Brasil vai aumentar produção de petróleo em 10% para ajudar preço e oferta

Ministro de Minas e Energia afirma que expansão só é possível graças a investimentos no pré-sal, que tem sido foco da Petrobras
 (Exame/Germano Lüders)
(Exame/Germano Lüders)
Por Victor SenaPublicado em 23/03/2022 14:10 | Última atualização em 23/03/2022 15:23Tempo de Leitura: 3 min de leitura

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, anunciou que o Brasil deverá aumentar a produção de petróleo, em 2022, em cerca de 300 mil barris por dia, cerca de 10% da produção nacional. A ideia é ajudar na oferta mundial da commodity, já que há temores sobre os impactos de um possível bloqueio da Europa à importação de óleo e gás da Rússia, como sanção devido à invasão da Ucrânia.

No início do mês, os Estados Unidos anunciaram que não comprariam mais óleo da Rússia, o que forçou os preços do petróleo a se manterem altos. Desde o início da invasão russa ao país vizinho, o preço do petróleo tem se mantido acima de 100 dólares. O país é um dos principais produtores e exportadores do mundo. Ela tem 11% do mercado mundial e produz 10 milhões de barris por dia.

O anúncio de Bento Albuquerque aconteceu durante a abertura da Reunião Ministerial da Agência Internacional de Energia, em Paris. Bento Albuquerque enfatizou que “a transição energética deve avançar de mãos dadas com a segurança energética”. Segundo ele, o aumento de 10% da produção de petróleo em 2022 só será possível porque o país fez "avanços regulatórios", modernização e investimentos no pré-sal. 

Hoje o Brasil produz cerca de 3 milhões de barris de petróleo por dia. Desse total, 2,7 milhões são extraídos pela Petrobras, principalmente da região do pré-sal, que tem se tornou seu foco desde a gestão do ex-presidente Michel Temer, e pós Operação Lava Jato, quando o "comandante" Pedro Parente e a então diretoria entenderam que era preciso abrir mão de negócios secundários e focar na extração de petróleo. A segunda maior petroleira é estrangeira Total e em seguida vem a Trident Energy.

bento albuquerque

Bento Albuquerque discursa em evento da Agência Nacional de Energia: ministro enfatizou que “transição energética deve avançar de mãos dadas com a segurança energética” (Ministério de Minas e Energia/Reprodução)

Mesmo antes de a Rússia invadir a Ucrânia, o barril de petróleo já beirava 100 dólares. Isso porque a retomada da pandemia aumentou a demanda de energia sem que a oferta fosse compensada. Quando o mundo parou, em março de 2020, o preço e a demanda despencaram e a Organização dos Países Exportadores e Produtores de Petróleo fechou as torneiras. Mas ainda não abriram totalmente.

A Agência Internacional de Energia prevê que a organização esteja com uma ociosidade de 4 milhões de barris por dia. Ao todo, ela produz 33 milhões. Dentro do grupo, estão grandes produtos, principalmente do Oriente Médio e África, como Arábia Saudia, Irã Emirados Árabes, Argélia e Nigéria.

O aumento dos combustíveis em função da guerra na Ucrânia já provocou mudanças no comportamento dos consumidores brasileiros. Segundo a mais recente pesquisa EXAME/IDEIA, 83% dos entrevistados dizem que diminuíram o uso do carro ou da moto por causa do aumento da gasolina, do diesel e do etanol.