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Boeing e Embraer defendem acordo para venda de divisão de jatos comerciais

O presidente-executivo da Boeing disse que o acordo marca um momento decisivo na história da Boeing e que há "grande alinhamento" entre as empresas

Muilenburg: acordo permitiria à Boeing ir aos clientes com combinações de serviços de frota entre o avião 737 MAX e a família E2 (Boeing 737/Reprodução/Wikimedia Commons)

Muilenburg: acordo permitiria à Boeing ir aos clientes com combinações de serviços de frota entre o avião 737 MAX e a família E2 (Boeing 737/Reprodução/Wikimedia Commons)

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Reuters

Publicado em 16 de julho de 2018 às 10h56.

Última atualização em 16 de julho de 2018 às 16h04.

Farnborough, Inglaterra - Executivos da Boeing e da Embraer defenderam nesta segunda-feira o acordo para a venda da principal divisão da fabricante brasileira de aeronaves para o grupo norte-americano e afirmaram que estão confiantes de que conseguirão aprovação de autoridades para o acordo.

"Eu não posso acreditar que qualquer pessoa seja contra este projeto dados os benefícios que ele trará para o Brasil", afirmou o presidente-executivo da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, a jornalistas durante a feira de aviação de Farnborough, na Inglaterra. "Que pode ser contra mais empregos, mais exportações, mais tecnologia e mais acesso a capital?", acrescentou.

As duas companhias anunciaram este mês um acordo prévio sob o qual a Boeing vai assumir o controle da divisão de aviação comercial da Embraer por meio da criação de uma joint-venture de 4,75 bilhões de dólares que enfrentará a parceria da Airbus com a Bombardier.

O presidente-executivo da Boeing, Dennis Muilenburg, afirmou durante o evento que o acordo com a Embraer marcará um momento definidor na história da companhia norte-americana e que há um "grande alinhamento" entre as empresas.

Muilenburg afirmou que o acordo vai permitir à Boeing buscar clientes com combinações de frotas envolvendo os modelos de aviões 737 MAX e a família E2, da Embraer, e oferecer a eles mais serviços.

O acordo entre Boeing e Embraer precisa de aprovação de autoridades que incluem o governo brasileiro, que tem se mostrado favorável à operação. A compra da divisão de jatos comerciais da Embraer vai adicionar ao portfólio da Boeing aviões com capacidade para 70 a 130 passageiros e deve impulsionar o lucro por ação da companhia norte-americana a partir de 2020.

Na semana passada, sindicatos de trabalhadores da Embraer no Brasil mantiveram postura contrária ao negócio, afirmando que a empresa já demitiu apenas neste ano cerca de 300 funcionários em sua principal fábrica, em São José dos Campos (SP), algo que a companhia brasileira afirma se tratar de "rotatividade natural da empresa" e que "vem mantendo estável o volume de empregos no Brasil".

Além da operação na área de jatos comerciais, Boeing e Embraer vão aprofundar laços nas vendas e serviços envolvendo o cargueiro brasileiro KC-390.

As companhias afirmaram a jornalistas que vão colaborar com novas gerações ou modificações da plataforma do KC-390, bem como vão estabelecer acordos mútuos para gestão de fornecedores nas operações com aviões de passageiros e militares.

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