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Carrefour reforça presença entre baixa renda com Atacadão

Mais do que a liderança, grupo francês comemora o maior acesso aos consumidores de baixa renda com a nova aquisição

A compra do Atacadão devolveu ao Carrefour a liderança no mercado brasileiro de supermercados, perdida há sete anos para o Pão de Açúcar. Além disso, elevou de 6% para 8% o peso da operação brasileira no faturamento mundial do grupo - que fechou o primeiro trimestre em 20,419 bilhões de euros, após a cobrança de tributos.

Mas o ponto mais comemorado pelo diretor-superintendente do Carrefour no Brasil, Jean-Marc Pueyo, é o maior acesso aos consumidores de baixa renda que o negócio permitirá. "A liderança é importante, mas o maior sucesso é entrar em classes sociais às quais não tínhamos tanto acesso antes", afirmou em encontro com jornalistas nesta segunda-feira (23/4).

A estabilização da economia, o aumento da oferta de crédito e a recuperação parcial do poder de compra dos brasileiros transformaram a baixa renda em um dos segmentos mais disputados pelos varejistas. Não há um número exato de quanto esse mercado representa. Segundo o instituto de pesquisas Target, havia 25 milhões de famílias na classe C em 2005.

Com a melhoria do padrão de vida, o número subiu para 28 milhões de famílias no ano passado. Nesse segmento, estão contabilizadas as famílias com renda mensal entre 1.140 reais e 3.750 reais. Já as classes D e E, consideradas populares e com renda menor que 1.140 reais, ficaram um pouco menor - de 14,3 milhões de famílias, em 2005, para 13,9 milhões.

Até agora, o Carrefour estava presente nas classes C e D com a bandeira Dia%, que conta com 258 pontos-de-venda e é focada em descontos. Neste ano, o Carrefour planeja abrir mais 50 a 60 lojas Dia% no país. Segundo Pueyo, não há riscos de canibalização entre o Dia% e o Atacadão, porque os modelos de negócios das duas bandeiras são diferentes.

O Dia% é composto por unidades pequenas e buscam clientela em sua vizinhança. Já as 34 lojas que compõem o Atacadão são maiores (cerca de 6.294 metros quadrados de área de venda por unidade), mais espalhadas, atraem clientes mais distantes e atendem também a comerciantes e pequenos varejistas. Atualmente, 25% das vendas da rede vêm de pessoas jurídicas - e não há planos imediatos dos novos controladores de aumentar essa fatia. "Não vamos mudar nada na estrutura do Atacadão", diz Pueyo.


A determinação vale para todos os aspectos da nova controlada - os antigos proprietários da rede permanecerão como conselheiros por dois anos; há a disposição de manter a mesma diretoria; o mix de produtos não será revisto; e a política de marketing da rede, bastante discreta, também continuará. "O Atacadão é líder em seu mercado, o que significa que eles sabem atuar nesse negócio. Por isso não queremos mudar nada", reforçou o dirigente do Carrefour brasileiro.

Operação

O Atacadão foi comprado por 825 milhões de euros, ou 2,2 bilhões de reais. Os recursos sairão do caixa da matriz, e serão repassados como aumento de capital na operação brasileira. De acordo com Pueyo, os 700 milhões de reais obtidos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não serão utilizados nessa operação, e sim nos planos de expansão do grupo. Somente neste ano, o Carrefour pretende abrir entre 15 e 20 lojas com a sua marca - além da expansão já planejada para o Dia%.

Em 2006, o Atacadão faturou 4,9 bilhões de reais. Neste ano, a expectativa é de que a cifra cresça 10%. O Carrefour não descarta abrir novas lojas da bandeira, mas Pueyo afirma que ainda não há planos concretos. O grupo Carrefour também espera crescer 10% sobre o faturamento do ano passado, que somou 3,8 bilhões de euros, cerca de 12 bilhões de reais.

Devido ao seu porte, a operação ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas Pueyo não espera problemas. "Se olharmos o mapeamento das lojas, veremos que não há sobreposição", disse. A documentação ainda não foi encaminhada ao Cade.

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