BTG cresce em commodities enquanto grandes bancos recuam

O banco de investimentos sediado em São Paulo planeja em 2014 oferecer serviços de cobertura, crédito e operações e limitará suas posses de commodities físicas

São Paulo - O Grupo BTG Pactual planeja se expandir na área de commodities enquanto os maiores bancos de Wall Street, que geraram US$ 6 bilhões em receita com o negócio no ano passado, recuam em meio à pressão dos reguladores, disse uma fonte do setor.

O BTG, o banco de investimentos sediado em São Paulo e fundado pelo bilionário André Esteves, oferecerá serviços de cobertura, crédito e operações e limitará suas posses de commodities físicas, segundo a fonte, que solicitou o anonimato porque o plano é privado.

Os dez maiores bancos do mundo reduziram seu pessoal de commodities neste ano para o menor nível desde pelo menos 2009 em meio ao declínio da receita e à preocupação dos reguladores com que o negócio possa causar perdas, segundo a Coalition Ltd.

Os investidores retiraram o recorde de US$ 34,1 bilhões dos fundos de commodities desde dezembro do ano passado, enquanto os preços acompanhados pela Standard Poor’s se encaminharam à sua primeira queda anual desde 2008.

O JPMorgan Chase Co., o maior credor americano, está procurando vender sua unidade de commodities físicas e o Deutsche Bank AG anunciou reduções.

“Damos as boas-vindas à iniciativa, pois o BTG está se expandindo em uma área ao mesmo tempo em que grandes agentes globais estão se retirando”, disse Carlos Daltozo, analista do Banco do Brasil SA.

A expansão poderia ajudar o BTG a compensar a diminuição da receita de outros negócios, incluindo os investimentos principais, disse Daltozo, em entrevista por telefone neste mês. “A divisão poderia começar a registrar resultados positivos no ano que vem”.


Declínio da receita

A receita do BTG foi prejudicada pelo crescimento econômico menor do que o estimado pelos analistas e pelo plano da Reserva Federal para começar a reduzir seus estímulos à economia americana, que aumentaram a aversão a riscos dos clientes, disse a companhia em seu relatório de lucros do terceiro trimestre, publicado em 5 de novembro.

Um funcionário do BTG, que solicitou o anonimato conforme a política da companhia, não quis comentar sobre a iniciativa. A estratégia de expansão nas commodities está desenhada para ir contra a corrente, permitindo ao BTG contratar funcionários especializados enquanto os preços estão caindo e os competidores estão recuando, disse a fonte.

O BTG espera que sua equipe de commodities tenha aproximadamente 200 funcionários no ano que vem, comparada a 120 atualmente, disse o diretor financeiro Marcelo Kalim em uma teleconferência em 6 de novembro.

É possível que o banco tenha que estabelecer uma estrutura de armazenamento para suas atividades com matérias-primas mediante uma aquisição ou construindo uma instalação por conta própria, disse Kalim.

O BTG planeja dobrar seu pessoal em Londres até o final de 2014, incorporando cem pessoas como parte do esforço nas commodities, informou o Financial Times em 23 de dezembro, citando fontes do setor não identificadas. O BTG alugará um andar adicional no seu prédio no distrito londrino de Mayfair para administrar a unidade, disse o jornal.


O BTG recuou 14 por cento neste ano até 23 de dezembro, comparado a um ganho de 3,7 por cento para o Itaú Unibanco Holding SA, sediado em São Paulo, o maior banco da América Latina por valor de mercado.

Acrescentando riscos

As commodities poderiam converter as ações do BTG em um investimento mais arriscado. Os atuais laços do banco com o negócio foram um dos motivos pelos quais a corretora Magliano SA retirou sua recomendação de compra para o BTG da sua carteira de alto risco, disse Henrique Kleine, analista-chefe da companhia sediada em São Paulo.

O BTG procurará conquistar participação de mercado de outros bancos que estão reduzindo sua presença na indústria, escreveu em uma declaração por e-mail Rodolfo Amstalden, analista da Empiricus Research em São Paulo.

“As commodities são a única obrigação natural que os investidores globais têm com o Brasil”, escreveu Amstalden. “Em se tratando de commodities, não se pode desconsiderar o Brasil”.

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