na Indonésia, onde busca vender 40.000 Datsuns neste ano-fiscal, a Nissan informa ter comercializado 6.400 unidades da minivan da Datsun, a Go+ Panca, lançada em maio. A empresa também começou a receber encomendas do hatchback Go, que foi à venda no dia 18 de setembro, e espera cumprir sua meta de ano-cheio, segundo a Nissan.

No ano passado, Ghosn estava tão otimista de que a Datsun seria um sucesso que projetou que 50 por cento das vendas da Nissan no país acabariam vindo da Datsun.

Uma oportunidade para a Nissan recuperar a Datsun é a temporada de festivais da Índia, que ocorre de setembro a novembro, uma época em que as vendas locais de carros geralmente sobem, disse Ammar Master, analista da LMC Automotive em Bangkok.

“Eu ainda não chamaria a marca de fracasso”, disse Master.

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