Prosperidade além do dinheiro: pesquisa mostra que brasileiros associam conceito a renda, propósito e bem-estar. (Sicredi/Divulgação)
EXAME Solutions
Publicado em 10 de julho de 2026 às 11h21.
Ganhar mais dinheiro ajuda. Mas não basta. Para os brasileiros, prosperidade tem menos a ver com acumular riqueza e mais com a capacidade de viver bem, realizar sonhos, cultivar relações e encontrar sentido na própria trajetória.
Essa é uma das principais conclusões de uma pesquisa inédita realizada pelo Sicredi em parceria com o Datafolha, que ouviu 2.003 pessoas em 113 cidades brasileiras para entender como a população define prosperidade e o quanto se considera próspera.
O estudo identificou quatro dimensões que compõem essa percepção: econômica, psicológica, espiritual e social. A econômica aparece como a mais relevante, respondendo por 39% do conceito de prosperidade. Em seguida vêm a psicológica (26%), a espiritual (21%) e a social (14%). Veja aqui a pesquisa completa.
O resultado revela que o dinheiro continua sendo um elemento central, mas não como objetivo final. Na visão dos entrevistados, ele funciona como uma ferramenta para viabilizar outros aspectos considerados essenciais, como acesso à educação, saúde, moradia, segurança e oportunidades.
“Uma das principais confirmações da pesquisa foi perceber que o conceito de prosperidade se ampliou. O dinheiro aparece muito mais como um meio do que como um fim. Ele é um habilitador de conquistas, de sonhos e de projetos de vida”, afirma Alexandra Rodrigues, gerente de Inovação do Sicredi.
O que está por trás desses números? Em conversa com a EXAME, Alexandra Rodrigues comenta os principais achados da pesquisa. Assista ao videocast:
A conclusão surgiu após uma etapa qualitativa que reuniu grupos focais em diferentes regiões do país. Nas conversas, os participantes raramente associavam prosperidade ao acúmulo de patrimônio.
Em vez disso, mencionavam conquistas pessoais e familiares: a formatura de um filho, a compra da casa própria, a possibilidade de empreender ou simplesmente a tranquilidade de pagar as contas em dia.
“Nas conversas que tivemos, ninguém trouxe prosperidade como sinônimo de riqueza acumulada. O que aparecia era a conquista como protagonista e o dinheiro como coadjuvante”, diz Rodrigues.
Entre os achados mais curiosos do levantamento está o nível de otimismo dos brasileiros em relação à própria vida. Mesmo diante de desafios econômicos persistentes, 41% dos entrevistados atribuíram notas 9 ou 10 para sua prosperidade pessoal. Outros 40% se colocaram em uma faixa intermediária, entre 7 e 8.
Ao mesmo tempo, quase metade da população (47%) afirma prosperar “com dificuldade”, revelando que a sensação de avanço convive com obstáculos concretos do cotidiano.
Para Rodrigues, os números mostram que prosperidade é percebida como um processo em construção.
“O brasileiro associa prosperidade à ideia de movimento, de evolução. Existe uma percepção de que a vida está avançando, mesmo quando há dificuldades pelo caminho”, afirma.
Essa visão também aparece quando os entrevistados são convidados a olhar para o futuro. Em geral, eles afirmam sentir-se mais prósperos hoje do que no passado e acreditam que serão ainda mais prósperos nos próximos anos.
A pesquisa identificou diferenças significativas entre grupos da população. As mulheres demonstram uma percepção de prosperidade maior do que os homens. O mesmo ocorre com moradores do Nordeste, habitantes do interior do país e pessoas com 60 anos ou mais.
Outro achado chama atenção: entrevistados com menor escolaridade e renda mais baixa relatam níveis de prosperidade superiores aos observados entre pessoas com ensino superior e rendimentos mais elevados.
A explicação parece estar na própria definição de prosperidade construída pelos participantes.
“Além da estabilidade financeira, entram fatores como autonomia, tranquilidade, boas relações e a sensação de estar construindo algo significativo. Prosperidade não é apenas sobre renda”, afirma Rodrigues.
Entre os mais velhos, pesa também a percepção de trajetória cumprida. Ao olhar para trás, muitos associam prosperidade às conquistas acumuladas ao longo da vida, às relações construídas e ao legado deixado para a família.
A partir dos relatos coletados, o estudo organizou a percepção dos brasileiros sobre prosperidade em quatro grandes dimensões.
A econômica reúne elementos como renda, estabilidade financeira, crescimento profissional e acesso a oportunidades.
A psicológica está ligada ao bem-estar emocional, à autoestima, à autonomia e à sensação de controle sobre a própria vida.
A espiritual, por sua vez, vai além da religião. Ela está relacionada ao propósito, aos valores pessoais e ao sentimento de que a vida tem significado.
Já a social contempla vínculos familiares, amizades, participação comunitária e redes de apoio.
“O aspecto espiritual foi um dos mais interessantes. Muitas pessoas falavam de fé, mas o que apareceu com força foi a necessidade de viver de acordo com os próprios valores e encontrar sentido naquilo que fazem”, diz Rodrigues.
O papel das instituições financeiras
O estudo também investigou como a relação com instituições financeiras influencia a percepção de prosperidade.
Os resultados mostram que pessoas que se consideram mais prósperas utilizam uma variedade maior de produtos financeiros. Além disso, entrevistados ligados a cooperativas de crédito apresentam índices mais elevados de percepção de prosperidade.
Para Rodrigues, o resultado reforça a importância de ampliar o acesso à informação financeira e tornar a linguagem do setor mais próxima da realidade das pessoas.
“Quanto menor a renda, maior tende a ser o distanciamento do sistema financeiro. Muitas vezes isso acontece por falta de informação, por dificuldade de planejamento ou por uma relação de pouca confiança. Existe uma oportunidade enorme para aproximar as pessoas desse universo de forma mais simples e acessível.”
No fim das contas, a pesquisa sugere que prosperidade talvez seja menos uma questão de quanto se tem e mais de como se vive. Ou, como resumiu uma das participantes dos grupos focais, não adianta ter todo o dinheiro do mundo se a saúde mental não estiver em ordem.
Para os brasileiros, prosperar parece significar encontrar equilíbrio entre diferentes dimensões da vida — renda, propósito, bem-estar e relações. O saldo da conta importa, mas está longe de contar toda a história.


Fonte: Pesquisa “Prosperidade para os brasileiros” – Sicredi e Datafolha